Livros

Mais uma história de amor.

13:36


(daqui)

Até esse exato momento não terminei de ler Um Dia, de David Nicholls. Li até a parte que me foi suportado, senti o máximo que aguentei das dores de Emma e resolvi ver o filme. Não é o melhor filme do ano (nem desse, nem do próximo), nem o roteiro mais brilhante, embora o cenário possa realmente inspirar romance. É, na verdade, comum. Eu acreditaria numa boa se me falassem que seu criador é Nicholas Sparks. Fiquei indignada por 20 anos se passarem até eles resolverem assumir o que todo mundo sabia desde a primeira linha (ou primeira cena). Eu sei, vocês sabem: Nós sabemos.

Eu me senti Emma algumas vezes. "Eu te amo muito, mas não gosto mais de você" poderia ter sido dito por mim, em alguma época da vida. Precisei (e talvez ainda precise) ganhar confiança ou velas aromáticas do "meu melhor amigo". Queria me formar com honra em alguma coisa e um dia, talvez sinta o gostinho de ver alguém lendo meu livro no metrô.

Mas eu também já me senti Jamie, de Amizade Colorida. Afinal, quem nunca __________ (preencha a lacuna com: se sentiu defeituosa e incapaz de manter um relacionamento; sentiu algo a mais pelo melhor amigo/amigo colorido; teve a sensação de assustar o sexo oposto)? Nunca me senti Savannah (Querido John) ou Nikki (Desculpa se te chamo de amor). Mas me senti muito Rosie (Onde Terminam os Arco-Íris). Aliás, Emma e Rosie são mais semelhantes que qualquer um possa ter pensado.

Já me senti inúmeras vezes como as mocinhas dos meus romances preferidos. Aqueles onde elas são as heroínas que aguentam tudo e todas as "bolas foras" para, no final, aceitarem o amor que tanto esperaram de braços abertos. O que se esperar de alguém que foi criada a base de contos de fadas?

O negócio é que a gente cresce. O negócio é que (ainda) sou fã de romances e chick lit (Cecelia Ahern, Sparks e Marian Keyes, seus lindos!). E acho linda toda história de amor, embora bata o pé e discorde de todo esse círculo vicioso de que o protagonista está lá, fazendo bobagem e se acabando na vida, às vezes magoando a mocinha, às vezes sem imaginar que ela entrará na história e mudará sua vida. Então, o final é clássico: ou ele percebe o quanto errou e o quanto ela sempre foi maravilhosa e (volta?) resolve ficar com ela, ou ele conhece uma mulher maravilhosa que salva sua vida de alguma forma e fica com ela.

Eu não acredito em milagres, muito menos em amores onde um serve de muleta pro outro. Sou terminantemente contra sofrer a vida toda e/ou largar tudo por alguém. Acho pacífico demais, vago demais. Talvez seja eu e todas as memórias-mágoas que guardo, minha vontade de conquistar o mundo ou só minha falta de experiência em relacionamentos sérios (e nos não-sérios também). Mas veja bem: não faz sentido sofrer por algo que deveria te fazer feliz.

Felizmente ou não, vezenquando vejo casos de filme em plena vida real. Assim, diante dos meus olhos. Sorte do mundo que existem pessoas que realmente percebem os erros e pedem desculpas sinceras. E mudam de verdade, por eles mesmos, sem se enfiar em outro círculo vicioso. Mais um, porque a humanidade adora se enfiar nesses casos.

Ilustro o último parágrafo com o caso de uma amiga minha (qualé, se vocês podem contar histórias da filha da vizinha da tia do primo do colega de trabalho da irmã do seu pai, eu também posso): Era pra ser uma amizade colorida (e é) e os mais chegados já profetizaram um casamento. Coisa séria, repetida milhões de vezes, ao ponto que de santo só a Desatadora dos Nós para que os dois se assumam de uma vez. Essa amiga jura de pé junto que não: são melhores amigos, com benefícios, e só isso. E vai ficar tudo bem, está tudo bem porque, olha aqui... ela valoriza a amizade e (acredita que) ele também, não importa o que aconteça. Então, no fim das contas, ela só ri e brinca junto, porque já nem quer pensar sobre "essas coisas" (mas tem fotos do vestido dos sonhos guardadas. Vai que...).

Mas como parece que brincadeiras amigas já não bastam, o universo conspira: já sabe de cor algumas dezenas de histórias de melhores amigos que ficaram juntos, de amigos que depois de velhos resolveram assumir que ficariam juntos (Emma e Dexter? 20 anos? Deus a livre!). De tudo isso ela, a única certeza que tem é que a arte imita a vida. Nem sabe mais se é isso ou vice-versa.

Uma amiga que tenho em comum com essa amiga (uhum) fala que só pode dizer (quase que outra profeta, essa aí) que tem certeza que o que existe é uma grande aprendizagem. Muito Lispector e tal, mas é isso: anos de aprendizagem, de convivência, onde um crescerá com o outro. 

Não tenho opinião formada sobre essa história, pois tenho tendências a escolher o lado mágico, o lado bonito... Quem venham as aprendizagens pra ela, que venha o que for bom. Apenas isso. Torço apenas para não existir grandes mágoas, grandes traumas ou um imenso passar do tempo para que aconteça o que for bom (Mas tudo isso deve estar incluso no pacote de coisas a se aprender...). "Seja como for, mas seja", é o que diz a música.

Para 2012, eu deveria desejar ser mais racional, menos emotiva, mais cética. Mas o que eu posso fazer se, além de ter um QUÊ de romance nas veias, adorar comprovar que essas "coisas de filme" existem no dia a dia?


(Obs: Mayara, Marcelli, Gabriela Petrucci e Milena: vocês inspiraram esse post. Obrigada!)

18 comentários

  1. Ai meu Deus. Tenho medo de falar sobre amizades coloridas, muito medo mesmo, rs. Vivi uma dessas por mais tempo do que é saudável pra qualquer pessoa, Fran. E era sempre lendo os livros e me pondo no lugar dos personagens e sonhando. Sonhando dia e noite que um dia meu final feliz seria que nem os dos livros. Hoje eu leio, me emciono, choro e mimimi mas me deixo um pouco de fora porque o que vivo no meu relacionamento não tem nada dos livros que li a vida toda e me sinto mais confortável assim. Drama demais atrapalha. Sobre a amizade colorida? Me persegue, mas eu aprendi a deixá-la pra trás quando vi que não era ali que meu destino se encontrava *-* Lindo texto, é exatamente como eu sempre fui, "interagindo" e me identificando com os personagens, principalmente da Meg :) Beijinhos, flor.

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  2. Já me senti a mocinha de diversos filmes e livros de romance. As vezes peço um amor como os do cinema, parecem tão perfeitos, são tão românticos...
    E eu já senti algo a mais pelo meu amigo. Mas não fui adiante por medo de acabar com a amizade...

    Adorei seu blog. Lógico que não poderia deixar de segui-lo. Aproveito para lhe convidar à conhecer meu site e se gostar, segui-lo.

    Fashion World Feminino | Fan Page | Twitter

    Beijinhos!!!

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  3. mas a graça é essa. esse negócio de prometer que ano que vem vou ser mais racional e menos emotiva nunca funciona pra mim mesmo! prefiro ir descobrindo sozinha como as histórias de amor que gosto existem nas pequenas partes da minha vida real. feliz natal atrasado e um ótimo ano novo fran :)

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  4. muito lindo seu blog,sequindo aqui
    seque o meu tbm ?
    http://musiclile.blogspot.com/

    beijo :*

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  5. Eu acredito bem forte no amor, e acredito na renovação. Acredito que possamos amar muito alguém que doa a ponto de não gostarmos mais dela (super me identifiquei com essa frase da Emma) e que se vier outra, tudo começa novamente e não é porque recomeçou que o passado nunca existiu.
    Acredito também em amor que sirva de muleta, mas acho que não deve durar por muito tempo. Eu me apoio em você, e você em mim, mas vivemos vidas diferentes. Só assim é saudável.
    Gostei muito do seu blog, adicionei à minha blogroll (:
    Bjs

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  6. Gostei demais do post! Mesmo mesmo mesmo! :)

    Você devia sim ler mais poesias! Achei uma ótima meta variar o estilo de leitura.. acho que você vai se surpreender com livros muito profundos e ainda com muitas estórias de amor lindas dessas que também acontecem na vida real. Mesmo nas biografias.. sempre existe algo que nos fala lá dentro, sacomé?
    Eu costumo intercalar os livros. Leio livros de tudo quanto é jeito.. até infanto juvenil! E adoro! Leio um de um jeito e depois escolho outro totalmente diferente para ler em seguida! É bom! :)

    Enquanto lia o post.. vários livros foram surgindo na minha cabeça. O primeiro deles foi "P.S.: Eu te amo".. você já leu?
    Apesar de não ter amado o livro de paixão, gostei dele. E achei o final muito plausível, muito realista... me identifiquei, sabe? Foi diferente do filme.. que é mais Róliudiano.. :P
    Lembrei de "A mulher do viajante no tempo" também, por ser bem bonitinho assim, sem ser MEGA meloso e sem relatar personagens TÃO sofredores e submissos que estão à mercê do que acontece na vida, sem de fato lutarem pelo que querem, como ouvi muita gente dizer sobre a personagem principal do "Um dia" (que não li ainda)..

    E por últimooo... também tenho uma história pra contar! :)
    Meus pais eram amigos. Com benefícios..
    E então, minha mãe engravidou do meu irmão mais velho (eles estavam na faculdade... 20 e poucos anos). Eles se gostavam muito, mas não tinham a intenção de namorarem nem de se casarem.
    Mas, muito aconteceu... e no último mês de gravidez, meu pai resolveu alugar um apartamento pequenininho e chamou minha mãe pra morar com ele. E assim foi!
    Depois de um tempo, veio outro irmão, e depois eu. Com uma diferença de 2 anos de um pro outro, mais ou menos.
    Quando eu já tinha dois aninhos, é que eles se casaram oficialmente. Consideram que se casaram no dia que foram morar juntos, mas nos papel, foi só quando eu já era uma menininha que andava só. :)

    Enfim... estão juntos até hoje e são muito amigos! Sempre penso que quero um relacionamento assim parecido com o deles. Não da mesma forma, começando apenas com amizade e tudo mais... mas em que exista respeito e cumplicidade. Acho fundamental.

    Valia uma história pra um livro ou filme, né? ^^

    Beijinhos, moça!
    Virei mais vezes por aqui! :)

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  7. Ahhhhh, fiquei com muita vontade de ler! Acho que será minha próxima leitura, rs

    Beijos!

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  8. Eu pensei em comprar este livro e assistir o filme, mas vi o trailer e achei sem graçinha, desanimei. Concordo com vc, se fosse Sparks seria outra coisa. Tenho todos os livros dele, amoooo!

    Beeijos
    Giovanna Lacerda
    Blog Deluxe
    http://deluxemoda.blogspot.com/

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  9. Fran sempre inspirada e escrevendo bons textos p/ gente :)

    Gosto dos livros do Nicholas Sparks, mas não p/ ler sempre, em sequencia; é bom intercalar com outros tipos de leitura, já que, embora as histórias sejam bem bonitinhas, quase todas as vezes levam para o mesmo lugar (aquele amor verdadeiro, mas que só depois de todo o sofrimento que a distância - física ou não - provocou ao casal, terá a sua "resolução", se é assim que posso chamar).

    E por falar em histórias de amor, eu e meu namorado nos conhecemos de forma engraçada: ele tentava ser o cupido entre eu e um amigo dele (que já era meu amigo antes dessa história), haha; sério, esse amigo dele gostava de mim e meu namorado tentava fazer com que eu aceitasse dar uma chance ao amigo. Aí o convívio fez nascer uma amizade legal (mas que muita gente dizia ser "colorida") entre eu e o meu namorado e eu não quis nada com o amigo dele; passaram-se alguns meses e essa amizade foi ficando cada vez mais colorida até que ele, um dia antes do dia dos namorados, me deu um quadro enorme com os nossos rostos desenhados (desenho de uma foto que tínhamos) e um cartão apaixonante ♥ mas eu ainda o enrolei por mais uns dois dias, até acontecer o beijo que marcou o início do nosso namoro ;) Estamos juntos há seis anos.

    (e obrigada pelo seu comentário lá no blog, gostei muito de saber que você me acha especial, Fran. Tenho a mesma opinião sobre você)

    beijo e Feliz 2012!

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  10. Não,você não deveria desejar ser mais racional,porque sim,a arte imita a vida e eu acredito que cada vez mais histórias reais são inspirações para esses romances e também porque eu deixaria de ler textos tão incríveis quanto este.Embora eu não seja uma grande apreciadora de comédias românticas,porque elas são muito repetitivas,enjoativas e eu analiso demais,não posso negar que eu adoraria vivê-las.Também tenho muito de Rosie e nada de Savanah,porque acho que a Rosie consegue de fato parecer humana,real.A Savanah era como um anjo ou sei lá,muito imaculada.

    Te desejo um 2012 repleto de acontecimentos maravilhosos e inspiradores.

    beijo

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  11. Franzis, você já conhece minha opinião a respeito da temática.
    Então, sobre o post, só vou dizer que acho que a Emma podia ter se valorizado mais. Eu, que sempre fico pensando nos "e se", fiquei pensando, se ela não tivesse aceitado o Dexter de volta, ela não teria morrido!
    Enfim, é isso que eu acho. No mais, conversamos no msn! ;)

    Beijo, lindinha! Feliz 2012 pra você!

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  12. Você já conhece minha opinião a respeito da temática. +1
    Aquele parágrafo que te falei me tirou o fôlego. Fico tentando equilibrar romantismo e amor- próprio, porque é tão ridículo da ideia de que uma anula o outro. Acho esses Dexters uma armadilha, no fundo.
    Beijo!

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  13. Eu amei, a gente se vê tantas e tantas vezes nesses filmes de romance. Sonha com tanta coisa e sei lá é preciso anos de espera pra que aconteça. Belo post.
    Feiz ano novo!
    Bjos ;*

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  14. Não vi o filme nem li o livro, as fiquei com vontade. Soh que eu nao sou nada romantica. Nao consigo ser. Ja tentei. Troco um pouco do meu cetiscismo pelo teu romantismo em 2012, pode ser?
    Agora, contrariando meu ceticismo, eu acho as historias reais que poderiam ser filmes lindas e mega comoventes. Mas ai meu lado cetico volta a dominar e diz que isso nunca aconteceria comigo.

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  15. Oi Fran, não vi o filme e nem li o livro. Mas me identifiquei com o texto por que eu já me senti como as mocinhas de alguns filmes/livros. No começo eu era bem abitolada, daquelas que só sabem sofrer e suspirar, depois me tornei mais mocinha, como a Claire, de Melancia. Ela é mais real rsrsrs. Mas não deixe de ser emotiva. Emoção é o que faz os melhores momentos serem inesquecíveis! Beijos!

    http://mahjestic.com/blog

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  16. Eu quero muito ler a este livro e assistir ao filme (nessa ordem). Seu post ficou lindo e me inspirou ainda mais no meu desejo de ler e ver a obra.
    Acho que em algum momento da vida todas nós compreendemos essa frase "Eu te amo muito, mas não gosto mais de você."

    Bisous.

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  17. eu acho que isso de romance é dar a cara pra bater. amor não vai te matar, caso dê errado. (:

    e quero ler UM Dia(:

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.