BEDA

#06 A maravilhosa arte de não pertencer

21:46

(daqui)

Por mais descolado que parecesse dizer que “quem se descreve se limita” no Orkut, não é desse tipo de coisa que se trata esse post quando eu digo que nunca consegui me definir. Ou melhor, me encaixar.

Eu sempre fui o tipo de pessoa que adora conversar. Eu adoro contar histórias, eu adoro ouvir histórias, eu adoro conhecer gente, eu adoro pessoas num geral (apesar de a peneira para a convivência estar ficando cada vez mais seletiva). Eu geralmente sou vista como alguém que se enturma fácil e que tem papo fácil com as pessoas.

Mas o que vocês não sabem é que eu não sei fazer parte de grupos.

Em todos esses 22 anos de vida, eu nunca consegui ter um grupo de amigas. Já cheguei a “estar” em vários deles, mas eu nunca consigo me sentir confortável o suficiente para ficar. Todos os que eu me lembro são ótimos, todos sempre trouxeram pessoas queridas e que eu adoro acompanhar, mas eu nunca consegui me sentir à vontade, e eu não sei explicar o motivo exato.

É quase como se eu não fosse boa ou interessante o suficiente para estar ali ou, por ser introvertida demais, não conseguia me adaptar. Também tive fases meio duras onde me isolava e, por isso, as pessoas nem sempre permaneciam ou entendiam.

Eu não me sinto bem em grandes grupos, onde todo mundo consegue conversar ao mesmo tempo e se enturmar. Eu adoro ouvi-los, adoro observá-los, mas sempre sou mais quieta que o normal. E eu só me dei conta disso quando um dia desses uma amiga me confessou que, há um tempo, não entendia como eu sempre falava muito nas nossas conversas mas nos encontros com mais gente era super quieta (obrigada Alê por fazer eu ter esse estalo).

Além disso, é provável que eu sempre tenha sido a mais estranha com papos alternativos. De vez em quando até me bate uma tristeza com cara de arrependimento de não ter me esforçado mais, me forçado mais ou me explicado mais, mas eu simplesmente não conseguiria. Estar em grupos é uma coisa que suga demais minha energia e que não me permite fazer o que eu faço de melhor quando estou no meio de muita gente. Parece que com  pequenas quantidades a conexão é maior, a qualidade também e o conforto, nem se fala!

(Deve ser por isso que sempre rola um estranhamento com o grupo de amigos do namorado quando sou a pessoa mais quieta e que eventualmente se isola para recorrer a uma amiga no whatsapp.)

Eu estou aqui, sempre aberta, sempre acompanhando, sempre dizendo pra menina que existe dentro de mim desde a pré-escola que “tudo bem não ter um grupo, tudo bem não ter uma única definição”.

Se, por um lado, peço desculpas aos grupos que tentaram me incluir por ter fugido em meio a uma crise de angústia, por outro lado também as retiro: eu já tentei me encaixar em grupos maravilhosos, mas funciono muito melhor quando posso estar inteira com alguém. Quando não preciso tentar. Eu fluo melhor assim. Minha energia funciona melhor assim. Meus assuntos, as histórias, até aquela sensação de plenitude (enquanto, em grupo, se transforma numa coisa meio solitária). 

Pode parecer estranho e talvez nem todo mundo entenda, mas entre abandonar grupos (e manter pessoas) e me abandonar, instintivamente eu escolhi a primeira opção. 

3 comentários

  1. Esse texto (também) sou eu. Brigada! <3

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  2. Eu também sou assim!!! Tipo, de verdade. Eu falo pra caramba, eu transformo qualquer coisa em assunto, eu gosto de conversar e posso passar horas me divertindo ao fazer isso. Porém: no meio de um grupo, as pessoas acham que eu sou mudo. Eu não sei bem o que acontece, eu me apago, principalmente se tiver pessoas muito extrovertidas nele. Eu fico apático, fico parecendo o esquisitão antissocial de poucas palavras (É como eu me sinto no meio das festas da família, por exemplo). Daí as pessoas até acham que estou triste ou não estou aproveitando o momento, mas, na verdade, eu estou super ótimo, satisfeito em observar a conversa. Eu adoro observar, fico de boa só ouvindo.

    (Dois Fagundes na mesma caixa de comentários! Isso nunca me aconteceu antes)

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  3. Amei tanto esse texto, e ele me descreveu em tantos níveis diferentes que nem sei o que dizer!
    Estou amando você postar aqui todos os dias com todos esses textos incríveis e tão você <3

    te amo!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.