Jornalismo

Revolução de Nós Em Mim.

17:53


Terça-feira a aula de Teoria da Comunicação foi praticamente baseada num levantamento de opiniões e fragmentos do livro O que é Comunicação, de Juan Bordenave. O roteiro se baseia em cada pessoa falar o que achou de mais importante no livro (o que demorará um pouco pra uma sala de 80 alunos) para depois debatermos num geral. Na minha vez, escolhi um trecho relacionado ao comportamento dos meios de comunicação. Eis:

"Os meios de comunicação (...) parecem procurar mais o lucro, o prestígio, o poder e o domínio do que a construção de uma sociedade participativa"

Complementei dizendo que esse trecho se referia às formas de manipulação da mídia sobre a massa, lembrando que a primeira edição do livro foi feita em 1982 e que hoje, embora isso não tenha acabado, pode ser que tenha diminuído, já que com a internet podemos debater, opinar e questionar aquilo que nos é transmitido, muitas vezes diretamente com o emissor da mensagem. Afinal de contas, quem de nós nunca comentou numa notícia no facebook?

Minha professora levantou a seguinte questão: será que estamos mesmo tão mais participativos assim? Será que podemos contar com essa "horizontalização" da informação de modo geral? Por "geral" entendi que ela se referia a toda população. Não tive tempo de responder, mas minha resposta seria não. Claro que não. Não é maioria a parte da população que possui acesso à internet, especialmente se tratando de Brasil. E eu, que tinha achado que não estava absorvendo nada das minhas aulas nos últimos dias, fiquei pensando nisso até o momento em que pudesse escrever esse texto.

Esse assunto me fez reviver a euforia do lançamento do novo clipe d'O Teatro Mágico, Amanhã... Será?. Na entrevista de sua estreia, Fernando Anitelli faz menção a toda revolução que tem acontecido do "outro lado do mundo" enquanto nós, Brasileiros, nos mobilizamos para colocar CalaBocaGalvão nos TTs, como se realmente tivesse relevância... O próprio clipe me impressionou exatamente por esse fato: mesclar imagens dessa revolução, dessa busca pela liberdade pela qual eles estão lutando com arte, com a imagem do 'Monstro' da civilização.

Lembrei ainda de todas as marchas que tem acontecido (e da minha frustração por não ter ido a Marcha das Vadias!). Fiquei pensando em todas as reclamações sobre acharem que é perda de tempo, ao mesmo tempo em que toda marcha chamava, de alguma forma, a atenção da imprensa - e do governo, porque não? Dia 7, por exemplo, marchas contra a corrupção acontecerão em diversos lugares. Uma delas, em São José dos Campos.

Eu não sei vocês, mas ao mesmo tempo em que me sinto desanimada com diversas situações nesse país, sinto-me mais esperançosa a cada foto e notícia que vejo. Isso porque durante toda a história diversas manifestações foram feitas. Se temos muita coisa hoje, devemos às lutas que existiram no passado.

Acredito que mais do que continuar lutando por coisas que ainda não foram conquistadas ou para mostrar que não somos cegos quanto à sujeira que acontece no país todos os dias, tudo isso resgata o espírito que tiveram no passado. Espírito que não devia ter se perdido pelos anos. De força, de fé, de coragem. Coisa que eu queria continuar tendo. Ou simplesmente queria ter.

Já dito ali em cima por mim, é desanimador às vezes. Essa coisa de parecer que nada muda, não importa o que se faça, por resultados que talvez não sejam imediatos. Outras vezes, acontecem coisas tão sem importância que é como se debochassem (Dia do Orgulho Hétero e Dia do Homem pra mim são um exemplo) do que realmente valem a pena. Na oitava série li um livro chamado Revolução em Mim, da Marcia Kupstas. O livro é sobre uma adolescente em meio a ditadura militar no Brasil. Não lembro detalhes da história, mas só o título já me faz refletir muito.

É preciso que haja uma revolução em mim tanto quanto na sociedade. É preciso que questionemos, que estejamos abertos a novas ideias sem medo de mudar de opinião. Isso é viver. É necessário que acreditemos em nós mesmos tanto quanto no outro.

Tenho realmente pensado em tudo isso. Nos três anos que hoje o blog completa, não sei se o que escrevo fez ou faz diferença pra alguém. Eu espero que sim. Mais que desabafos e opiniões, espero que tenham sido mensagens reflexivas, esperançosas ou um detalhe que alguém nunca havia parado pra pensar, mas se identificou. Não quero ser moralista ou doutrinar ninguém. Só quero acreditar que, assim como acontece quando eu visito outros blogs, algo que eu escrevi tenha despertado interesse em alguém, tenha despertado um novo pensamento em alguém.

Em 1984, de George Orwell, para descrever uma das "ações" do Partido, o narrador explica que

"Porque se lazer e segurança fossem desfrutados por todos igualmente, a grande massa de seres humanos que costuma ser embrutecida pela pobreza se alfabetizaria e aprenderia a pensar por si; e depois que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde essa massa se daria conta de que a minoria privilegiada não tinha função nenhuma e acabaria com ela.".

Levando em consideração que esse livro foi publicado em 1949, qual a diferença desse trecho fictício pra hoje? Nenhuma. Simplesmente nenhuma. Não sei vocês, mas eu já ouvi (e disse) muitas vezes que mais parece que o governo prefere nos manter assim; cegos, alheios ao que acontece. Apenas porque sabem que a massa possui um grande poder em suas mãos. É só parar pra pensar... E em algum lugar do mundo, isso está acontecendo.

A partir disso, acredito piamente que podemos fazer muito mais se pararmos um pouco pra questionar o mundo, pra questionar aquilo que nos é transmitido todos os dias. Não somos obrigados a nos conformar e nem devemos. Somos privados dos nossos direitos todos os dias, em maior ou menos grau. Somos e sempre devemos ser prioridades, e temos que lembrar essa minoria privilegiada disso, se necessário. Confiar nas marchas, participar delas e/ou divulgá-las, não menosprezá-las. Confiar em nós, individualmente.

Sendo únicos, como seres ímpares, somos diferentes. E fazer a diferença devia ser nossa prioridade como ser humano.

9 comentários

  1. Gosto de seus textos e da maneira como você une elementos diversos pra fundamentar o que você defende. Aí que tá o segredo, não ir pela maré só porque ela é mais forte. Mas ter sua própria bússola pra seguir, a partir das direções que se nos apresentam. Tu é uma genia, Franzinha! =D

    Xêro

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  2. Concordo com você quanto a solução ser questionar e não se conformar com a situação. Mas enquanto o povo for dominado pela mídia, principal formadora de opinião atual, não teremos como mudar isso tudo. Até porque num mundo capitalista o lucro é objetivo principal de qualquer corporação ou indivíduo e se esquecem da 'moral'.

    Esse foi um dos motivos por eu ter escolhido o jornalismo, tentar 'desmanipular' pelo menos uma pequena parte do povo que tem o poder mas não sabe usá-lo da forma correta.

    Vâm'udar o mundo, Fran! haha Beijos!

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  3. Não tem nem o q falar concordo com tudo o q vc disse..
    Precisamos questionar, falaar, perguntar. Mas inflizmente o povo não lembra nem em quem votou na eleição passada, é triste, mas depende de nós pra mudar.!
    Bjos ;*

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  4. super concordo com voce, linda. Dentro de mim, tem uma alma revolucionista que eu alimento com todo prazer, luto por liberdade, igualdade e revolução.
    Amei seu cantinho, passarei aqui sempre.

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  5. Cativante, maravilhoso como todos os outros. Tão cativante, tão tudo que tenho um presente para você lá no meu blog. rs
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    Valeu!

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