BEDA

#17 "Dois Garotos se Beijando" e a vontade de abraçar personagens

13:30

Recentemente li meu primeiro livro de David Levithan, chamado "Dois garotos se beijando". O adquiri em uma livraria de SJC quando estava indo para a casa de uma amiga e a capa maravilhosa me chamou a atenção. Além disso, tenho buscado algumas leituras com personagens mais próximos, tangíveis, que me lembrassem a vida real.

E assim eu comecei a ler essa história maravilhosa sobre dois garotos se beijando, sobre outros garotos e sobre suas vidas.

No livro, conhecemos Craig e Harry, Peter e Neil, Avery e Ryan, Tariq e, por fim, Cooper. De formas diferentes eles falam sobre sua condição sexual e a forma com que são tratados por amigos e famíliares, sobre os sentimentos, sejam os de abandono ou o de acolhimento e até mesmo sobre identidade de gênero. Falam sobre seus dias, seus traumas, suas vitórias e a luta para enfrentar todos os dias, mesmo que às vezes seja mais fácil pra um que para outro.

Todos eles poderíamos ser eu e você, poderiam ser alguém da nossa família ou nossos futuros filhos. Todos eles são pessoas comuns que merecem serem tratadas como eu e você somos. Na maioria das vezes elas possuem inseguranças parecidas, vontades parecidas e vivenciam seus amores de forma parecida com a nossa.
"(...) Ele acha que é porque nasceu com o corpo errado, mas temos vontade de sussurrar no ouvido dele que muitos de nós nasceram com o corpo certo e mesmo assim se sentiram estranhos dentro deles, traídos. Entendemos nossos corpos de uma forma completamente errada. Nós os punimos, os censuramos, queríamos um ideal olímpico que era profundamente injusto com eles. Odiamos os pelos em algumas partes e a falta de pelos em outras. Queríamos que tudo fosse mais firme, mais forte, mais intenso, mais rápido. Raramente reconhecemos nossa beleza, a não ser que outra pessoa reconhecesse em nosso lugar. Passamos fome, nos esforçamos, nos escondemos ou desfilamos, e sempre havia outro corpo que achávamos melhor do que o nosso. Sempre havia alguma coisa errada, geralmente muitas coisas. Quando tínhamos saúde, éramos ignorantes. Nunca conseguíamos ficar felizes com nossos corpos.
Respire, temos vontade de dizer a Avery. Sinta-se respirar. Porque isso é tão parte do seu corpo quanto todo o resto.

Avery, nós sussurramos, você é uma maravilha.

E ele é. Talvez nunca acredite, mas é."
{dois garotos se beijando, david levithan}
A narrativa de Levithan é bem diferente do que eu estou acostumada. De certa forma, ele se coloca nela, como se fosse alguém que observa esses meninos de algum lugar, mas não consegue fazer com que eles o ouçam. A voz do autor representa, na verdade, várias pessoas (enquanto narrador, ele sempre se trata por "nós"), e dá pra entender bem o que isso quer dizer.

"Eles" são todas as outras pessoas que já viveram, pelo menos, parte do que nossos personagens viveram. "Eles" são pessoas que, como eu, gostariam de abraçar cada personagem, de aconselhar, de pedir para não desistir e de lembrá-los o quão forte e maravilhosos eles são.

(daqui)

Eu me sinto tão tocada quando falo desse livro que mal sei expressar o que ele significou para mim. Imagina, então, para quem se identifica de forma mais profunda com ele? Eu vi tanta gente nesse livro, vi tanto de todos nós, em algumas partes, que não diria nada menos sobre esse livro que "obrigatório".

Eu diria que "Two Boys Kissing" é não só sobre a necessidade de enfrentar o mundo e se aceitar, mas especialmente sobre a nossa necessidade de ouvir, de entender e de amar sem distinção. Sobre o quanto todas as pessoas são maravilhosas e incrívels. Sobre a nossa necessidade de aceitar - e sobre como isso pode salvar vidas.

0 comentários

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.