BEDA

#15 Caos e Coração, capítulo 609

22:38



Eu estava ansiosa naquela manhã de sábado. Era difícil estar longe depois de tanto tempo vivendo a cinco minutos de distância, a um telefonema a qualquer hora do dia ou a longas conversas de whatsapp. Eu, que sempre tive o orgulho de estar acostumada com o meu relacionamento, estava agitada como uma menina de quinze anos no seu primeiro encontro

O sábado estava irritadiço: a semana toda foi carregada de problemas no trabalho, carregada por pensamentos sobre  futuro - que começava a ficar mais próximo a cada novidade. E isso, para mim, era como se as decisões precisassem ser colocadas em prática amanhã.

Comecei a pensar que as pessoas estavam certas e a imaginar todos os casais que conheci que estavam separados por muito mais tempo ou quilômetros que eu: a saudade acaba sendo um estímulo, acaba aproximando. E não que eu precisasse disso, mas também fazia lembrar dos motivos que me faziam amá-lo e querê-lo por perto e confiar instintivamente em cada palavra ou plano.

Aquele fim de semana era especial por vários motivos. Era o fim de semana que fecharíamos uma viagem juntos para outro país. Era o fim de semana que relembraríamos tantas coisas: nossa rotina, nossas séries, nossas conversas, nossos toques e sussurros no meio da noite.

As horas daquela manhã passaram meio arrastadas, meio rápidas demais. Sentia como se tivesse me perdido nelas. Como se a presença dele, mesmo anunciada, fosse uma expectativa que causava borboletas no estômago e aquele riso bobo de quem vive o primeiro amor.

E aí o momento chegou.

A naturalidade com a qual se dava nosso (re)encontro era o que me fazia sentir exatamente onde eu queria estar. Minha coisa preferida até o resto da minha vida provavelmente seria observar o sorriso dele ao contar sobre sua semana. Eu sentia falta de ir para a casa e ver série deitada no abraço dele. Eu sentia falta de cozinharmos algo juntos. Eu sentia falta de tanta coisa e o fato de as ter ali, naquelas horas, fazia com que eu me sentisse plena. E confiante.

Afinal de contas, estar com aquele que é nosso porto seguro é praticamente nosso milagre diário.


[Post inspirado no tema "Texto: Narre um dia da sua vida em estilo YA ou chick-lit", do GSB]

3 comentários

  1. Nessas doçuras dos momentos cotidianos é que a sensação de paz e alívio aparecem. Alguns por vezes nem parecem momentos efusivos, mas nos preenchem de tão forma que dá a sensação de se estar vivendo.

    Felicidades e coisas bonitas sempre.

    Abraço, Fran!

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  2. Que texto lindo, Fran!

    Você captou tão bem a ideia do desafio lá do grupo, ficou ótimo. Ainda estou tentando redigir alguma coisa dentro desse tema, vamos ver como sai. Entrei no teu blog faz meia hora e estou lendo vários textos e adorando. Simplesmente tive que me obrigar a parar e comentar primeiro antes de voltar para a leitura, rs.

    Um beijo!

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  3. Que gracinha sis <3 fico imaginando você (AINDA MAIS) ansiosa e ficando toda boba e <3 <3 <3
    amar é um treco muito bom né?

    <3

    beijo!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.