crônicas e contos

os dias depois

21:10

Toda essa situação foi premeditada. Preparada. Eu sei, pode soar estranho. Eu também não havia me dado conta. Pode confundi-lo. Mas a verdade é que eu já sabia. Eu já sabia o que aconteceria e por isso tinha medo. Porque, ao tomar a decisão, sabia que não teria volta. Que não poderia ter volta. Que não haveria conserto. Quer dizer, quando você passa anos prestando um desserviço a uma alma, como curá-la? Sem fazer ideia das suas confissões (ou sem querer pensar que elas pudessem existir), eu já havia decidido. Eu decidi no dia em que te presenteei com meu livro favorito. Eu decidi em cada palavra escrita na dedicatória. E decidi quando sabia que aquelas páginas nunca lidas seriam a despedida. Querendo ser minha personagem favorita, fui eu mesma. E, se na narrativa ela morre, eu acabei morrendo na sua vida. Então, era essa a resposta. Foi preciso morrer, de alguma forma, para descobrir como sair do labirinto. Foi preciso morrer, de alguma forma, para me ver livre do que me aprisionava. Foi um pedido de socorro, foi uma forma de mostrar que eu precisava sair dali. Foi uma representação de tantas coisas que sequer meu corpo consegue expressar. Foi uma pena que as palavras pensadas chegaram tarde demais.

(daqui)

4 comentários

  1. É isso, Fran. É exatamente isso. Perfeito. :)

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  2. Você ainda precisou (e teve coragem) de dar livrinho. Ultimamente eu mando tomar tomar naquele lugar mesmo, com todas as letras. Acho que é porque perdi todo o lirismo. Que bom que você ainda tem.

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  3. Preciso repetir: Consegue me orgulhar cada vez que nos falamos. Parece que você está numa curva de crescimento exponencial.rs A cada segundo você está ainda mais próxima da mulher que quer ser, na verdade está mais próxima de si mesma. Tenho orgulho de poder de alguma forma acompanhar isso tudo, flor. Com todas as letras (olha o trocadilho rs): "Você está pronta." E sempre esteve só está tomando consciência disso. Te amo. Beijos. <3

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  4. Olha, se esse texto for auto biográfico e sobre o que estou imaginando, só tenho que lhe parabenizar pela decisão e por tê-la feito de maneira tão sutil e doce. Você é sensacional, nunca se esqueça.
    Abraços!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.