.Querido Diário

Essa coisa chamada "impulso vital"

20:33

daqui

Poucas pessoas sabem disso, mas não houve muito planejamento quando eu decidi que iria para Buenos Aires. Um dia, há mais ou menos um ano, próximo de um feriado que eu não me lembro qual, apenas decidi: vou para Buenos Aires.

Não é que a vontade já não morasse em mim. Não é que eu tivesse dinheiro o suficiente pra isso. Não é que eu fosse viajar nas férias da faculdade/do trabalho. Não era nada disso. Era que, naquele instante, fazia muito sentido dar entrada em uma viagem para Buenos Aires.

Aí eu mandei SMS para minha mãe dizendo: vou para Buenos Aires.
E ela respondeu: Tá bom!

Eu decidi isso assim, numa manhã depressiva durante o trabalho. Naquele dia, avisei minha tia: "Vou para Buenos Aires!". Ela propôs que eu esperasse algum tempo para que ela pudesse ir comigo. "Ok", eu disse. Só viajamos seis ou sete meses após a decisão, mas eu nunca me arrependi de ter seguido esse impulso.

Há um tempo atrás também decidi que faria uma aula experimental de dança do ventre. Eu fui lá, um belo dia, após chegar do trabalho... e fiz. Foi ok. Eu relutei quando cheguei na porta da escola, mas foi ok. Não tomou meu coração, mas foi ok. Algo parecido aconteceu ontem quando fui pesquisar preço de aulas de dança de salão em uma escola que recém descobri, acompanhada por uma amiga, e acabei entrando no-meio-da-aula para -dançar-forró-duas-vezes.

Foi bom. E eis o novo plano para o período de férias, ao menos.

Há muito tempo venho me sentindo um tanto consumida pela rotina. A faculdade acabou (agora sou praticamente recém formada em jornalismo, beijos), mas ainda sinto como se algo fizesse com que eu me arrastasse, como se existisse um ciclo que não consigo fechar.

Infelizmente eu sei bem o que é e infelizmente não é simples de ser concluído, mas a questão é a seguinte: estou deixando que isso tome conta de mim de tal forma que acabo me afastando de quem eu sou, fazendo com que pareça que eu não me conheço tão bem assim. Graças à isso, recuo, reluto, me prendo e não permito que minha mente me estimule a seguir esses impulsos vitais. Graças à isso, insisto em colocar para dormir cada ideia (modéstia a parte, bem boa) que tenho por medo? Cansaço? Desgaste?

Eu deixei com que uma das coisas que atualmente constroem minha rotina me consumisse ao ponto de eu não enxergar mais minha autoestima ou me reconhecer mais. Como disse a um amigo dia desses, é como se eu me sentisse oca. 

Mas absorver tudo isso foi culpa minha. Deixar com que isso me sufocasse, idem. Silenciar meus impulsos, idem. E não digo nada disso em um sentido tenham-piedade-de-mim. Digo mais como: não sigam esse caminho.

Ontem perguntei ao namorado o que ele achava de eu fazer N coisa, referente a um projeto que tenho desde sempre, e a resposta mais pura e simples foi que: apoio tudo que te traga satisfação. Me pareceu bem óbvio que eu deva esse mesmo apoio a mim mesma.

Sou da opinião que nós sempre sabemos o que fazer ou como agir em todas as situações da vida. Só temos medo, receio ou sabe-se lá o que de externalizar isso.

Pois bem. Esse estado de conformidade fajuto não combina comigo. E se não posso mudá-lo agora, posso criar diversas coisas que o sobreponham, certo?

Que os impulsos despertem.


O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". caiof.

2 comentários

  1. "Viver é coisa rara no mundo." E é mesmo. Por isso que precisamos desse tal "impulso vital" para aprendermos a arriscar mais, a seguir em frente e, simplesmente, a sentir pressa em vivenciar coisas novas ou dando oportunidade a reviver momentos bons, porque isso é o que importa: ser feliz.

    Ótimo texto, Fran, e não deixa o medo te calar a vontade!

    Beijão.

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  2. Que os impulsos despertem e amém, Fran.
    Sabe, que desde que comecei a morar sozinha, comecei a ser um pouco assim. Claro que ainda reside em mim aquela menina tímida e medrosa de arriscar, mas ando despertando alguns impulsos assim mim.
    Torço muito para que mais e mais impulsos te despertem. Isso nos faz um bem danado.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.