.Fangirl Project

Por que eu escrevo ficção?

20:40

Esse tema pertence ao Fangirl Project, ideia que dei lá no Grupo de Suporte Bloguístico inspirada nas atividades da Cath, personagem do livro Fangirl, no primeiro ano da faculdade.. O banner fofíssimo foi da Thay. Faremos um tema por semana! Vem com a gente!


Eu sempre gostei de histórias.

Quando era mais nova, meus pais sempre nos contavam histórias. Sejam sobre seus passados, sejam histórias que inventavam na hora, especialmente quando acabava a energia. Minha irmã e eu crescemos rodeadas de histórias. Quando minha irmã era apenas um bebê, eu adorava contar histórias pra ela. Quando eu tinha problemas para dormir, minha mãe me ensinou a criar histórias na minha cabeça até pegar no sono. Eu faço isso até hoje. Quando eu tinha sete anos, "escrevi" um livro infantil, "ilustrei" e mandei para uma editora.

Ah, os sonhos!

Apesar de todas as minhas crenças e de, hoje em dia, saber escrever histórias sobre a realidade, eu achava que uma vida era muito pouco pra tudo que eu queria viver. Quer dizer, eu escolhi um caminho x, mas como seria se eu escolhesse y ou z? Como seria se eu fosse como Joana Dalva (personagem de Poderosa - O diário de uma garota que tinha o mundo na mão) e fizesse acontecer na vida real tudo que escrevesse?

Como seria minha vida se eu fosse trocada na maternidade? Ou se descobrisse que era uma princesa? Ou se fosse uma bruxa (inspirado, nesse caso, nos quadrinhos da antiga revista Witch)? Ou se vivesse em outro país? 

A cada história que eu escrevo, a cada conto, crônica ou livro que começo, não importa a distância que eu tenha da criação: a personagem sempre é um pouco de mim. Até quando é totalmente diferente, até quando sua personalidade me irrita. Ainda sou eu, vivendo um milhão de vidas.

Por isso, escrevo.

Eu escrevo para mostrar possibilidades. Escrevo para poder sentir e para fazer sentir. Escrevo porque existe muita gente aqui dentro de mim que precisa sair de alguma forma. Escrevo pra inspirar, pra libertar, pra mostrar novas formas de ver. Escrevo porque quero dar a quem lê um abracinho no coração, um novo mundo ou mundinho. Escrevo porque, se não fosse isso, não seria eu.

Eu escrevo porque me sobram tantas palavras e tantas eu mesma que preciso lidar com isso de alguma forma. Eu escrevo porque queria viver de palavras. Eu escrevo pelo mesmo motivo que respiro. Escrevo por estar feliz, por estar triste, por estar ansiosa, animada ou sufocada. Escrevo quando preciso dizer algo a alguém. Escrevo quando preciso esclarecer as coisas comigo mesma. Escrevo pelo retorno que tenho, não importa de quem vem. Escrevo pelo registro pra eternidade.

(daqui)

Eu sonho com o dia que escrever vai ser minha profissão, porque já é minha vida. Escrevo por ser tão fácil e tão difícil ao mesmo tempo.

Porque não poderia ser de outra forma.

1 comentários

  1. Que lindo texto, Fran! ♥

    Quando você surgiu com a proposta lá no grupo na hora fiquei com vontade de participar, mas confesso que depois bateu um medinho de não dar conta da tarefa. Com receio ou sem receio, haha, resolvi me jogar e ver o que sai disso.

    Minha história com livros e escrita também começou por incentivo dos meus pais. Sempre tive livros em casa, cresci rodeada deles, e enquanto era criança sempre tinha uma história lida antes de dormir. Mas de tudo o que você escreveu, o que mais me chamou atenção foi isso: a personagem sempre é um pouco de mim. E acho que é bem assim mesmo, colocamos um pouco do que queremos, do que esperamos, do que aprendemos em cada linha que escrevemos. E se isso não é magia, não sei mais o que pode ser.

    Um beijo!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.