.Querido Diário

Quanta certeza a gente tem?

19:48

[Esse post contém spoiler de Master of None]

Terminei de assistir Master of None essa semana e, embora o texto seja baseado nele, poderia ser mais um texto sobre a vida. Especialmente a minha.

Eu sou completamente atraída por tudo que fale sobre relacionamentos modernos, comportamentos e questões da vida, num geral. Talvez seja por isso que a série me atraiu e, apesar de ter um ritmo mais lento, digamos, foi uma delícia acompanhar.

A temporada teve vários episódios marcantes para mim. Os fatos importantes começam quando Rachel e Dev conversam sobre oportunidades e a dura certeza de que a vida passa e as oportunidades diminuem. Eles conversam sobre onde morariam se pudessem ir para qualquer lugar do mundo e ela conta sobre sua irmã, que mesmo com tantos sonhos, um dia casou e de repente viu que não havia feito nada do que gostaria.



Há momentos que questionam a convivência do casal, incluindo rotina e manias. Há momentos onde o pai de Dev fala sobre a necessidade de ele ser menos inseguro e aprender a tomar decisões. Dá momentos onde Dev questiona Rachel sobre ela cogitar ir morar por alguns meses em outra cidade por um trabalho pelo qual ela nem sequer se importa. Há um momento especial onde Dev questiona quanta certeza Rachel tem sobre querer passar o resto da vida dela com ele - e ele, com ela.

Um belo dia Dev pede para conversar com Rachel e ela diz que ele tinha razão. Justo quando ele havia decidido que ela era o amor da vida dele, ela diz que vai passar uma temporada em Tóquio, porque não quer acordar um dia e perceber que deixou passar todas as oportunidades, todos os momentos que poderia aproveitar. Dev a segue, ou melhor, segue a lógica - e vai para a Itália (mesmo que eu tenha pensado até o minuto final que na verdade ele iria atrás dela).

Master of None é, para mim, uma série tão real que dói, que me deixou em posição fetal pensando sobre tudo que haviam jogado na minha cara.

Sabemos que é praticamente impossível ter 100% de certeza sobre o que queremos da nossa vida. Sabemos que, às vezes, para escolher um caminho precisamos abrir mão de todos os outros. Sabemos que nem sempre conseguimos conciliar algumas coisas. Eu costumo pensar que não existe “cedo demais”, mas que existe tarde demais. Faz sentido?

Quantas vezes tivemos a sensação de que esse ano trouxe menos oportunidades que o ano passado? Quantas vezes estávamos inseguros demais para aceitar algo ou nos seguramos firmemente no “eu não sei”? Muitíssimas. Inúmeras vezes acabamos dando mais atenção a algo que nem nos importamos de verdade, seguimos em relacionamentos desconfortáveis porque “já investimos tempo demais” ou porque “não dá pra recomeçar agora”.

Tão difícil quanto arriscar um caminho é pensar em recomeços. Em tomar uma nova direção. Em se colocar em primeiro lugar. Em acreditar em sonhos. Tão difícil quanto optar é tentar equilibrar a própria vida. Tão difícil quanto escolher é arcar com a certeza de que nunca saberemos se estamos no caminho certo. Estamos sempre nos lamentando pelo que tivemos que deixar para trás e esquecemos do novo caminho que podemos criar.

Anitelli diria, lá nos primórdios da sua carreira: “deixo explícito que se for pra frente, coisas ficam para trás. A gente só nunca sabe que coisas são essas”.

Alguém sabe?

0 comentários

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.