.Querido Diário

De papel

20:22

* ATENÇÃO: Esse post pode conter spoilers de Cidades de Papel.
* ATENÇÃO 2: Esse post não é uma resenha

daqui

Há algum tempo, mais do que eu gostaria, tenho me questionado sobre a pessoa que 01 eu sou, que 02 tenho sido para as pessoas e 03 que eu gostaria de ser. Me dou conta, de vez em quando, que raramente essas três variações de mim combinam entre si. É como se eu tivesse, por questões que simplesmente não fazem mais sentido verbalizar, sido uma pessoa para mim e outra bem diferente para todo o resto do mundo - deixando de lado quem eu realmente queria ser - e nem esse post é capaz de unir as três variantes já apresentadas.

Essa semana li "Cidades de Papel", do John Green. Não há um livro dele que supere "Quem é você, Alasca?" pra mim, mas eu preciso confessar que nos últimos tempos (dias? semanas? anos? who cares?) tenho sido um pouco como Margo, só que com menos coragem.

Margo cria aventuras e foge para lembrar de quem ela é e, mais do que isso, se permitir ser quem ela é. Se recusa a voltar para a "antiga vida" porque não quer ser aquela garota de papel novamente. Porque sabe que para ir embora é necessário arrancar tudo de uma vez só, como um band-aid. Porque sabe que há lugares e pessoas que te sugam e que não querem, necessariamente, saber quem você é de verdade.

Eu ainda não sou capaz de lidar com minhas amarras. Ainda crio justificativas que mantém as coisas como estão - porque o novo, o desconhecido, o que a gente não vê, amedronta. Porque ainda é dolorido reconhecer quem são as pessoas que querem que você seja o tipo de pessoa que elas querem. Porque eu ainda não tenho coragem de arrancar o band-aid de uma vez só. E talvez ainda me falte um pouco de ousadia para assumir o que eu escondo no quarto, o que tem de mim nos lugares onde ninguém entra.

Antes que questionem onde está o final genial do texto, aviso: esse não terá conclusão. Não há o que concluir, não é uma estrada a qual eu já tenha acabado de percorrer ou um caminho que eu já tenha encerrado. É só que, quando a gente acha que vê sinais de si mesmo na personagem de uma história que lê, quer ter alguém pra contar.

Ou ninguém.

7 comentários

  1. Eu não sei muito o que dizer, só que: eu entendi (ou acredito que sim) e acho que é isso mesmo. Te dou toda a razão.
    E que seu blog seja sempre esse alguém com quem você pode compartilhar esse tipo de descoberta!
    Bjo, moça

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  2. Eu fiquei com a mesma sensação quando terminei esse livro. Tudo o que a Margo falava batia exatamente com meus pensamentos, mas assim como você e diferente dela, eu não tenho coragem pra me desprender de onde estou, das minhas amarras, pra conseguir ser livre e ser (100%) a pessoa que eu gostaria de ser.

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  3. Que alegria ver que alguém teve a mesma sensação que eu lendo esse livro! Nem sei o que comentar, mas te entendo. E te amo por isso.

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  4. Eu queria ter a coragem da Margo, sério. Acho que essa coisa de saber que cada um nos enxerga de uma forma tem suas vantagens e desvantagens, mas que, no fim, o que dói mesmo é saber que talvez ninguém nos enxergue de verdade.

    E talvez, nem seja preciso ir embora como ela foi. Pode ser que uma mudança na rotina ajude, uma busca pelo que nos dá prazer.

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  5. Não li o livro, mas tomei a iniciativa de ler esse post e me surpreendi com a profundidade do relato. As vezes nos deparamos com esse impasse entre o que realmente somos e aquilo que a sociedade exige que sejamos. Geralmente nos colocamos por de trás de máscaras tentando esconder um ser magnífico, mas que não atende aos padrões ditos como ideais. Isso me entristece... Acredito que devemos ser quem realmente somos, na medida do possível, sempre respeitando o próximo. Aliás, independente do que mostrarmos, sempre terá alguém pra criticar, até mesmo se seguirmos o padrão quadrado e sem graça de uma cultura massificada!!!
    Adorei o post! E garanto que existem vários "ninguém" ouvindo o que tem a dizer e se identificando com o que você diz!!!

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  6. "Porque ainda é dolorido reconhecer quem são as pessoas que querem que você seja o tipo de pessoa que elas querem."Além de dolorido é bem difícil.Por que é difícil a gente querer ver e reconhecer esse outro como ele realmente é, como ele realmente nos enxerga. Cara to simplesmente encantada por Jhon Green, li "ACEDE" e precisava falar sobre isso com alguém, e definitivamente você é a melhor pessoa para isso. :)
    Beijo grande, flor!

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  7. Muito bom seu texto, estou louca para ler esse livro!
    Beijos,
    www.blogdaninha.com

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.