.BEDA

#01 Considerações de uma pessoa ansiosa

22:20

Existiu um momento na minha vida onde eu descobri que era ansiosa. Eu não me lembro quando, mas acho que é uma característica que nunca muda.

Sempre tive uma mente muito agitada e, consequentemente, fértil devido a isso. Eu surto quando demoro para receber resposta de alguma coisa. Por exemplo, penso que alguém que não responde minha mensagem ou whatsapp deve me odiar muito e fico muito tempo pensando no que eu fiz para, de repente, pararem de me responder.

(nem precisa ser (só) sobre crushes)


Isso me faz stalkear infinitamente algumas pessoas, até achar que eu as vejo por aí (mas nunca são elas) e ter um surto de AI MEU DEUS FULANA DE TAL AH NÃO É UFA MAS QUE PENA.

¯\_(ツ)_/¯

Mas essa é só a situação mais comum pela qual todo mundo passa, acredito eu.

Dia desses saí com uma amiga, que também tem problemas de ansiedade, e ela disse que eu ter falado sobre como geralmente ficava em uma crise a fez se sentir menos só. Da mesma forma, saber que ela se sentia mais ou menos como eu me fez sentir melhor, já que, como disse ela mesma, da nossa loucura só nos resta rir.

Quando eu fazia terapia, por um ano e meio há um ano e meio, rs, minha psicóloga se recusava a me indicar algum remédio ou sugerir que eu devesse ir atrás deles, então só me receitou um floral, na época. Eu achei bom por N motivos, mas era (e é) péssimo ter que descobrir formas de lidar com cada tipo de crise que tenho.

Há vezes em que me bate uma sensação tão forte e desesperada que tudo que eu sinto que preciso fazer é sair de onde quer que eu esteja. Lembro de várias vezes onde eu mal tive tempo de pensar e me pegava dando uma volta pela cidade, não importa que eu tivesse acabado de chegar em casa ou descido do ônibus depois de horas em outra cidade. Não era uma cura instantânea, mas eu meio que sentia como se tivesse andando pra longe de alguma coisa que estava me sufocando.



Como uma pessoa ansiosa, tenho tendência a pensar demais nas coisas. Demais MESMO. Eu posso ficar semanas num mesmo assunto, comigo mesma ou com outras pessoas. Às vezes eu não consigo me desligar daquilo, nunca. O problema é que por pensar muito, eu recuo muito também - o que me torna uma pessoa impulsiva. Exemplos? Minha viagem para Buenos Aires, minha viagem para Curitiba e voltar a nadar foram nada mais que um ato de impulso em alguns segundos onde consegui silenciar minha cabeça.

Quando eu me sinto sobrecarregada de mim mesma tenho, eventualmente, umas crises de taquicardia e sinto como se tivesse alguma coisa tapando minha garganta. Fico muito, muito cansada, quase como se eu tivesse com uma crise de falta de ar. Há também os momentos onde eu começo a pensar em tanta coisa que simplesmente não consigo me concentrar, focar ou colocar em ordem o que estou pensando. E há os momentos onde eu sinto tudo isso de uma vez. Parece que eu vou explodir. E não importa em quanto doce eu desconte isso (doce é minha válvula de escape, pra ser um pouco clichê, num nível que às vezes até esqueço que já comi), só sinto como se nunca fosse acabar.

Eu frequentemente fico desconfortável em grandes grupos ou fico quieta demais em saidinha com amigos quando estou (mais) ansiosa, rs. Eu fico distraída, eu não consigo seguir um assunto só e esqueço as coisas com mais frequência. Provavelmente não vá existir um dia na minha vida toda em que eu vá conseguir ‘pensar no agora’ ou ‘viver o momento’ - ou até vai, mas estarei triste ao mesmo tempo porque a rotina vai chegar já já.

Eu farei mil planos e não conseguirei decidir algo que eu quero fazer. Nos piores momentos, nas crises que duram dias e dias, eu nem vou conseguir saber que dia é hoje. Eu tenho memórias muito confusas de várias épocas da minha vida (o último ano da faculdade, por exemplo), porque estava tão mal que apenas não consigo saber o que e quando aconteceu.

Uma pessoa ansiosa, como eu sou, vai se perder nas listas e nas linhas de raciocínio. E não vai saber terminar esse texto (apesar de saber que pensará nele por dias a fio).

3 comentários

  1. sis, cê sabe como eu achei esse texto incrível né? E to dizendo aqui de novo porque ele tá mesmo incrível e apesar da minha ansiedade ser bem mais sussa que a sua, ainda me identifiquei horrores, ainda mais com essa necessidade de sair pra caminhar só pra espairecer, meu Deus como isso ajuda né?

    Começou esse BEDA já chutando com os dois pés no peito e eu não poderia estar mais orgulhosa <3 espero que a gente tenha sucesso nessa cilada e vou amar te ler todos os dias (e puxar sua orelha nos dias que você não quiser!)

    beijos

    amo você! <3

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  2. Ia dizer 'tamo junta', quando li o primeiro parágrafo, mas você levou a ansiedade pro next level. Acho que minha ansiedade é (quase) normal. Pelo menos isso. Acho.

    Ou não.

    Clareza não anda sendo o meu forte.

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  3. Ansiedade é um troço doido mesmo. No meu caso, eu me entupia de comida pra tentar amenizar. Também fiz terapia e trabalhei bastante ansiedade, mas só com o tempo mesmo é que fui percebendo algumas coisas e aprendendo a lidar. Hoje já é mais tranquilo, mas às vezes algumas coisas me angustiam e não saem da minha cabeça. Me identifiquei com vários pontos do que você citou. Haha. Descrição totalmente real.

    Beijo.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.