Centro Dandara

O Centro Dandara mete a colher!

18:16

"Uma em cada três mulheres vai sofrer algum tipo de violência física ou sexual ao longo da vida, de acordo com a ONU."



“Lugar de mulher é na cozinha, pilotando fogão e cuidando do marido”. Graças a revolucionárias feministas, expressões como essa são fortemente questionadas. A luta da mulher pelos seus direitos e liberdade iniciou-se na Europa, em 1789. Com o passar de pouco mais de 200 anos, a situação mudou e, agora, elas já podem ser protagonistas da própria história. Contudo, muitas lutas ainda precisam de atenção. E a batalha contra a violência doméstica é uma delas.

Em São José dos Campos, interior de São Paulo, os dados de violência doméstica são alarmantes. Estima-se que em 2012, 1.262 casos foram denunciados. Entre o curto período de janeiro a abril de 2013, segundo a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), foram registrados 1.212 boletins de ocorrência.

Após realizarem as denúncias, as vítimas buscam um meio de retomarem suas vidas. Para isso, foi criado o Centro Dandara, instituição que dá assistência a mulheres que sofreram violência doméstica e cujo nome é uma homenagem a uma mulher negra que lutou no Quilombo dos Palmares.

Sandra Faria, diretora executiva, é uma das fundadoras do local e conta que o Centro Dandara começou com o curso de Promotoras Legais Populares, que capacita mulheres com base em temáticas nos Direitos Humanos, focado no gênero feminino. “Elas são multiplicadoras desses conhecimentos. Em 2001, fundamos o Dandara por conta da demanda das "promotoras"”.

Hoje, a entidade, que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), oferece cursos, como Construção Civil e Autonomia Financeira. Além de palestras, organizam no dia 30 de cada mês uma roda de conversa. “Assistimos mulheres em situação de violência doméstica e familiar, com uma escuta qualificada e orientação psicológica e jurídica”.

O Centro Dandara conta com 18 advogadas e psicólogas voluntárias que promovem as atividades propostas. "Elas chegam até nós em um estado muito fragilizado. Com a assistência, queremos fortalecer a mulher para que ela conquiste seus direitos e autoconfiança."

Atualmente, há 20 mulheres no curso de Construção Civil, patrocinado pela Petrobras e com a qualificação e materiais fornecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Da última turma, oito mulheres já foram contratadas por grandes empreiteiras.

Sandra conta que, aos poucos, as mulheres conseguem se reestruturar. “Uma delas, formada na última turma de pedreiras, já está no mercado de trabalho, conquistou a guarda dos filhos e conseguiu se separar do marido e obter a divisão dos bens. Temos muito orgulho de todas as que passaram por nós”, afirma.

S.L., funcionária pública, não ficou imune à situação de tantas. "A vida inteira meu pai bebeu e bateu na gente. Procurar ajuda não adiantava nada, porque a gente não tinha para onde ir depois que fizesse o BO. Só me livrei da violência dele quando fui trabalhar, mas ainda sofro com o meu irmão", revela.

Apesar de ter conhecido o Centro Dandara recentemente, ela acredita que o lugar pode significar uma chance de ser melhor entendida, além de encontrar nele meios para superar os abusos. “Acho fundamental que as mulheres tenham um abrigo para ficar enquanto refazem suas vidas. Tantas vezes precisei disso".

Sandra afirma ser de extrema importância que situações como as apresentadas sejam estudadas, esclarecidas e discutidas. “A mídia é cruel ao falar sobre a mulher. É importante que as jovens feministas discutam isso e que levem o assunto para a mídia da forma real”, conclui.

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Obs: Eu havia escrito essa pequena matéria para o Prêmio Santander Jovem Jornalista. Não tenho o mesmo alcance que o jornal, mas acredito piamente ser necessário divulgar trabalhos assim.
Obs 2: Link do Centro Dandara para quem quiser conhecer.

2 comentários

  1. Parabéns pelo texto! Muito bem escrito e informativo! É interessante saber os projetos voltados para esse e outros públicos que aos poucos buscam seu espaço e seus direitos! A informação é um dos primeiros passos da conscientização!

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  2. Ótimo, Fran! O trabalho do Centro é mesmo excelente e precisa ser divulgado. As atividades que eles promovem, como a roda de conversas, deve ajudar e muito as mulheres. Matéria primorosa! :)

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.