.Resenha

Alguns infinitos são maiores...

21:28

daqui.

Comprei A Culpa é das Estrelas sábado e o li inteiro no domingo. Eu não queria ler, porque sabia que ia chorar. Óbvio que eu sabia, dada as circustâncias e pequeninos acontecimentos que se aproximavam de coisas que já vivi, senti ou pensei. Mas queria acabar logo com isso porque estava morrendo de curiosidade e ansiedade.

Eu só sei dizer que amei o livro e que acho que todo mundo deveria ler. Assim como "Quem é você, Alasca?", ele não fala de "um casinho de amor adolescente". Ele fala sobre a vida, de todas as formas. De tudo que temos que enfrentar, das montanhas russas que só sobem e também das que descem. Fala sobre infinitos, sobre medos, sobre sonhos, sobre lutas, sobre qualquer coisa que poderia ter acontecido com você ou comigo. E exatamente por isso ele mexeu comigo em dobro: porque eu me senti bem próxima de algumas situações, porque eu passei por momentos onde me senti como Hazel ou Gus.

Hazel Grace e Gus são adolescentes em estágio terminal e se conhecem num grupo sem sal e sem açúcar de apoio aos portadores de câncer. Ambos acrescentam uma boa pitada de sarcasmo na história, bem como uma boa dose de literatura. Não é o tipo de enredo que te faz morrer de pena o livro todo. Ao menos comigo, tudo isso só serviu para me mostrar que existe sim a dor, que existe sim momentos de tristeza. Mas que são vivências necessárias.

A obra toda te faz ver a vida de uma outra forma. O amor, os relacionamentos, a realização dos sonhos (como quando Gus "doa" seu Desejo para Hazel e aí eles viajam até a Holanda atrás de Van Hounter, escritor favorito de Hazel até então, atrás de respostas sobre sua única obra). 

Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre o 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.

Quero assumir que não sei escrever sobre A Culpa é das Estrelas. Que não sei colocar em palavras o quão awesome esse livro foi pra mim. Que não posso descrever que ele me deu, de certa forma, forças. Que ele me fez entender. Simplesmente entender, o que quer que seja. Que a vida pode ser uma montanha russa que só vai pra cima. Que "ok" pode ser uma forma de flertar (nunca mais verei essa palavrinha de outra forma). Que alguns infinitos são maiores que outros (mas não menos especiais). Que todos nós podemos ser uma granada. Que.

Se é que eu posso dar uma sugestão, eis: leiam. Apenas leiam.

PS: Se um cara te chama para assistir V de Vingança, se lê suas indicações de livros e te indica obras melhores ainda, se te incentiva com seus sonhos e suas dúvidas, tenha a certeza de que ele é tão especial quanto o Gus foi (e case-se com ele, hahaha ao menos essa vai ser minha nova forma de seleção de amores nessa vida).

daqui.
E tudo isso é um efeito colateral de se estar morrendo. Ou vivendo.

6 comentários

  1. Okay, eu não sabia que sua ansiedade era tanta... como você leu o livro em um dia só??? ._.
    Tudo bem, o livro é fantástico mesmo... E é um dos livros que eu quero comprar também, porque não basta ler uma vez, temos que tê-lo em casa - disponível em uma estante para os momentos certos. Aliás, com certeza todo mundo deveria lê-lo.
    Eu não sei até que ponto você se identificou com a história, mas, seja o quanto for, é impossível não se emocionar com o relacionamento dos dois. E quanto ao final? Lindo, não? Espero que não tenha se decepcionado.
    Verdade que a Hazel demonstra ser capaz de quase tudo, às vezes você até esquece da condição dela (e definitivamente ela não parece ser daquelas que "vive para o câncer")... contudo, eu sentia pena dela, sim. Talvez não devesse, mas eu queria muito que ela pudesse, por exemplo, subir alguns lances de escada sem quase perder a consciência ou poder fazer planos para daqui a 50, 60 anos. Ainda que ela seja só um personagem (como a Anna do Van Houten também era), isso te faz pensar de que forma nós devemos enxergar pessoas reais na mesma condição que ela, se é que deve haver alguma forma diferenciada - talvez não. Veja você, o livro não me deu respostas, mas me fez rever alguns conceitos sobre os quais não estou muito seguro...
    Enfim, adorei sua resenha e a forma com que você tentou mostrar a importância dele pra você - mesmo você achando que não conseguiria falar sobre. Uma pena John Green não poder ele mesmo ler seu texto.
    Beijos

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  2. A forma como você descreveu a importância que o livro teve para você, acabou me fazendo desejar ele.
    Fiquei curiosa e ansiosa ao mesmo tempo. Eu não só quero ler, como preciso ler.
    Obrigado, por me apresentá-lo.

    Um beijo:*

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  3. Eu nunca li uma resenha sobre o livro A culpa é das estrelas tão bem elaborada quanto a sua. Eu já li o livro e me emocionei muito, e agora eu sempre associo o O.K à flertes, rsrsrs....

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  4. Eles vão para Amsterdã e n para Holanda ok?

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  5. Mds! Querido anônimo, Amsterdã fica na Holanda, o.k ?

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.