cotidianices

Efeitos colaterais de ter nascido Franciellen.

17:51

Fico imaginando se, quando Deus* decidiu que eu deveria nascer, a intenção dele era trollar aqueles que surgiriam na minha vida ou me dar uma boa lição. Provavelmente não deu a mínima por eu ter passado, sei lá, cinco vezes na fila da inconstância, por exemplo. Deixou que eu viesse pra esse mundo cheio de conflitos pessoais, caos internos e com uma autoestima que oscila mais que montanha russa em looping eterno.

Então, admito: tenho um gênio ruim. Sabe essa gente difícil de lidar? Sou mestre. Sem querer, é claro, já que muitas vezes queria ser o tipo menina pacífica, tranquila, sem paranoias, livre de qualquer sentimento ruim, com uma autoestima normalizada, completamente segura e sem medos. Mas não sou assim. Nasci Franciellen com 11 letras. Nasci ariana, no início de abril, em um feriado municipal. Nasci birrenta, cheia de vontades. Minha personalidade, no entanto, deve ter desabrochado antes de eu nascer, porque olha...

Não quero, no entanto, cantar aos quatro cantos do mundo que ninguém me conhece como pensa conhecer. Isso sequer seria verdade. Quero menos ainda dizer que sou completamente ruim e sem solução, já que todo mundo tem seus prós e contras. Uma vez ouvi de alguém que se eu não fosse assim, não seria eu, que não vai existir outra pessoa assim e tentativas parecidas de me consolar nessas crises. Nem sei se essas pessoas sabem o que disseram, mas eu me lembro. E eis uma das coisas que não sei pra que vão me servir...

Fran Poulain :)


Eu costumo lembrar coisas que me disseram, que fizeram, de momentos e às vezes tenho certeza que mentiram ou que sequer se lembrarão disso. Porque não demonstram, não dão sinal e coisas assim. Mas eu me apego a tudo isso, sabe? E quando acontece de eu me magoar, sofro duas vezes, por não saber o que levar em consideração.

Por lembrar muitas coisas desenvolvi com uma boa parte de tudo aquilo que me faz mal a arte do desapego. De gostos a pessoas que me consumiam de uma forma assustadora ou que me decepcionaram de uma forma que eu não consegui superar. Há raríssimas exceções e eu não sei explicar o motivo. Se eu disser somente que "ainda valem a pena", ficaria explicado para todos, menos pra mim.

Sempre tive uma cisma em perguntar tudo, em querer saber o "por que" de tudo. E isso é de nascença, sabe? Desde criança, sempre fui curiosa e queria saber o máximo que podia. Não sei se por querer conhecer, se por me importar demais com o que/quem me interessa. Deve ser por isso que acabei indo parar no Jornalismo. Por essa mania também tenho a incrível capacidade de adorar conversar, puxar assuntos, dar e receber um pouco de atenção. Eu realmente me interesso pelo mínimo que me contam (e às vezes queria que me contassem o mínimo). E confesso que é realmente decepcionante saber que simplesmente há quem não entenda isso.

Nessas de me interessar demais, acabo desenvolvendo um afeto especial por determinadas coisas - como meus livros, que são quase meus filhotes e que morro de ciúme e cuidados - e pessoas - que adoram dizer que sou uma louca psicopata. Simplesmente me preocupo, simplesmente me importo. Tenho uma vontade de cuidar e é só isso. Cuidado. 

Em sentido contrário, crio birras muito facilmente, sem saber explicar o motivo. Antigamente (assumo!) não sabia entender determinadas decisões que as pessoas tomavam. Hoje, bem quando aprendi a compreendê-las, não entendo como elas podem julgar algo que decidi assim, tão friamente. Muitas vezes sobre coisas banais que não tem a ver com nada da vida delas e sequer as envolvem.

São vários "detalhes" que precisam (ou não) serem trabalhados. A inconstância, como já disse. A insegurança, muitas e muitas vezes. A autoestima e a determinação. Essa mania de ainda permitir que alguns comentários me incomodem a ponto de me fazerem "deixar pra lá" algo que eu gostaria de dizer ou fazer. 

De vez em quando me pego pensando o que eu realmente devia mudar por mim e o que é, pura e simplesmente, parte de mim. Eu prefiro acreditar que, se existe alguém com quem convivo que se incomoda com tudo isso a ponto de criar um problema, talvez não devesse estar aqui. Tento mudar em mim o que sei que me é prejudicial. Mas jamais faria outra pessoa mudar por mim.

Vi no tumblr (e infelizmente não sei quem criou) algo que resumiria tudo isso: "Não vou ser gotinha só porque não aguentam minha enxurrada". São (meus) efeitos colaterais. E se eu convivo com isso, não deve ser tão monstruoso assim.



*Tenham a boa vontade de notar a metáfora e não envolver discussões não abordadas nesse blog. Obrigada!

9 comentários

  1. Se eu disse que entendo perfeitamente estarei mentindo, e se eu disser que não posso falar nada por simplesmente não fazer amninima ideia do que você esta passando também estarei mentindo.Acho que cada nós temos nossos limites e os mais faceis de lidar são aquele que ou se anulam ao máximo para não atrapalhar, ou de fato conseguiram um equilibrio entre se memso e o coletivo, mas são raros.Só posso dizer amiga que entre dramas e tramas ser quem se é não tem preço, a gente nunca sabe como ser outra pessoa muito menos se seria melhor. Sabe aquela coisa de 'cada um sabe a dor e a delícia de ser quem se é!?Então, pode por fé que é bem por ai mesmo.

    ResponderExcluir
  2. Gostei tanto desse post!

    Muito prazer!

    ;)

    ResponderExcluir
  3. É assim mesmo, todos os seus defeitos são aquilo que as pessoas realmente amam.
    costumo dizer que se amam assim, desse jeitinho prepotente que sou, é porque amam mais meus defeitos que minhas qualidades.
    Adorei o psot.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  4. FRAN DETALHISTA! E é isso que lhe torna essa pessoa cheia de sonhos e diferenciada que muita gente deveria ser!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  5. Ameei esse cantinho, voltarei sempre!

    Esepero sua visita iluminada no Crônicas:

    http://cronicasrapidas.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  6. Uma avalanche de tudo. De doçura, de teimosia, de perguntas, de palavras... Tudo para condizer com as 11 letras que dizem muitas coisas.

    ResponderExcluir
  7. Gostei muito do post Lollie mas a foto está ainda melhor!

    Beijos
    Elis Miranda
    @codinomeleitora

    ResponderExcluir
  8. Franzinha, você está falando de você ou de mim? Incrível como tudo bate com o que eu sou. Coisas de ariana, vai saber.

    ResponderExcluir
  9. Que bom se conhecer assim, Fran! :)

    ResponderExcluir

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.