autoconhecimento

E quando a gente quer, a gente fica

16:44


Quem costuma acompanhar o blog deve ter percebido que, além da ausência de post há mais de um mês, uma das últimas coisas que escrevi levava como título a descrição de algo que eu buscava: "terapia". É engraçado que, dos escritores atuais, os textos que mais me chamam atenção são aqueles que fazem menção a um terapeuta, provavelmente por eu sempre ter tido interesse e curiosidade em fazer terapia. Só que eu nunca pensei em quanto eu precisaria dela.

Passei boa parte desse último ano completamente desanimada. Eu desistia de fazer o que quer que fosse porque "não iria dar certo mesmo". Eu tinha mil desculpas na ponta da língua para não sair de casa. Às vezes só de pensar nisso eu me sentia mal. Tinha crises de ansiedade, palpitação e podia jurar que alguma coisa ruim ia acontecer. Nada muito grave (não cheguei a desenvolver depressão, síndrome do pânico nem coisas do tipo, ainda bem), mas foi o suficiente para eu sequer me reconhecer. Eu nunca fui assim, sempre fui a mais falante do grupo e a que quer fazer mil coisas.

Então, um dia, eu ouvi minha mãe e algumas amigas repetirem as mesmas coisas. Que aquela não era eu e quem sabe fosse bom consultar um psicólogo? Por que não? Fiz a coisa mais babaca que poderia fazer: pesquisei todos os nomes de psicólogos do meu convênio e escolhi com quem marcaria uma consulta pelo nome que pareceu mais simpático.

E acertei. Minha psicóloga é tão ótima que a recomendo para todo mundo. E ela é divertida. Acho que a questão é achar alguém com quem você se identifique e se sinta a vontade, por vontade própria (basicamente um relacionamento).

Tenho sessões desde novembro, eu acho, e quer saber? A segunda melhor sensação que tive na vida foi entrar no consultório e ouvir que eu estava diferente, que eu parecia melhor, que eu estava mudada. E depois ouvir isso de uma amiga. E de outra. E da minha irmã, dizendo: não sei se você tá diferente, mas já reparou que a gente não briga mais?

A primeira foi quando eu me senti diferente. Quando eu me senti feliz e me peguei pensando que, poxa vida, tem tanta esperança pra mim e tanta coisa que eu sei que conseguirei fazer.

Ainda estou engatinhando, mas já tenho esboço de projetos para esse ano, por exemplo. Não digo mais que "queria fazer", digo que farei. Para alguém que tinha ideias que não passavam de e-mails, isso é um avanço e tanto. Também tenho aprendido a lidar melhor comigo, a assumir meus pontos fracos e fortes, a conduzir minhas expectativas (essa é a melhor parte de todas!) para o foco certo (ou seja, para mim!), a não ter medo de dizer o que estou sentindo, a saber lidar melhor com o que está ao meu redor.

Melhor gif que vi hoje (daqui)


Quando você começa a busca pelo autoconhecimento a situação é um pouco desesperadora. Comigo, algumas coisas pareciam óbvias demais e outras, estúpidas demais. E a cada vez que eu me pegava pensando sobre como eu lidaria com algo, morria de medo. E se eu não conseguir? E se eu não for capaz nem de cuidar da minha vida? Mas a coisa acontece tão naturalmente (ainda que obviamente exija esforços) que quando você menos perceber, num belo dia, vai acordar feliz. E no dia seguinte. E no outro.

Fui descobrindo, aos poucos, que eu tenho esperanças e que posso fazer muita coisa por mim mesma. Eu aprendi que posso contar com ajuda de outras pessoas, sim, mas apenas eu poderei decidir como resolver meus problemas. E é preciso muita coragem para "dar a cara a tapa" assim. É preciso muita vontade de se descobrir/se encontrar novamente. Mas não é impossível. É totalmente possível (e está ao alcance dos nossos dedos) construir nossa autoconfiança, autoestima e amor próprio. Não é um processo rápido, mas vale muito a pena.

Mas eu tinha que ficar contente. E quando você quer, você fica
{Onde andará Dulce Veiga?; Caio F. Abreu}

7 comentários

  1. Frequentar um consultório de um psicólogo é realmente uma experiência muito boa. Infelizmente não frequentei muito tempo, pois o que frequentava era vinculado à escola e eu tive transferência, porém nossa autoestima agradece e - fazendo alusão aquele livro horrível, mas super engraçado, do 50 tons de cinza - nossas deusas interiores dão pulinhos.
    HAHAHAHA
    Adorei o gif.

    Kissu ;*

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  2. Estava sentindo falta de seus posts. É preciso ter coragem para um texto tão sincero. Estou orgulhosa, de tudo!

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  3. Fran, fico muito feliz em saber do seu progresso. Já tivemos a oportunidade de conversar sobre o assunto e quero reafirmar aqui que acredito muitíssimo em você. Desejo tudo de bom, minha querida Fran!!!

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  4. Nem me fale de terapia... Eu preciso bastante de ajuda com a autoestima, mas não adianta, já frequentei milhares de profissionais e nunca rolou esse relacionamento. Penso que eu tenho que ser minha própria terapeuta. Anyway, que bom que tá dando certo pra ti!

    Quanto tempo que eu não venho aqui, tá lindo!

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  5. Terapia pode fazer maravilhas!
    Eu amava minha terapeuta, mas ai comecei a me sentir melhor (esse mesmo sentimento que você descreveu) e recebi alta. Eu sinto falta porque estar nesse consultória toda semana me ajudava a ver coisas que eu, sozinha, não conseguia ver e que depois de alguns meses "solta", volto a não ver.

    A gente só "se segue" pelo twitter, mas como você é "amigaça" da Vanessa, sei que merece coisas boas porque só pode ser alguém muito bacana mesmo, né! Então tudo de bom pra você! ^_^

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  6. Adorei seu blog e o texto. Já fiz terapia e queria tanto voltar. Muita coisa melhorou, mudou, evoluiu, mas as vezes penso que seria uma nova ajuda para a vida atual... um dia eu volto, mesmo se for pra fazer charme.

    Beijos
    Pâmela Rodrigues
    Blog: Liste & Realize
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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.