Feminismo

Isso não é "sobre o que eles dizem"

12:56




Um dos meus assuntos mais frequentes com amigos ou com minha professora da faculdade (duas delas, na verdade) é sobre o quanto tenho vontade de me contorcer quando pego uma "revista feminina" pra ler. Porque verdade seja dita, se eu já não me sentia parte do público alvo de revistas teens quando era, de fato, "teen", quem dirá agora. E as revistas femininas, bom... Eu não me sinto parte das matérias delas. Sabe? N quilos mais magra e sexy, 500 dicas de como satisfazer seu homem na cama, como equilibrar carreira profissional com o "trabalho" de mãe e esposa (porque raios eu tenho que ser mãe e esposa?). Como se comportar em lugar X, Y e Z. Como fazer isso ou aquilo. Como ser diva.

Por só ver regras e regras por aí, também cansei de ler blogs/sites de relacionamentos.

Vamos as constatações: Eu não sou diva. Não sou mãe, não sou esposa e não pretendo ser dentro dos próximos 10 anos. Eu também não sou sexy, mas sou bonitinha. Eu quero mesmo é saber como me satisfazer e não só sexualmente falando. 

Eu não estou no meu peso ideal, segundo a nutricionista. E por uma fase da vida que tive, sei que se chegasse ao meu "padrão" já começaria a me sentir feia, com olhos fundos e ossos a mostra demais. Não combina comigo. 

Há dois meses eu cansei de me olhar no espelho e ver "o quanto eu engordei". Me sentia mal, mal mesmo. Procurei uma nutricionista e achei que teria um milagre, mas não tive. No primeiro mês por ter sido super relaxada e no segundo, apesar de ter me esforçado mais, simplesmente não deu. Não sei bem o que "não deu", mas se tem algo que eu posso dizer é que nesse um mês eu me senti mal pelo fato de não ter conseguido resultado do que pelo fato de estar, tecnicamente, gorda.

A Vana Medeiros escreveu um texto para o Casal Sem Vergonha simplesmente incrível (obrigada Mayara por ter me mostrado isso). Eu me identifiquei bastante, mesmo. Não tenho nenhum problema de saúde  que pudesse ser causado devido ao sobrepeso (não tenho mesmo, e fiz um exame de sangue geral no último dia 30). A parte mais sensacional de tudo, pra mim, foi sobre algo que ela disse nos comentários:

Gente, a questão não é saúde e o texto não é sobre isso. É claro - é óbvio e transparente - que cada um deve cuidar da sua saúde. O problema é que muitas mulheres se olham no espelho e se odeiam, só por estarem acima do peso. Essas mulheres não olham e pensam: Ó meus deus, como deve estar minha saúde hoje? Elas pensam que estão feias, detestáveis, que não podem ser amadas e desejadas. Meu texto é só uma tentativa de falar para essas mulheres que não existe vida possível quando você deixa os outros ditarem quem você é e que tipo de imagem tem de você mesmo. Criticar a auto-imagem do outro é coisa de gente infeliz e sem muito o que fazer. - (Vana).

Havia muito tempo que eu não lia o site em questão, mas não pude evitar ler, reler, me identificar e espalhar o texto. Da mesma forma, há muito tempo eu não procurava uma revista voltada para o público feminino nem para dar "aquela olhadinha"

Não lembro como conheci a Revista TPM, além do fato de que foi no facebook. Assim que a conheci descobri o "Manifesto TPM". Imagens ótimas que fazem com que a mulher questione todo tipo de regra que seja imposta a ela. Ao menos foi assim que eu me senti. Depois comecei a acompanhar as matérias pelo site (porque não achei a revista de jeito nenhum aqui na minha cidade, #chatiada) e finalmente voltei a encontrar um pouco de sentido nesse tal universo feminino. Finalmente encontrei matérias que fazem sentido, que falam de mulheres de verdade. Que alívio!

Você, porém, sabe bem. Trinta e oito é o número mágico que representa o corpo perfeito. Corpo perfeito, você também sabe bem, é aquele que não é o seu – que sempre será mais magro ou mais gordo do que o ideal, nem que seja na panturrilha.
Anota aí: “O corpo ideal é irreal”, como enfatiza a psicanalista inglesa Susie Orbach na reportagem “Eu não visto 38. E daí?”, a partir da página 46.
Aliás, a partir de 46 você entra no terreno dos “tamanhos especiais”.
E, antes que eu me esqueça, “plus size” é o escambau.
(Editorial Revista TPM - Tamanho Único)

O trecho do editorial da TPM que mais me deixou boquiaberta, porém, foi esse:

Falando em dieta, só mais quatro pequenas porções de informação para encerrar a conversa:
1) A ONU risca em 1.800 calorias/dia a linha abaixo da qual um ser humano deve ser oficialmente considerado faminto.
2) As mulheres mais miseráveis dos países mais desgraçados do planeta, aqueles que só chegam às manchetes depois de pelo menos 10 mil mortos, ingerem em média 1.400 calorias por dia.
3) A dieta do momento, o “macarrão milagroso” (você leu certo, mas o macarrão em questão é um tipo absolutamente insosso, com 97% de água em sua composição), propõe apenas 1.200 calorias por dia.
4) Se dieta funcionasse, só seria necessário fazer uma vez. E assim a indústria do emagrecimento não movimentaria US$ 60 bilhões por ano. Isso apenas nos Estados Unidos. Mas a gente chega lá.
(Editorial Revista TPM - Tamanho Único)

Eu queria falar disso há muito tempo. Do assunto, das revistas, das imposições. De quantas vezes eu ouvi/li absurdos por aí e pouco tempo depois tinha ideias sobre meu corpo (e sobre mim) que ainda me assustam. De como, por se sentirem pressionadas talvez, muitas meninas acabam doentes ou desenvolvendo um transtorno alimentar (e eu descobri mais gente assim muito próxima de mim do que eu gostaria). De como tudo parece tão confuso e tão errado às vezes.

Sim, temos que cuidar de nossa saúde da mesma forma que todos nós deveríamos praticar algum exercício físico (eu, inclusive). Isso para homens e mulheres, afinal de conta, não é só um ou outro que pode ficar doente, certo? Mas com o meu corpo quem tem que ficar satisfeita sou eu. Não preciso ficar "bonita pra ele", ou "ser mais bonita que ela" ou sei lá o quê. Eu sei que cada um faz com sua vida o que bem entender. Mas façam unicamente por vocês, por favor. Seu corpo e sua saúde é sobre a forma que você se vê, não sobre o que "eles" dizem (e, afinal de contas, quem são "eles" para dizerem alguma coisa?)


Quanto a Revista TPM, a Vana Medeiros e outras pessoas (amigos, inclusive: bjs menines) que sempre me fazem abrir os olhos e me ensinam a enxergar meu próprio valor: muito obrigada. Por me fazerem acreditar no mundo, nas pessoas e em boas ideias. E por me fazerem acreditar em mim.

22 comentários

  1. Como sempre, um post muito bom, "irmã". Adorei!

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  2. Então Fran, já quando você começou a falar sobre 'pesos e medidas' ideias e pá, eu senti que você diria em algum momento que nós precisamos nos aceitar, nos amar e nos sentir maravilhosas dentro das nossas roupas acima do 38 (aliás, 38 é muito pequeno, gente! a pessoa dentro de um 38 é magrela, também não quero isso: podia ser 40, né?), mas o problema e a parte difícil é realmente essa: não se achar horrível de tão feia por ser gordinha. Esse é o calo. É aí que dói. E eu particularmente, não sei como curar isso e começar a fazer parte das gordinhas maravilhosas que possuem auto estima.
    =~~

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  3. Eu não gosto de imposições, regrinhas femininas, machismo... Nada dessas coisas. Por isso, não me interesso por revistas que seriam p/minha idade. Eu acho tudo tão idiota. Não que eu queira achar idiota, eu simplesmente acho. Parece que não é pra mim.
    Essa revista TPM, eu nunca li. Achei super interessante os trechos que compartilhou. Parece muito bacana.


    Aah, eu concordo contigo quando diz que devemos fazer unicamente por nós. Para 'nos' satisfazer, para 'nos' sentir melhor. Por nós mesmos e não pelos outros.

    Ótimo post, Fran!
    Beijos:*

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  4. É isso ai Dona Fran xD
    Cada mulher tem seu jeito, cada mulher tem seu corpo e o que interessa mesmo é a saúde e o bem-estar de cada uma.

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    1. AaAAAaAA e o humor lógico xD
      Sorriam, não existe nada mais bonito do que um sorriso feminino!

      Não deixem que nada tirem seu humor, sua alegria!

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  5. Muito bom, Fran. As revistas femininas não são as únicas vilãs da história. Toda essa ditadura em que vivemos é capaz de fazer - e faz - a cabeça de milhares de mulheres e até homens, deixando-os cientes de como deveriam mudar em prol de uma melhora muitas vezes desnecessária. Tudo isso é uma consequência do capitalismo. A busca eterna pelo aperfeiçoamento é o que nos incentiva a adquirir mais e mais coisas que não precisamos. O que isso acarreta na sociedade é mais grave do que se pode imaginar. Vejamos, para comprovar, a doença considerada o mal do século: a depressão. Faz sentido.

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  6. Eu AMO a TPM, assino há 2 anos, é a única revista feminina que cheguei a abrir pra ver, e adorei. É realmente diferente de tudo!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Só acho que a foto do "não visto tamanho 38, e dai?" deveria ser menos 38 do que ela parece ser, se é que me entende.rs
    Concordo com tudo, mesmo.
    Completo dizendo que quando as pessoas começarem a olhar para si mesma com seus próprios olhos, e começarem a pensar sobre si mesmas com suas próprias ideias, valores, princípios.Pensarem no que realmente elas querem para elas mesmas.Eu sinceramente não me conformo com essas pessoas que ficam por ai apontando os outros como se sempre faltasse algo, como se o ideal(que é dito e reafirmado por elas) fosse algo real e concreto para todos.E pior que há tantas meninas/mulheres/homens e hoje em dia para piorar até CRIANÇAS desenvolvem disturbios e outros problemas psicológicos por deixarem outras pessoas que não se preocupam com eles e muitas vezs nem os CONEHCEM dizerem coisas sobre eles como se fosse verdade, e acabam acreditando nisso.É triste.De fato precisa haver um preocupação enorme com "ensinar" as pessoas a se olharem com os próprios olhos, e só ouvir de mente aberta quem quiser realmente o SEU bem, e mesmo assim não será garantia de nada, afinal ninguém é perfeito.Quando as pessoas forem mais fortes psicologicamente, e mais seguras de quem sãoe aonde querem chegar mais teremos consciência de nossa voz e poder.Não dirão mais o que devemos fazer pois a maioria não os ouviriam mais, e a única saída seriam transformar em troca de experiência o que hoje é visto como regra.

    Escrevi de mais.oO
    Desculpa.:X
    Sempre me enchendo de orgulho, hein?
    É boneca mas pensa por si mesma.rs
    ;)
    Te amo.
    Beijão, flor.

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  9. Ótimo!! Adorei o post! *-*
    Concordo com tudo, com certeza, já está mais do que na hora da gente parar de se preocupar com o que pensam de nós, ainda mais se tratando do nosso corpo. Saúde é o que importa sim, mas deixar de ter uma vida normal pra seguir os padrões.. nada disso! Eu já cansei dessa história, desse pessoal que não tem o que fazer e gosta de criticar os outros. Estou muito bem com o número 40, obrigada, rs. E acho também que mais magra do que isso, fico estranha, os ossos aparecendo, haha. Temos que nos aceitar, e apenas mudar por nós, porquê realmente queremos.
    Eu adoro a TPM, minha tia assina, não perco uma =)
    É isso aí, Fran! Você é linda do seu jeito e ninguém muda isso ;)
    Beijão, querida!!

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  10. Olá, parabéns pelo seu blog!
    Se você puder, visite este blog:
    http://morgannascimento.blogspot.com.br/
    Obrigado pela atenção

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  11. E como não ler essas revistas de moda e corpo sem se sentir patética ? Segui a revistaTPM no twitter e acho que já é hora das mulheres se encararem com consciência e serem um pouco mais,sei lá,sólidas e "autoconhecedoras" . O meu problema é o oposto do seu, mas mesmo com 16 anos não ocuparia meu tempo lendo bobagens de revistas Claúdia, Elle,boaforma etc , sentiria muita vergonha de mim... E também não confio muito em revistas de saúde com um novo ingrediente milagroso. Além de gostar muito de esportes, eles agem sobre algo que futuramente pode preocupar muitos: o coração. Corpo é realmente importante, mas eu determino como ele é belo : se com quilinhos a mais ou a menos

    Beijo

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  12. Todos os abraços do mundo por este texto. E por você ser quem você é!
    <3

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  13. Que texto fantástico. Tão fantástico que eu nem sei direito o que dizer, além de... MEU DEUS GURIA TU É MUITO ESPERTA, DIVA, LINDA E MARAVILHOSA. Não diga que você não é diva. Você é. DIVISSIMA. Ai que orgulho! <3
    Abraços!

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  14. Que isso heim dona jornalista rs. Texto completamente bem construído e adorei a mensagem contido nele. Completamente certa! Você sabe que eu tenho meu "probleminha" de aceitar meu corpo rs, já falamos muito sobre isso, mas estou aprendendo a lidar com isso e foi muito bom ler sobre isso aqui.

    Bem... Voltei com o blog e vou tentar realmente não parar. :) Obrigada por tudo! <3
    Beijos

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  15. Não lembro a última vez que eu li uma revista feminina. Não sei se foi falta de tempo ou interesse.
    Mas pessoas ficam muito preocupadas com o próprio corpo, é aquela história: a grana do vizinho é sempre mais bonita. Eu acho que não, a minha é bem bonita também! rs Pode ter até um cantinho meio caidinho, mas até ele faz o diferencial.
    O negócio é se amar.
    Gostei do post!
    Beeijo e boa semana!

    meusantidotos.blogspot.com.br

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  16. Sou editora do site da Tpm e fazendo uma pesquisa sobre a revista caí aqui nesse post. Fiquei muito feliz por você ter se identificado e gostado da proposta da revista. Convido você e as leitoras curtirem nossa fanpage http://www.facebook.com/revistatpm e acompanharem tb a revista online http://revistatpm.uol.com.br ;-)

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  17. Eu nunca li a Revista TPM. Mas agora fiquei interessada. Parei de ler revistas femininas há uns 2 anos. Já não me identificava tanto. Não sabia mais para qual mulher elas estavam escrevendo. Nem sempre parecia para uma mulher real e sim para a mulher que a mídia queria moldar.
    Estou uns quilinhos acima do peso, mas sei que não é o fim do mundo (pelo menos não do "meu" mundo).

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  18. Você já é a terceira pessoa que leio e que trata desse assunto mega interessante que foi a iniciativa da revista TPM. Eu também não me encaixo no perfil de muito da indústria de entretenimento. Mas sabe que eu já me aprendi a lidar com isso? Hoje em dia, ignoro. Caso eu pare para reclamar não viverei a minha vida, e o pior é que todo esse visual harmônico de Mulher-Maravilha nos tempos modernos não termina e nem parece ter jeito.
    É um caos sermos resumidas como as que querem apenas sexo, "direitos iguais no mercado de trabalho", cuidar dos filhos e sabe lá Deus o quê. Isso só demonstra a erroneidade desses veículos - e a minha vontade de parar e dizer: "ei! Vocês estão fazendo isso errado!"
    Abraços.

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  19. Fran,é o que eu sempre falo pr'as minhas irmãs(aliás,sou a mais magra delas): não deveriam se preocupar com peso. Cara,se sentir bem com o seu próprio corpo é o que conta.Voltando a mim (-q),sou magra,e sempre fui, e tive complexo por conta disso na minha adolescência - até me aceitar depois de adulta. Quem sabe se está bem ou não somos nós. O problema em si são essas ideias escrotas e retrógradas da sociedade (claro que a obesidade é perigosa, mas não chegamos nesse ponto.Estou falando de "cheinhas").
    @blogabs | Blog Abs | Fanpage

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  20. homem gosta de gostosa, de gordinha e não d eosso
    essas revistas so ensinam as mulheres em como fazer tudo para agradar homens em pleno 2012

    ah va

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  21. Eu sou bem nova ainda e já não me sinto parte dos adolescentes. Eu nem consigo ir numa balada sem ficar irritada. AS coisas estão cada vez mais superficiais. Quem liga se você é gordinha ou não? Acho que a gente só tem que se preocupar com isso quando começa a afetar nossa saúde. Tenho muita amiga que se importa tanto com isso que tem medo de sair de casa, se relacionar com alguém! Acho o cúmulo alguém fazer isso! O mundo está se importando tanto com a aparência que está esquecendo da essência. Do que a gente é, do que a gente pode passar de bom para os outros. Hoje, preferem aquelas que saem por ai falando mal das gordinhas, do que as gordinhas que saem por ai passando alegria e simpatia.

    Beijos,
    Thainá :)

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.