Pitacos

Evolução do (meu) Príncipe Encantado.

22:07

Eu, mesmo quando ainda não sabia ler, conhecia um bocado de contos de fada. Todos de cor e salteado. Adorava repeti-los para minha irmã e tinha orgulho de mim mesma por ser tão sábia. Acho que falar e contar histórias tá no sangue, enfim. Desde essa mesma época, por algum motivo desconhecido, sonhava em ter um namorado digno de ser chamado de príncipe encantado. Não que hoje eu tenha um, mas minhas ideias sobre isso mudam a cada dia. Continuando.

Naquela época eu achava que ia acabar com um lindo loiro de olhos claros. Em 18 anos de vida só fiquei com uma pessoa assim e, bom, não estava nem no caminho de ser alguma coisa significativa. Hoje em dia eu já não vejo (nada pessoal) a mínima graça nesse "tipo". Sei lá né. De gente muito branca que sofre bullying e mal pode tomar sol já tem eu. E também acho pessoas ruivas naturais lindas, mas nunca conheci nenhuma. Daí concluí que gosto mesmo de contraste.

Fiquei muito tempo da minha vida apegada a essa coisa de tentar definir a aparência de uma pessoa com a qual compartilharei um tempo da minha vida. Me sentia meio estranha porque nunca conseguia achar bonito os mesmos meninos que minhas amigas. E vice-versa. E pra ser sincera, até o meu melhor amigo joga na minha cara que eu tenho mal gosto, só que hoje em dia nada disso me importa. E eu, vira e mexe, tenho vontade de dizer "olha quem fala" pra cada um que aponta pra mim com alguma reclamação.

Não sei bem como fui deixando de me importar com a aparência das pessoas, nesse ponto. Não exatamente com a aparência delas, mas com o que os outros iam pensar sobre elas (e eu). Elas tinham sempre a mania de reclamar exatamente das pessoas que, pra mim, tinham algo diferente. Não importa, nesse momento, o que tenha acontecido depois.

Há uns anos comprei uma Atrevida por alguma matéria interessante que tinha visto. Em uma das colunas a revista dava dicas que solucionavam eventuais problemas com o "gato". Lembro perfeitamente de dois dos problemas: um deles se referia ao cara nunca pagar a conta (não preciso dizer o quão idiota achei isso) e o outro era sobre a questão pavorosa de como apresentar seu "paquera" às amigas quando ele não era bonito. E esse bonito diz respeito a, claro, ele não seguir os padrões. Seja lá quais forem.

Eu devia ter uns 15 anos e achei tudo completamente ridículo. Porque, DEUS, não é possível que alguém veja isso como um problema. Me recuso a aceitar isso, nessa proporção. Mesmo assim, sei que é só soltar um nome masculino que algumas "amigas" perguntarão, primeiramente, se é bonito.

Desisti de tentar programar um padrão de "homem encantado". Disse uma vez a um amigo que, enquanto um monte de meninas procuram alguém com a aparência de príncipe, eu prefiro encontrar alguém com o caráter de um. Não lembro de alguém ter feito diferença na minha vida só por ser um "rosto bonito'.

Tenho ciência de que não sou o exemplo de maturidade e de que vou moldar vários pensamentos e ideias com o tempo, várias vezes. Mas mesmo assim, tenho consciência do que importa pra mim.

Meu príncipe encantado se recusa a seguir o clichê teen, o clichê dos "caras fofos com cabelo bagunçado" dos famosos tumblr's, o clichê das listas de blogs sobre relacionamento e sexo, entre tantos clichês espalhados por aí. Meu príncipe encantado só precisa ter uma pitada de paciência e uma boa conversa, com toda timidez, jeito desajeitado, curiosidade e/ou determinação que carregar na bagagem. E especialmente: com todos seus defeitos. 

Dizer "príncipe", aliás, é piada. Espero poder rir com ele dessas imposições, desses rótulos um tanto manipuladores. Basta chamar minha atenção. Ser agradável e querer me fazer ser sempre assim - por mim. Basta que nossa individualidade só acrescente. Sem contos de fada, filmes, olhar adolescente ou sacrifícios. Basta existir e, por ser ele mesmo, se manter longe do comum.

2 comentários

  1. Prefiro, também, caráter em vez de beleza, de naa adianta um rostinho bonito e uma alma horrivel.

    ResponderExcluir
  2. Não sei o que dizer ;(
    As vezes eu quero um princpe, as vezes eu só quero alguém que me ame, mas que eu tbém ame
    Amei o texto..!
    Bjos ;*

    ResponderExcluir

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.