.Querido Diário

Filosofias sobre ir às compras

15:21

(daqui)


Passei 23 anos sem “ir às compras”. Sabe aquela imagem de ir a uma loja e ficar um bom tempo provando infinitas roupas? Eu nunca tinha feito isso. É claro que, de vez em quando, eu precisava sair para uma coisa ou outra (comprar calça, por exemplo, algo que sempre detestei), mas nada que se comparasse a uma cena que muito lembra um filme.

Sexta-feira passada fui com a minha irmã (fiel escudeira personal stylist etc) e consegui encontrar um monte de coisa legal, um monte de coisa que gostei e serviu (!!!), como uma calça vinho que sempre quis, um cropped, etc. Além de ser realmente muito bom passar um tempo com a minha irmã, eu tomei consciência de uma coisa: nunca passei tanto tempo me olhando em frente a um espelho.

Eu não tenho um espelho grande em casa e, no pequeno, também não me encaro por muito tempo. Se podemos chamar isso de algo, eu chamaria de mecanismos ocultos da baixa autoestima. Quando eu saia pra comprar ~brusinha~, mal experimentava, já que sabia o que ia ficar bom ou não. Evitei infinitamente o que pude para comprar calças - e troquei jeans por legging de uns tempos pra cá.

Dessa forma, experimentar algo próximo de mil peças de roupas e passar pelo menos meia hora em frente a um espelho foi, no mínimo, estranho.

Estranho porque a luz é desconfortável, estranho porque meu corpo é desproporcional, estranho porque é vergonhoso e constrangedor estar diante de si mesma. Estranho porque durante 23 anos eu evitei aquele momento. E não é a mesma coisa se olhar durante um banho, num reflexo ou de cima abaixo.

Ter minha irmã comigo só me deu coragem para vestir tudo aquilo que eu passaria vontade dizendo “não serve”. Mas ter um espelho gigante na minha frente só me fez reviver a memória que tenho da primeira vez que me vi, quando tinha uns três ou quatro anos, no espelho da porta do guarda-roupa da minha mãe.

“Aquela sou eu”, eu pensei naquela época.

Quantas possibilidades na vida dá pra criar quando a gente finalmente se enxerga?

4 comentários

  1. Compartilho. Há pouquíssimo tempo as lojas começaram com os "tamanhos especiais", que tornaram a experiência de fazer compras menos dolorosa, e me fizeram experimentar coisas novas. Eu nunca achei que fosse gostar de calças coloridas, por exemplo, e hoje me sinto mega poderosa com minha calça vermelha (que sempre combino o batom). Tenho mais alternativas do que nunca, e aos poucos vou perdendo o medo. E quero fotos desses looks, pode? ;)

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  2. Também quero foto dos looks!
    Sou suspeita pra falar porque sempre amei fazer compras, sempre experimentei um milhão de roupas e ficava fazendo mil e uma besteiras em frente ao espelho pra ver se eu realmente amava aquela roupa. Mas ter uma coisa tão trivial quanto fazer compras ser um martírio e poder ler isso é algo a mais sis...

    Espero que daqui pra frente você consiga não ficar desconfortável com seu próprio reflexo porque você é linda de todos os jeitos possíveis <3

    amo tu!

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  3. Oi, Fran! Eu sempre amei ir "fazer compras", essa coisa de ir em uma loja, escolher trinta peças, ir pro provador sempre foi a minha cara e eu amo. Acho que a grande sacada é a gente se amar e se enxergar do jeitinho que é, por mais difícil que seja. Há um mundo de coisas novas depois que a gente faz essa descoberta - e tenho certeza que isso é só o começo!
    Beijos!
    Ps. amei muito a nova carinha do blog! <3

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  4. Amiga, fiquei muito, muito emocionada com esse texto. Eu não consigo imaginar o quanto deve ser difícil que algo tão rotineiro quanto fazer compras se torne um sofrimento nas nossas vidas, sabe assim? Nem sempre eu curti fazer compras, mas era muito mais uma questão de birra, de adolescente mimada que não tem paciência pra nada do que qualquer outra coisa. Fico MUITO feliz que você finalmente tenha curtido um momento assim, que tenha comprado roupas incríveis, lindas e dignas da pessoa linda e incrível e maravilhosa que você é. Mas, principalmente, fico feliz que você tenha se enxergado.

    beijo <3

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.