cotidianices

até cansar [de respirar você]

16:08

Ontem foi um dia bom, não fosse o tédio das férias predominando, enfim. Acordei muito cedo (pro meu horário de férias qualquer coisa antes das 11h é cedo), fui numa consulta de rotina, saí de lá e encontrei Taynara. Fomos dar uma volta no shopping. Pensei que ia pra São Paulo mas como não fui, voltei pro centro da cidade pela tarde para dar feliz aniversário - e uma carta - a um amigo. Enfim. Um dia normal, ora pois.

Mas eis que eu sou assim, né. Problemática. Inconstante. Possuída por algum espírito bipolar. Extremista. Etc. Daí quando eu tô mal (o que tem acontecido nos últimos dias) tudo me lembra algo e tudo que me dizem faz com que eu faça graça compulsivamente, reclame, desabafe ou, na pior das hipóteses, cite trechos de autores que gosto, cenas de filmes, séries, partes de música, imagens... Quase uma filósofa de boteco. Imagina se eu bebesse.

Bom, o caso é que eu realmente falo muito, com qualquer um, e sinceramente, não me importo. O que eu tenho pra esconder? Nada. Pois é. Com amigos(as) mais próximos converso até sobre minha vida amorosa inexistente. Porque pra todo mundo, menos pra mim, eu namoro. Entendem? Eu também não. (E nem é porque eu tenho uma visão meio diferente dessa coisa de namoro e tal, mas isso é assunto pra outra hora)
Acontece que toda essa tempestade interna que eu crio me lembra um trecho - adivinhem - de Caio. Novidade nenhuma.
Eis:
(...) Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta o fato de estar sozinho.
Querem que eu seja sincera? Eu não sei em que contexto isso está, talvez por uma procura preguiçosa e mal feita, rs. Mas sabe quando algo simplesmente faz sentido? Qualquer coisa. Quando você vê algo e pensa "e se for isso? E se eu estiver nisso?". Bom, eu me sinto assim todas as vezes que leio isso (inclusive no aplicativo do facebook, jogador de coisas na cara alheia)

Não sei dessa vez, nem das outras, mas tenho certeza que já fiz isso. Que já preferi acreditar em algo porque, pra mim, estava nas entrelinhas e não precisava ser dito. Porque eu achei que era melhor acreditar nisso no que em qualquer outra coisa. Mas dói mais, não? Mentir pra si mesmo, deixar de falar, de se expressar... Se agarrar tão forte ao que não existe sabendo que a queda será N vezes pior.

Isso me leva a questão do dizer. Do assumir. Do (de)mo(n)strar. Sei lá, dessas coisas. Não que eu seja a rainha das expressões, não que eu sempre diga o que eu quero e não que eu não me torture às vezes imaginando o que teria acontecido se eu fizesse isso ou aquilo, não que eu não fique imaginando se o que uma pessoa disse é o que ela sentiu ou o que ela achou conveninente. Mas isso, claro, também me remete a um fragmento "dele".
Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito.
Pena.

A gente não devia ter vergonha, realmente.

Eu não tenho argumentos contrário a isso. E pessoalmente acho que nunca consigo falar o que sinto, independente do que seja. Sei também que já deixei morrer coisas que quis falar, que não tive e talvez nem terei oportunidade - bem como já adiei um assunto por anos e mesmo depois disso, pude consertá-lo. Sei que pra falar, muitas vezes, preciso de estímulos e segurança (e que para não falar, escrevo). Mas eu gostaria que, em relação a mim, as pessoas falassem. Que me olhassem e dissessem. Especialmente o que é bonito. Parte dessa trava sobre não falar é não ouvir.

Sei lá. Talvez essa seja mais uma das coisas inventadas que eu vou vivendo. Nunca se sabe, né?

Antes que alguém pergunte, nada disso é uma indireta ou deveria fazer sentido. É só uma tentativa de, quem sabe, me encontrar. Porque no meio disso tudo, minha realidade e o que eu criei pra mim já se tornaram a mesma coisa.


obs: Quem souber de que textos saíram esses trechos do Caio F, por favor, avise-me.

1 comentários

  1. Lindo, lindo, lindo!
    Exatamente o que penso. Também estou numa fase questionadora de mim mesma. De meus sentimentos. Falando, escrevendo, enfim expressando todos os meus monstros interiores.

    Saudades de te ler, lindona!
    ;*

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.