BEDA

#02 Coisas não ditas

13:05

Era fim de tarde quando avistei você atravessando a rua e vindo direto em minha direção. O céu estava daquela cor bonita, meio azul, meio roxa, meio rosa e deixando transparecer as primeiras estrelas. Aquele céu que me faz acreditar em coisas boas, que podemos ser o que quisermos, no momento em que decidirmos querer. A cada passo que você dava, eu sorria. Um pouco ansiosa (afinal, quanto tempo fazia?), um pouco tímida (o que você acharia de mim depois de tanto tempo?), um pouco perdida (o que tanto eu te falaria?). Mas eu só precisei te ouvir. Eu fiquei ali, sorrindo e ouvindo cada história e cada aventura e observando cada momento de distração e acho que precisei segurar um ou dois impulsos (ou, quem sabe, três) de te pedir um beijo. Eu também poderia segurar sua mão, te oferecer um cafuné ou pedir para a gente prolongar aquele abraço, por favor. Eu poderia te chamar para sair algumas vezes mais se não fosse um tanto... Inconveniente? Estranho? Insistente? Eu poderia escrever uma coletânea só com o pouco que aprendi com você em alguns minutos (ou seriam horas?). Poderia pedir dicas de livros, de filmes, chamar pra assistir um seriado comigo. Eu poderia fazer com que aquele fim de tarde durasse uma noite toda ou um dia inteiro porque todo esse jeitinho me faz querer descobrir um pouco mais dessa sensação de querer estar por perto, dessa mistura de flerte e desafio, dessa história que eu nem sei como começou ou pra quê veio. Era fim de tarde quando avistei você e quis pedir para você vir no outro fim de tarde. E no outro. E no outro. E nos demais. Era final da noite quando você precisou me dar tchau e me deixou com essas velhas, porém temporariamente desaparecidas, borboletas no estômago. 

1 comentários

  1. ai sis! Que lindo, que poético! Me vi tanto em alguns desses sentimentos que até fiquei meio melancólica, mas isso é bom! haha

    Continue continue continue que tá lindo!

    Love you! xx

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.