Entretenimento

Um dia ouvi a Lua

17:28

Foto de Aninha Quina. Fonte.


Um dia Ouvi a Lua é o nome de uma peça teatral que assisti dia 14 desse mês. O teatro conta a história de amor de três mulheres, cada uma com seu final (nem sempre feliz). É uma peça linda (e, se um dia tiverem a oportunidade de assistir, caso ela vá para a cidade de vocês, assistam!) que fala sobre lembranças, sobre a vida e sobre como cada um pode contar a mesma história de um jeito. No folheto da peça vieram algumas citações (postarei todas na página do blog depois), mas a que mais me emociona, a que mais me descreve, é:

"Somos gente que gosta de contar histórias. Histórias de mulheres que poderiam ser minha mãe, minha vó, uma tia distante. histórias de coisas que talvez não existam mais. Mas que estão vivas dentro de cada um de nós" - Wallace Puosso

Eu também sou gente que gosta de contar histórias, tanto é que uma pequena parte desse gostar se transformou em quase quatro anos de blog. Só que mais que ser gente que gosta de contar história, sou gente que gosta de ouvir história. De qualquer tipo, de qualquer pessoa. Inventada ou não. Daquilo que você leu na internet, no livro ou do que aconteceu com um amigo do seu amigo. Ou com você.

Não importa: conte-me uma história e ganhe meu afeto e minha amizade. Envolva-me com uma história e faça meus olhos brilharem que nem criança fica na frente daquele brinquedo que ela sempre quis. Deve ter sido por isso que morri de vontade de estar no lugar da moça que ouvia (nossas) histórias de amor. 

Por gostar tanto de histórias, às vezes (quase sempre), gosto de criar as minhas. Sabe? Aquela coisa de ver uma pessoa na rua que, independente do motivo, te chamou a atenção e imaginar como será sua vida, quais serão seus sonhos ou apenas que nome combina com ela. Pra onde ela está indo e de onde saiu. Quais traumas ela carrega? Quais suas metas de vida? 

É assim quando eu vou pra São Paulo ou até o centro da cidade para encontrar um amigo. É assim quando ando de metrô ou de ônibus. Ou a pé! É assim quando stalkeio o facebook de desconhecidos. É assim quando ando apressadamente de loja em loja, mas (sem querer, claro) escuto trechos das conversas dos desconhecidos. O que eles queriam dizer com aquilo? O que estavam sentindo para falarem naquele tom? Também é assim quando vejo alguém chorando ou gargalhando.

Semana passada comprei num sebo um livro pra uma amiga, porém só dia desses o abri para escrever minha dedicatória e foi aí que notei alguns rabiscos de lápis, nomes ou números apagados, provavelmente. O livro nem é meu, mas eu preferia que os registros fossem mantidos ali. Só para imaginar a história (por trás) do livro, por onde ele passou e quais os tipos de pessoa o haviam lido. É como estar numa feira de carros antigos (acontece com frequência por aqui): quem são seus donos e quais suas histórias? O que os levaram a escolher aquele modelo?

Não sei se existe mais gente assim por aí e se já fui alvo desses imaginadores. Sei que gosto de histórias. Que gosto de tentar adivinhar o mistério que existe dentro de cada um. É uma coisa tão ingênua e infantil, mas pra mim é mágico. Eu amo "A Menina que Roubava Livros", onde nossa narradora confessa que os seres humanos a assombram. Peço desculpas por discordar dela tão prontamente. Os seres humanos (e o mundo) me encantam. Em sua loucura ou em sua lucidez.


*Este post foi inspirado nesse post. Só porque partilhamos da mesma esquisitice.

7 comentários

  1. Que texto mais amor, Franzi! <3
    Eu te entendo completamente e você sabe! HASUIDHSIUA

    Adorei!

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  2. Sou apaixonada por teatro, arte da qual fui aluna por cinco anos. Gosto muito de assistir, mas infelizmente minha cidade (pequeeena) não é um, digamos, paradeiro obrigatório das peças. Mas sempre que há alguma, procuro poder ir. Encantadores as personagens desta peça, foi a impressão que tive.

    Beijos!

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  3. Eu já fiz uma ode às histórias, então nem preciso dizer que me encantei com esse post e fiquei com muita vontade de ver essa peça (coisa que vai ser difícil porque na minha cidade não tem teatro). O trecho que você citou aí em cima é bem o tipo de coisa que eu diria pra, sei lá, humanidade rs. É o tipo de coisa que eu sinto <3
    Eu também sou dessas que fica imaginando histórias pras/das pessoas e que adora quando os livros comprados em sebos vem rabiscados (o meu A Irmandade das Calças Viajantes é assim. E a antiga dona também era Ana ^^) justamente pra tentar adivinhar/inventar uma história pro antigo dono. Tipo, compre um leve dois rs. Eu acredito que além de mágico, isso também nos torna mais sensíveis e criativos hahaha. E, na boa, melhora o humor que é uma beleza. Pelo menos o meu.

    (Os seres humanos me assombram no sentido de me maravilhar e me deixar com medo (quase) ao mesmo tempo rs)

    Beijo, minhapestequeridona <3

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  4. SÓ PORQUE EU IA CITAR O POST DA GABS, eu li a linhazinha ali em itálico u.u
    meh hahahahahahahahahaha
    achei muito amor mesmo esse post sis *--* tambem sou dessas que ve uma pessoa curiosa na rua e fica inventando mil e uma presepadas que acontecem com ela e etc e tal, muito delicia, mesmo *-*

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  5. Ah, Fran, também sou dessas. Ando por aí criando histórias, nem tanto com os outros, mais comigo mesma. Também sou bem capaz de me ficar numa pessoa e imaginar tudo o que se passa por ali. Acho que é bem esse tipo de coisa que deixa a vida mais leve, né não? :)

    Beijo

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  6. Os seres humanos e o mundo também me encantam, e acho que essa é a única forma de apesar de tanta loucura,continuar amando e acreditando nele e em que o habita. E nessa narração interna, a gente acaba guardando aqueles desconhecidos íntimos que nos inspiram para uma boa história.

    beijo

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  7. quem não gosta de histórias? é bom ler, ouvir,e assistir.
    @blogabs || Blog Abs || Fanpage

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.