cotidianices

agradecimentos que nunca fiz

18:05

(daqui)

Desde que espalhei bilhetinhos em uns lugares de São Paulo e num Shopping de SJC com uma mensagem bem piegas ("uma coisa maravilhosa vai acontecer na sua vida" - acho que plagiei um nunca do 365 nuncas, rs), tenho ficado com vontade de deixar bilhetinhos de agradecimento para as pessoas que às vezes nem sei o nome.

Pessoas que não sei o nome, mas que, de alguma forma, já salvaram meu dia. Ou pessoas que sei nome e endereço, mas nem sempre consigo demonstrar sua importância para mim.

Dia desses uma amiga começou a desabafar que está cansada das pessoas e que elas perderam a sua humanidade. Que não dizem mais "boa noite" ao motorista do ônibus nem dão um sorrisinho sequer ao porteiro da faculdade. No auge do meu sentimento de solidão, concordo muito com isso, quer dizer... Se várias vezes já "esquecemos" de dizer obrigada a quem (con)vive conosco, quem dirá aos desconhecidos que cruzam nossa vida?

Eu disse a ela que gostaria de saber como agradecer essa gente toda. A moça da cantina da faculdade que sempre sorri quando me vê, praticamente perguntando "Um pão de queijo?" "Sim, moça, um pão de queijo. Pode por num pacotinho, por favor? Obrigada". Será que alguém já disse a ela o quanto ela é simpática e que, apesar de o pão de queijo da banca da calçada ser mais barato, é - muito - bom comprar com alguém que nos recebe com um sorriso? 

O tio que vende brigadeiro (e outros doces igualmente bons) e tem a paciência de me explicar, todo santo dia, qual tem recheio de morango, qual tem recheio de beijinho, qual é o recheio do brigadeiro de castanha e qual é o recheio do brigadeiro de napolitano, só pra, no final das contas, eu pedir um pão de mel. E ele me atende sorrindo. E um dia, quando perguntei se ele tinha troco pra 50, achando que eu queria comprar um doce, ele disse: pode levar e amanhã você me paga. Eu sou uma entre sei lá quantos mil alunos naquele campus e ele confiaria em mim. E talvez em outros tantos. Alguém já o agradeceu por isso?

Os motoristas que me dão passagem na rua (em vez de quase me atropelarem), os funcionários da biblioteca municipal que respondem pacientemente todas as minhas perguntas sobre ser bibliotecário e sobre livros que, naquele momento, nem pretendo levar. Os moços que nos dão informação na faculdade, a tia da pipoca que aceita me vender só a batata e ainda segura o saquinho enquanto eu guardo o troco, perguntando "Quer uma sacolinha?".

Os cobradores de ônibus que me avisam o ponto que preciso descer quando peço. O motorista do ônibus que leva meu pai para o trabalho, quando me dá carona. Os estranhos que me deram carona nessa vida (sim, eu sou dessas) e as pessoas que já me deram informações em São Paulo, ou mais: que já me fizeram companhia até o lugar onde eu precisava ir.

As secretárias dos consultórios, quando marco consultas. Os vendedores das lojas quando são solícitos e agem como se fossem meus amigos. Os atendentes dos lugares onde vou comer. Todos eles, quando sorriem. Será que sabem o quanto sou grata por isso?

Meus pais, minha irmã quando me faz favores, minhas professoras (que recebem e-mails meus o tempo todo), minha terapeuta, minha tia quando me hospeda na sua casa, minha vó me chamando de cabrita, meus amigos quando me mandam algo que os fazem lembrar de mim, quando me ligam ou mandam uma mensagem (ainda que sem assunto algum) ou me tornam parte da família, e até mesmo meu cachorro, quando me acorda.

A enfermeira que me fez sentir mais tranquila quando fiz endoscopia e todos os médicos que respondem pacientemente minhas perguntas estúpidas. Cada comentário, mensagem ou e-mail que recebo sobre o blog (ainda que essa mensagem fique um mês perdida no spam do facebook, mimimi). Cada pessoa (leitor, blogueiro ou escritor) que conheci nessa internet e me acolheu tão bem.

Não sei se todas essas pessoas sentem que cada sorriso e/ou obrigada que digo a elas não é só mais um obrigada mecânico. É sempre, sempre real, embora eu quisesse aprender a demonstrar melhor isso porque acho que, de vez em quando, tudo que todo mundo precisa é se sentir importante, se sentir querido, se sentir válido. E tenho certeza que todos merecem ter suas qualidades reconhecidas.

Até mesmo aqueles dos quais o rosto não lembro mais...

2 comentários

  1. Lindo esse texto.
    Acho que adicionarei o seu blog no meu "leio" :')

    Beijos.

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  2. Que maravilha de texto guria *-* Sabe, eu penso exatamente assim! Costumo observar as pessoas e seus comportamentos e infelizmente a maioria não compreende assim. Mas ainda tem aqueles que dão valor a esses pequenos detalhes, é a coisa mais linda né!? É tão bom ver que as pessoas reconhecem o que a gente faz, a gente precisa saber acolher a elas com carinho também (:
    Parabéns pelo post ♥

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.