Pitacos

Eu sei que sou melhor que você.

15:21

(daqui)

Já devia ter falado sobre isso há um tempo, mas felizmente ou não, esse assunto sempre está em alta. E não falo disso por que sou (pseudo) politicamente correta. Falo porque eu simplesmente não vejo sentido nisso.

Há um tempo li no twitter uma frase que dizia, basicamente, que covarde não é quem pensa em suicídio (ou que desenvolvem problemas como automutilação, transtornos e etc). Covarde é a pressão que a sociedade exerce sobre uma pessoa que a faz se sentir tão mal a ponto de pensar nisso. Dias depois me peguei repetindo essa ideia para minha professora orientadora em um projeto que estou desenvolvendo. Traquinagens do destino me apresentaram algumas histórias tão absurdamente sem fundamentos que me fez, sinceramente, questionar a inteligência humana.

Uma delas foi a de uma amiga que possui um blog literário, acusada de ser a pessoa por trás de um desses blogs anônimos que só servem para expor pessoas gratuitamente e zoá-las. Por N motivos, que não convém a mim contar, essa amiga deu um tempo da internet. De tudo. Eu acredito que foi o suficiente para fazê-la melhorar e voltar. Mas poderia não ter sido. Ninguém sabe quais outros problemas ela carregava ou não na "vida real". E eu dou minha cara a tapa ao dizer que tenho certeza que se ela tivesse alguma crítica relacionado a algo, falaria de cara limpa. Porque se tem uma característica que meus amigos tem, é caráter.

Outra história foi a da Mel, que teve seu blog exposto no Blogueira Shame gratuitamente. Gratuitamente porque até onde eu saiba idade X gosto não são motivos para zoar alguém. E não estou me fazendo de santa: já li sim esse blog, algumas vezes, mas lia porque achava graça (?) dos erros de português que mostravam. Até um dia pensar que "Ei, espera. Eu também posso errar. E ninguém está livre disso.". Só voltei a ler, indignada, quando soube que haviam exposto a Mel lá.

Porque, veja bem. Não sou obrigada a concordar com tudo de todo mundo. Isso nem é possivelmente humano. Mas se eu discordo de algo, ou possuo uma crítica, ou se há algum erro de ortografia onde li, é preferível dizer de forma educada que expor num blog com milhares (?) de acesso. Até onde eu saiba, atos como o da Shame podem gerar processo. Disse num grupo de blogueiras que participo e repito: admiro muito mesmo a forma com que a Melina lidou com isso, porque se fosse comigo, já teria descido do salto há muito tempo.

Continuando. Posso discordar de algo, posso não gostar de algo, posso achar algo completamente sem noção, mas nada disso me dá o direito de ridicularizar alguém (menos ainda se os argumentos são tão concretos como gelatina). Aliás, NADA te dá o direito de ridicularizar alguém. Não existe isso de "tá na rede, é peixe". Liberdade de expressão existe sim, da mesma forma como respeito deveria existir. E essas duas coisas tem a obrigação de andarem juntos.

Tenho duas amigas que, em períodos diferentes mas com pouco espaço de tempo, me confessaram ter alguns problemas. Entre eles, bulimia e depressão. São duas pessoas de quem eu jamais desconfiaria. Imaginem se, de repente, elas não fossem minhas amigas. Imagina se, de repente, eu desgostasse de algo partindo delas e falasse aqui, citando nomes, fotos, fazendo piadas e tudo o mais? Não entra aqui a questão do politicamente correto ou não. Entra a questão do bom senso. Se você passasse a vida toda, ou boa parte dela, sendo alvo de piadinhas (nada inteligentes ou criativas, diga-se de passagem), saberia do que estou falando.

Por sorte, nunca sofri nada tão grave (ou não que eu me lembre). Mas sou mulher, loira, gordinha e CDF e, gente, vocês não fazem ideia de como são repetitivos e chatos quando querem pagar de humorista (e vocês sabem que existem SIM piadas desse tipo. Eu não ligo mais pra elas, mesmo porque, elas são fracas comparado a outras formas de humilhação que existe por aí). Felizmente, tive perto de mim pessoas que me tiraram da minha bolha, que me fizeram ver que as coisas não são tão simples assim.

Não sou eu que sou fraca por me sentir mal com algum comentário absurdo sobre qualqquer característica minha. As pessoas não são covardes por terem algum problema, por se sentirem atacadas, oprimidas ou o que quer que seja. Covarde é quem provoca tudo isso. Covarde é quem não entende o que é respeito e desperdiça tempo falando mal dos outros, gratuitamente.

"Ainda que todo mundo se coloque contra você,
você sempre terá a você mesmo" (daqui)
Acho que não é assim tão difícil respeitar o outro ou simplesmente ignorar o que você não gosta. Grandes desastres da História começaram com uma pessoa intolerante que se achava melhor que todos os outros. O que uma pessoa faz ou deixa de fazer é unicamente da conta dela. E desde que não te afete, a vida é dela. A máxima "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você" não é só um ditado chato da sua avó. É real.

Tenho certeza que vocês poderiam investir esse tempo e essa energia toda em algo que os tornassem indivíduos melhores. É o que eu faria/quero fazer/estou fazendo. Esqueçam essa modinha irritante de odiar só por odiar, de ser do contra apenas por ser do contra. Críticas, quando construtivas, são sempre aceitas. Argumentos sem base só servem para mostrar o quanto uma pessoa não merece credibilidade... E geralmente o que você conquista "pagando de cool" não dura muito tempo.


PS: Algumas imagens com o tema "bullying" no We Heart It me partiram o coração.
PS²: Leia outros textos sobre o mesmo tema aqui e aqui.

7 comentários

  1. Ontem, eu estava pensando realmente sobre isso. Têm pessoas muito crueis. O que elas ganham fazem isso,né?

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  2. tem tanta gente no mundo que deveria ler isso e, no entanto, sentam-se confortáveis em suas bolhas olhando o mundo como se fosse melhores que tudo isso... Coitados. Mal sabem eles.


    Maravilhoso o texto sis, aplaudo de pé as suas palavras <3

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  3. Infelizmente ainda existem pessoas que têm por objetivo de vida humilhar os outros. Ano passado uma garota fez um blog contando mentiras a meu respeito e esculachando tudo o que eu escrevia. Ela espalhou pra todos na minha comunidade. Foi horrível. E ela ficou sem punição alguma e eu fiquei com fama de ser várias coisas que eu não sou.
    Entendo o que essa sua amiga passou. Eu não me afastei de nada - pelo contrário, continuei ainda mais. Mas há quem não suporte esse tipo de coisa.
    Ninguém precisa concordar com tudo o que dizemos e com certeza nós também não precisamos concordar com os outros em tudo. Mas críticas construtivas e educadas são sempre bem vindas. O que não dá é pra se esconder atrás de um anonimato e esculachar por pura maldade. Desse tipo de gente, eu quero distância. Porque eu sei que isso dói.
    Concordo absolutamente em tudo com seu texto, Fran. Muito bem escrito.
    Bjo.
    http://miasodre.blogspot.com/

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  4. Eu estou me segurando para não falar sobre esse assunto.
    Pois, não sei usar as palavras certas. Certamente, iria descer do salto, devido a minha grande indignação.
    Tu tirou as palavras da minha boca. Concordo plenamente contigo. E não consigo entender a cabeça dessas pessoas. Não consigo encontrar uma razão para tal atitude! Aff!

    Fran, tu disse no teu comentário, justamente o que eu precisava ouvir.
    Realmente, ninguém está preparado para nada, nessa vida.
    Tenho que fazer o que eu quero, buscar realizar meus sonhos e desejos. Eu tenho!
    E em relação ao "sem vontade", o sentido era medo. Sei lá, tenho medo de me arrepender, de não conseguir, de cair. E eu estava sem vontade de arriscar, de passar por isso.
    Mas, eu devo tentar, não é?!!
    E é isso que vou fazer! Obrigado, por cada palavra.
    Beijos, moça:*

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  5. Nossa, concordo DEMAIS com você. Você lê meu blog já faz um tempo e sabe que compartilho desses pensamentos seus, com certeza. Uma coisa que acho ridículo é que agora tornou-se normal, pior, tornou-se LEGAL ridicularizar as pessoas, apontar e humilhar. Eu fico vendo as fotos que colocam em "páginas de humor" do Facebook, e Meu Deus, nem sei o que sinto. É fato que TODO MUNDO te fotos ridículas que já tiraram quando adolescentes ou crianças. Daí, algum imbecil procura pela internet, acha, te ridiculariza junto com mais milhares de idiotas, e pronto, na Internet tudo vira vírus. Todo mundo vê e aquilo fica ali pra sempre. Onde tá a graça disso tudo?

    Eu sou daquelas pessoas que vão até o fim com as coisas, não aceito injustiça, não mesmo. Porém, às vezes, temos que engolir uns sapos. Minhas grande vontade mesmo é sempre fazer justiça, mas infelizmente não é assim que a banda toca. Quem dera a gente pudesse conscientizar todo mundo sobre o quão imbecil é isso - mas aos poucos, vamos o fazendo. Seu texto já fez sua parte.

    Foi mal o sumiço, comecei outra faculdade, só agora estou com tempo. Um beijo! http://biacentrismo.blogspot.com

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  6. Ótimo texto, Fran. Então, algumas pessoas tem mania de se "divertir" mostrando que estão por cima de tudo e de todos (coitadas, não sabem como são fracas; como são ridículas). Não sei, talvez por falta de coisas boas na mente, ou por não gostar de ver alguém se dando bem, procuram encontrar "defeitos" nos outros p/ fazer uma exposição disso. Mas não conhecemos as pessoas, não sabemos os seus limites, os seus medos, os seus problemas. Para uma mesma situação, existem várias reações. Já pensou ser um dos motivos que deixou alguém na pior? Bem, acredito que muitos nem pensam nisso. Agem assim, de forma desmedida, pois só querem "fama". É, essa coisa de dar uma de engraçadinho fazendo chacota dos outros. O pior é que eles encontram uma plateia fiel :/

    Fran, esses dias uma conhecida minha cometeu suicídio. Falaram que ela tinha depressão. Putz, eu jamais imaginaria isso, sabe? Ela sempre foi muito p/ frente, enérgica, divertida. Mas muitos zoavam dela na época da escola; acho que ela também já teve problemas assim na faculdade. Uma pessoa fazendo pós-graduação, com emprego, saudável. De fato, não dava p/ muitos perceberem o que ela escondia dentro de si...

    Enfim, acabei fazendo um comentário gigante, hein? rs

    Beijo, Fran :)

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  7. Adorei seu blog. Bem legal mesmo. Dei uma "sapiada" por alguns textos e gostei bastante. Parabéns. Beijos.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.