BEDA

#03 O clube dos corações solitários

21:06


Todo mundo já passou por isso. Aquela fase de gostar de alguém ao ponto de querer que cada segundo perto daquela pessoa seja eterno, de achar que cada “oi” pode significar o mundo todo, de querer fazer o possível e o que não deveria ser possível para agradar, para manter por perto, para receber alguma coisa que seja.

Todo mundo já passou por isso. Daquele formigamento pelo corpo todo ao receber um beijo à dor, às vezes física, de se decepcionar ou se magoar pela falta de tato do outro, em algum nível.

Todo mundo já passou por isso. Se apaixonar ao ponto de não conseguir desapegar, não importa o que aconteça. Ao ponto de achar que as pessoas mudam por (ou pelo amor de) outras. Ao ponto de achar que tá tudo bem, que a culpa é nossa que fez algo errado, que vale a pena, que por amor, tudo vale a pena.

Eu já fui essa garota que achava que nunca seria feliz se não estivesse apaixonada. Já fui essa garota que achava que absolutamente tudo valeria a pena por gostar de alguém, que era normal ceder, que era normal colocar o outro num pedestal, que as coisas funcionavam assim mesmo e que, bom… Não existe algo mais importante que isso, não é mesmo?

Não.

Eu não sei o que há na maioria de nós que aprende desde sempre que pra felicidade ser completa, precisamos de outra pessoa. Temos que ter mais alguém ao lado. Temos que mudar o status. Não importa quantos projetos, quantas conquistas, quantas possibilidades de caminhos temos para escolher: nada é válido se não houver alguém ali, do ladinho (ou, pior: nos guiando).

Eu era essa adolescente que achava que nada faria sentido e que não estaria completa se eu não estivesse apaixonada. Eu era tão confiante em relação a essa ideia que me envolvi com 10/10 caras errados. Não houve uma paixonite que não tenha me deixado em pedaços em algum momento. Eu me conhecia tão pouco que permitia que qualquer um me moldasse e tomasse as decisões por mim e, quando algo dava errado (e sempre dava), me sentia culpada por não estar à altura ou ser “o suficiente”, e aí me sentia culpada por isso também - e por desabafar, e por reclamar, e por exigir o mínimo de consideração e respeito.

Em algum momento da minha vida eu ouvi que a gente só consegue ser feliz com alguém de verdade quando não depende dela. E, veja bem, eu concordo com isso. Querer estar junto, não importa se 2 horas ou 24 horas, é diferente de depender, de necessitar, de surtar ao menor passo dado sozinho. Querer estar junto é diferente de permitir que todas as decisões sejam tomadas pelo outro e de que só as vontades alheias sejam sanadas.

Em algum momento da minha vida eu aceitei que precisava me conhecer um pouco mais e entendi que, apesar de não existir uma fórmula mágica para curar corações partidos e dar um “final feliz” para relacionamentos, eu não preciso de alguém a quem me prender. Não preciso estar mais apaixonada por alguém que por mim mesma. Que eu não preciso estar com alguém que me faça pedir desculpas pelo que quer que seja, que faça com que eu sinta que estou sempre pisando em ovos.

E, na verdade, quando a gente é o amor da nossa vida, nem precisa estar com alguém.


1 comentários

  1. Sis esse teu texto foi tipo tapa na cara, chute no estomago e arrancar aqueles cabelinhos novos que doem tanto. Mas eu precisava disso, obrigada <3

    Amo você <3 muito!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.