BEDJ

BEDJ#02: Eu não sei (d)o que (me) vestir

15:40

daqui


I.

Eu sempre fui gorda. Por consequência, sempre tive preguiça de comprar roupas porque tinha (e, vezenquando ainda tenho) pavor de me apaixonar por uma peça de roupa que não me sirva. Isso acontece frequentemente com calças. Tenho a impressão de que a numeração das peças diminui na mesma proporção que eu engordo - e, por consequência, meu tamanho aumenta.

Teve uma vez, por exemplo, que saí chorando do provador porque uma calça não me serviu.

Teve outra vez, por exemplo, que saí chorando do provador porque uma vendedora achou que o tamanho que pedi era "grande demais pra mim" e mesmo assim a calça não serviu.

(Aliás, vendedoras: pelo amor de Deus, parem de discutir com as pessoas o tamanho das roupas que elas pedem para experimentar. Parem.)

Teve todas as vezes, por exemplo, que senti vergonha de ter que responder a (maldita) pergunta das moças dos provadores. Em vez de "e aí, serviu?", por que não perguntam apenas se vou levar? Não é mais fácil? Não é o que interessa?

Por consequência, todas as vezes que me dão (quando peço e quando não peço) sugestão de "roupas que ficariam bem em mim", que vejo blogs de moda de meninas plus size ou não, ou mesmo quando penso que eu poderia me vestir de um jeito que me fizesse sentir melhor, eu fico pior. 

II.

Há alguns dias eu decidi que compraria um livro sobre moda. Comprei "Moda Intuitiva", da Cris Guerra.

Há um trecho onde a autora diz que a gente se veste daquilo que é e do que queremos transmitir que somos.

Bom... Eu nunca sei e provavelmente nunca soube como eu realmente gostaria de me vestir.

Logo...

III.

Eu tenho com a vida uma relação parecida com a que eu tenho com as roupas: não sei o que combina comigo. Eu choro quando acho que queria algo que claramente não me serve ou que não é tão legal assim. De uns tempos pra cá, meu encanto por peças que aparentemente são lindas quando as vejo acaba em minutos. De vez em quando parece que tudo é pequeno pra mim, que nada me pertence e que eu não vou achar algo bom o suficiente - porque obviamente as coisas legais são destinadas para as outras pessoas e eu tenho que me contentar com o "que sobra".

E eu também tenho medo de dizer em voz alta que algo não serve pra mim. Não serve o curso, não serve o passatempo, não serve o trabalho. Eu tenho muito medo porque, se tá servindo pra todo mundo, por que não serviria para mim? Por que eu não deveria me contentar com o que tenho?

E numa dessas crises, eu volto para casa de mãos abanando.

4 comentários

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  2. Vou desde já te dar uma bronca porque eu não estou vendo o BEDJ #03 e nem o #04, e nós já estamos em 4 de junho, quer dizer... Deixando as coisas bem claras: você tem que postar todos. os. dias. do mês, ok? Tipo, 30 postagens, entende?
    Sabe por que você tem que fazer isso? Porque esses posts estão simplesmente lindos e dão gosto de ler! De verdade mesmo. São absolutamente intimistas, quase líricos. Não que o blog todo já não seja sobre ~você~, mas eu achei muito ótimas essas pílulas de franciellen.
    Enfim, sinto que você tenha que enfrentar esses constrangimentos com relação ao vestuário... Só torço para que a tendência seja eles fazerem cada vez mais roupas de todos os tamanhos, para todo o tipo de corpo (já que o formato é tão variado). Até acho que já há até uma tendência nesse sentido, mas não entendo nem acompanho moda, então é só achismo meu mesmo.
    No post primeiro, li muitas verdades. Realmente, sempre há esse dilema de ter que escolher alguma carreira, algum rumo, tão cedo. Mas quem sabe a gente logo não se encontra, não é?
    Beijo, Franny
    (continuo acompanhando à espreita)

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  3. Eu te entendo. Sofro do efeito "sanfona" e é algo realmente complicado. Já fui modelo e larguei o mundo da moda porque além de ser difícil para caramba de se manter, eu gosto de comer a credito fortemente que o mundo da moda não condiz com a realidade. O bom é mesmo não seguir a moda (me sinto uma vilã ao dizer isso HAHAHA)
    Beijos!

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  4. Sabe Fran, eu também sofro um bocado para comprar roupas. Por ser magra demais e pequena demais, é quase impossível encontrar coisas que me sirvam e geralmente só existem roupas que necessitam de barras gigantes ou aquelas hiper cafonas que ninguém quis. Comprar calças e shorts é uma tortura. Também é horrível comprar sutiãs. E sapatos, sapatos são uó. Só me dou bem com as camisetas, porque aprendi a moldá-las de acordo com meu corpo, caso contrário também teria birra. E eu te entendo proque também sempre me falam que a roupa fala muito de mim e eu respondo que metade das minhas roupas é doação dos meus parentes - tão pequenos quanto eu - e a outra metade é de promoções que deram certo, elas basicamente não possuem um código de ordenamento e nào dependem de muita escolha. Elas servem, logo, tento dar um jeito de não ficar muito feia e saio de casa. Ainda assim me sentindo horrível. E estou começando a achar que isso faz parte de todas nós, independente do tamanho e formato dos nossos corpos.
    Abraços!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.