cotidianices

entre linhas, entrelinhas.

20:28

cartas minhas ♥

Eu sei que sempre digo que palavras soltas não dizem tudo. Aliás, acredito que muita gente se vê nessa situação. Mas comigo, as coisas mudam quando o assunto envolve cartas. Sou fascinada por elas. Fico toda encantada quando recebo alguma coisa. Checo a caixa do correio até aos domingos, se bobear. (Se bobear nada, eu realmente faço isso).

Fui o tipo de estudante que trocava milhares de bilhetinhos durante a aula, ainda que a pessoa estivesse do meu lado. Adorava deixar recadinho no caderno dos outros. Sempre gostei de fazer cartinhas porque sempre gostei de me expressar. O presente mais bonito que ganhei de 18 anos foi uma carta linda do meu melhor amigo (e ela veio com um tsuru!). Converso todos os dias com duas grandes amigas que foram fazer faculdade fora (Marcelli: Unipampa e Gabi: Unicamp) e mesmo assim tenho cartas que elas me fizeram, inclusive as do Ensino Médio. Guardo até mesmo um bilhete de uma "amiga-mãe", Luh, que veio junto com livros e apostilas que ela me emprestou ano passado.

Lembro que quando tinha 13 anos fiquei muito desapontada com um menino, o senhor do meu primeiro beijo. Um dia recebi uma carta de um amigo que até hoje me consola. Nunca ri tanto com uma carta. As cartas do tal menino, aliás, joguei fora. Infelizmente ou não. Nunca mais fiz isso com carta alguma.

Tenho cartas de reconciliação com amigas, cartas-quase-livros que chegaram ao recorde de 20 páginas, vinda de uma amiga de Santa Catarina. Não faço ideia de como meus pais não surtaram com o fato de gente "desconhecida" me mandar cartas. Acho que nem ligam mais. Vai saber.

Tenho também recado de professores do Ensino Fundamental, cartões de natal do tio da van e da catequista (pois é.), desenhos das minhas primas e irmã. Carta e cartão de aniversário do meu pai. Recado da minha tia. Cartões postais. Tenho uma carta assinada e desenhada por quatro dos meus grandes amigos, que me suportam até hoje (e que quase esqueceram de me dar no último dia de aula, né Mateus-Luiz-Diego-e-Míriam?). Tenho basicamente uma verdadeira coleção de sentimentos. De emoções. De amores.

Mas eu devo confessar que não faço ideia de porque joguei fora as cartas daquele menino que ganhou meu primeiro beijo quando eu já nem tinha interesse mais (algo tipo "hoje eu quero, amanhã já não sei"). Nem desconfio porque fiz isso. Não foi por mágoa nem nada (se se livrar de mágoas fosse tão simples quanto se livrar de cartas, eu já tinha esquecido um bom período dos meus 15 anos). Eu simplesmente não faço ideia do que me aconteceu. Acho que comecei a ver as coisas diferentes. Quer dizer: algumas coisas mudam dos 13 aos 18 anos. Talvez eu apenas tenha começado a ver essa coisa de se relacionar com alguém de modo diferente. Quem sabe?

Às vezes eu não faço ideia do que acontece com a minha mente.

Também não as joguei fora por vergonha ou algo do tipo. "Todas as cartas de amor são ridículas. Se não fossem ridículas não seriam cartas de amor", acho que é isso que Fernando Pessoa diz. Me perdoem por esse ato cruel, eu sinceramente não lembro.

Nunca mais recebi uma carta de amor. Não somente nesse sentido "de amor", pelo menos. Se isso me entristece por um lado, por outro sei que há cartas que tenho guardadas que significam muito mais pra mim. Receber cartas exerce um poder incrível sobre a minha pessoa. (Poder escrevê-las também, só pra constar). Quando vi "Cartas para Julieta", "Querido John" e especialmente quando li "Onde Terminam os Arco-Íris", quase alaguei a cidade com lágrimas (prazer, srta hiperbólica). No dia que eu estiver com alguém e rolar uma ideia de namoro, favor fazer isso por carta. Simples, lindo, criativo e eu não poderia recusar, haha.

Acredito que essa coisa toda de escrever - cartas, especialmente - seja algo como "meu luxo", e as cartas que recebo "minhas preciosas". Uma vez Renan, o dono da carta-presente de aniversário, resolveu fuçar minha caixa e contar quantas tinham. Algo como 200, acumuladas durante alguns bons anos. Eu deveria me sentir culpada por não poupar as árvores.

Não há um motivo especial pelo qual eu resolvi partilhar isso com vocês mas eu gosto de mostrar e contar aquilo que me agrada, nesse caso. É que é algo tão mágico que eu realmente queria me expressar sobre isso. Penso nessas centenas de linhas escritas todas as vezes que olho pro meu "Para sempre teu, Caio F." e, sim, pro meu "O Pequeno Príncipe". Talvez pela forma com que cada uma dessas pessoas, com que cada palavra, com a forma que o tempo que dedicaram a mim se tornou tão importante. Talvez por pensar que daqui a alguns anos eu ainda estarei presente na vida dessas pessoas, aconteça o que acontecer, assim como eles estarão presentes na minha vida.

Talvez também porque eu queria que vocês (e eles) sentissem um pouco do que tudo isso significa pra mim.

11 comentários

  1. Belo texto, ainda mais quando se falam coisas que vem do coração. Tbm sou fã das cartas e guardo várias (inclusive sua) aqui. É como vc disse, que seja um bilhete, naquela hr aquela pessoa parou pra pensar em vc. É mto bonitinho! :D

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  2. Gostei do "meu 'Pra sempre teu, Caio F.".
    Mas ouvi falar de uma lenda segundo a qual os livros só se tornam de fato nossos quando nós os lemos... hahaha
    Bj
    V.

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  3. Owwwnn... Que linda essa minha filha!
    Eu também guardo tudo. Tenho cartinhas, recadinhos, lembrancinhas e afins de quase 10 anos atrás.
    Acho que essa necessidade de cartas, não é pura e simplesmente pela palavra escrita, mas também pelo fato de que a outra pessoa tocou aquele papel que serviu de ponte para os sentimentos. Ou também pelo fato de que verba volant, scripta manent.

    Um beeeeijo, minha filha.

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  4. Nossa, eu me vi nesse seu texto agora. Tb era das que adorava mandar bilhetinhos, cartões, escrever cartas... ainda escrevo algumas, mas a empolgação já não é a mesma. E já guardei muitas e descartei muitas outras. Nossa! Minha vida inteira foi feita da companhia das cartas... viajei no tempo!

    Se vc souber um pouquinho de inglês, entra pro projeto Postcrossing. (www.postcrossing.com). É um site pra trocar postais, não sei se conhece. Vc manda pra pessoas aleatórias e recebe de gente aleatória tb, de qualquer lugar do mundo. É muito legal! rs

    Bjs!

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  5. eu não tenho mais cartinhas, perderam-se na mudança ):

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  6. Aah adoro. Infelizmente o mundo e consequentemente as pessoas não tem mais tempo pra isso, ou talvez não querem. Existem formas mas modernas hoje.
    Ainda tenho um as cartas guardadas *-*
    Quando li teu post, lembrei de um livro "Ana e Pedro - Cartas" muito legal..
    Bjos ;*

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  7. Mas uma linda adepta as cartas, awn!
    Também guardo todas, desde aqueles bilhetinhos durante as aulas, até aquelas cartas-quase-livros guardo todas...sei que é uma forma de manter vivo cada ano,cada pessoa, vivo e próximo. Procuro pessoas pra trocar cartas, estou pensando em montar um clube, o que acha da idéia?
    beeeeeijos e um ótimo fim de semana!

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  8. Eu sempre guardo tudo também... acho que para tentar manter certas coisas mais perto de mim... Cartas sempre me fazem lembrar de coisas boas, então... porque não guardá-las? (:
    Adorei o post
    BJão e bom final de semana =^.^=

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  9. eu vou na sua casa nessas férias e quero ver seus guardados. *--* você guarda tanto amor...

    ;*

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  10. Um prazer conhecer seu blogue.
    Voltarei tanto quanto possível.
    Bj./Irene

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  11. Cartas são sempre cartas. Sinto-me importante também quando recebo uma, é uma delícia ver as palavras ganhando as formas dos nosso sentimentos, dos segredos e da presença que só uma carta é capaz te levar e trazer.

    Muito lindo seu blog! Beijos moça!

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.