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RESENHA | Olympe de Gouges

20:53



O primeiro contato que tive com o feminismo foi de uma forma um tanto acadêmica: quando estava no terceiro ano do ensino médio precisei desenvolver um TCC, algo que era parte da grade curricular da escola. Na época, começava a engatinhar no movimento.

Eu tinha 17 anos quando comecei a ouvir sobre Simone de Beauvoir, Mary Wollstonecraft e, claro, Olympe de Gouges.

Em 2014 ganhei Olympe de Gouges, graphic novel publicada pela editora Record e desenvolvida por Catel Muller e José-Louis Bocquet. Devorei-o em questão de horas.

A HQ conta a vida e ativismo de uma das maiores ícones do movimento feminista na época da Revolução Francesa. Nascida Marie Gouze, em 1748, foi filha de um relacionamento extraconjugal. Logo no início da história notamos que Olympe é uma garota curiosa, questionadora e destemida. O interesse, na adolescência, por literaturas revolucionárias incomodavam sua mãe.

Em 1770, após perder o primeiro marido e ter seu primeiro filho, mudou-se para Paris e trocou de nome. Assumiu-se Olympe de Gouges a partir de então. 



Olympe, que sofria abusos de seu falecido marido, seguiu se relacionando com outros homens sem a vontade de se casar novamente. Quem é que desejasse estar ao seu lado deveria, além de compreendê-la, apoiá-la em suas lutas políticas.

Ela se envolveu com o teatro e literatura, fazendo destes meios uma forma de brigar pelo direito de a mulher também ser vista e validada como ser humano. Não poupava palavras ou opiniões quando a questão era igualdade, tanto é que escreveu o documento conhecido como Declaração dos Direitos da Mulher e Cidadã, em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão, proposto a Assembleia Nacional da França em 1791.

A graphic novel traz, em suas páginas, o registro desse documento, bem como diversos outros fatos marcantes da vida e luta da ativista, além de pequenas biografias de cada personagem da história que aparece na HQ.



Minha cópia está cheia de post-its e, sem dúvida, é uma das minhas maiores recomendações de leitura em qualquer época, mas especialmente neste mês. As associações com nossas conquistas e sociedade serão inevitáveis e produtivas, para quem quer entender o feminismo como história e como movimento.



1 comentários

  1. Eu tenho tanta vontade de ler esse livro, mas a edição é MUITO cara. Vou fazê-lo, sem dúvida, porque uniu HQ e feminismo, é comigo.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.