Feminismo

me roubaram de mim.

15:51



Não deve ser novidade pra ninguém que tanto eu quanto minha autoestima somos bipolares. Quer dizer, há dias em que eu acordo me sentindo uma monstrinha e não quero, por nada do mundo, sair de casa ou encontrar alguém. Há dias que eu acordo e penso "caramba, hoje eu tô bem legal". Nos meus piores momentos (vide TPM) eu reclamo de tudo em mim pra qualquer um (ok, pra qualquer amigo mais chegado que eu sei que não vai  me achar uma psicótica pra sempre) que dê uma brecha. Mas no geral, acho que a gente tem dessas coisas, né? Sei que tem detalhes em mim que eu não gosto/tenho vergonha sim, assim como sei que voltar pra natação ou pro ioga, por exemplo, melhoraria. Mas também sei de um bom grupo de coisas que eu posso listar que gosto - e muito.

Por que essa ladainha? Domingo, dia de nada pra fazer e nada pra assistir, fiquei vendo matérias na Record. Vi sobre os perigos da obesidade mórbida, vi o menino-ímã e vi a última, sobre cirurgia plástica. Legal. Eu, sinceramente, não teria coragem nenhuma de encarar uma cirurgia (em casos estéticos) por menor que fosse. Tenho pavor, pavor mesmo. Tô feliz com meu nariz empinado, rosto redondo, etc. Sou feliz até com meu corpo nem-tão-avantajado-assim mas sem silicone onde quer que seja. Aceito bem até minhas celulites, sabe? Enfim... Record, não contente em esfregar na minha cara aqueles objetos cortantes e pavorosos joga pra cima de mim, sem nenhum pudor, os erros das cirurgias. Cicatrizes enormes. Infecções. Falsos médicos retardados de verdade. Preços absurdos. Desespero. Juro que eu fiquei desesperada com uma ou duas mulheres que apareceram.

Tinha também a que se casou pela segunda vez e reconstruiu o hímen para "oferecer ao novo marido sua virgindade". Tipo, OI? Mas né... Cada louco com sua mania.

Em um dos quadros, onde o repórter consultava adolescentes (péssima ideia), chamaram uma moça só de trajes íntimos para que o grupo dissesse o que ela deveria mudar no corpo. Tudo começou com um menininho de 12 anos falando sobre as gordurinhas da moça e seus seios. Espero que ela não se deixe levar por tudo isso...

Essa matéria me lembrou de algo que vi no Fantástico no começo do ano. A primeira matéria polêmica foi sobre anorexia e bulimia, apresentando uma adolescente em "recuperação" e uma mulher (casada, mãe, bom emprego) que estava "recuperada". Entre aspas porque quem sofre com esse distúrbio diz que nunca se recupera realmente, é uma luta diária. Se eu tivesse realmente me decidido por psicologia provavelmente ia trabalhar com esses casos, me comovem e me tocam (pois não consigo pensar que a culpa é da vítima), de certa forma. Enfim.

Curiosamente, nessas duas matérias, em alguma parte delas, o repórter questiona seus telespectadores com a seguinte sentença: "O que leva esse grande número de pessoas a essa busca incansável pelo corpo perfeito?". Quer mesmo que eu responda, sr juíz?

Voltando ao Fantástico. O repórter finaliza a matéria sobre distúrbios alimentares lamentando, como sempre e em seguida o programa lança uma reportagem de brilhar os olhos sobre modelos, atrizes, miss-não-sei-das-quantas, mulheres frutas-verduras-e-legumes, suas dicas para manterem um corpo lindo, artificial e desproporcional (ou vocês acham mesmo que bundas e peitos enormes são proporcionais à cinturas finíssimas?).

Depois dessa, deve ser realmente difícil descobrir porque muitas mulheres/meninas (em sua maioria, claro, porque também há a parte masculina nisso) se matam para serem perfeitas. Insira aqui ironia das fortes.

Preciso confessar que não sou lá o maior exemplo de vaidade do mundo, claro. Não pretendo nunca na vida pintar meus cabelos (gosto deles), maquiagem pra mim é a soma de lápis+gloss+rímel. Devo ter só um par de sapato com salto. Não tenho tantos problemas assim em relação ao que vestir. Mas como disse, não sou exemplo para nada.

Não julgo ninguém por querer, um dia, fazer cirurgia plástica. Não julgo ninguém por querer fazer dieta (tá... acho bobo em alguns casos). Mas eu queria muito mesmo saber porquê e por quem essa gente faz isso, sem sequer pensar nos riscos que vão correr. Pra chamar atenção? Pra se sentirem bem com eles mesmos? Pra não serem julgados? É que a meu ver, essas coisas são consideráveis quando são feitas por sua saúde, seja ela física ou mental (uma interfere na outra, não?). De resto, não acho que uma decisão que coloque sua saúde em risco deva ser feita pelo que te disseram, pela forma que te julgaram ou pelas piadas que fizeram. Sou daquele tipo de gente brega que acredita que a mudança vem de dentro pra fora. Primeiro, emocional e espiritualmente, depois, se necessário, esteticamente. Sou daquele tipo de gente brega que não vai achar bonita uma pessoa com 50 plásticas se ela não for divertida e/ou simpática.

E se digo tudo isso hoje é porque semana passada, sem querer, deixei escapar uma reclamação pra uma amiga que apenas me disse: " - A vida não é como em O Diabo Veste Prada ou em O Diário da Princesa. Você não vai mudar de um dia pro outro e ninguém vai fazer isso por você. Você só precisa se aceitar". E foi aí que eu entendi. Tudo.

Acho válido fazer algo que queremos para nos sentirmos bem. Acho mesmo. Desde que isso não interfira na sua saúde, já que como diz mamãe "não somos nada sem saúde". Mas não acho, de forma alguma, que você deva fazer algo pelos outros. Seu vizinho não paga sua conta. Seus "amigos" também não. Seu namorado muito menos (e nesse caso eu não vou me alongar em comentários, não quero ter que discutir com ninguém depois). O cretino da rua que mexe com quem quer que passe não paga sua conta. Ele nem merece sua atenção. E mesmo que seus pais paguem suas contas, filtre os comentários sérios e reais e os "sem fundamento".

Lembro de uma vez, no segundo ano, que uma colega queria conversar por bilhetinhos e me mandou um perguntando porque ela era feia e nenhum cara se interessava por ela. Minha resposta: duas folhas. Perdi uma aula inteira, na raiva. Também lembro de quando briguei com uma pessoa que queria emagrecer porque lá na academia de dança decidiram que ela tinha que emagrecer.

Não sei se consegui passar minha mensagem, mas esse assunto é algo que me entristece+me deixa irritada+me preocupa. Eu queria, realmente, que as pessoas parassem de acreditar que existe UM padrão de beleza, UM padrão de perfeição que deve ser seguido. Queria que as pessoas se aceitassem mais, ainda que não 100%. Queria que as pessoas parassem de associar a quantidade de caras/meninas que seus amigos(as) "pegam" à beleza. Queria que as pessoas parassem de colocar sua vida em risco por quem nada tem a ver com elas. Queria que as pessoas fizessem mais por si mesmas que "pelos da rua".

Você pode ser a pessoa mais desejada, disputada, mais sarada, mais magra, mais cheia de plástica, mais popular... Mas nada disso conquista o que todo mundo quer: amor. Se não tiver caráter e capacidade de pensar por si próprio, será só mais um. E de clones o mundo já tá cheio.

(do tumblr)

16 comentários

  1. opa, cá estou eu pra discordar de vc.
    eu acho sim peito/bunda proporcionais a uma cintura fina (não mto fina,e desde que peito e bunda sejam proporcionais entre si).
    e poxa vida, eu até concordo que a gente tem que se aceitar, mas e quando a gente não consegue isso? nem tudo é radicalismo.dá pra mudar numa boa, e autoestima não é uma coisa que se eleva facilmente, eu que o diga.
    mudar, não o que você é, e sim o que você está, é muito válido. eu apoio. e eu tento isso todos os dias.
    beijubas.

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  2. Eu cordo eu gênero, número e grau.E complemento que não adianta nada você fazer uma cirurgia pra mudar(digo mudar de uma maneira drástica, não pintar o cabelo!) a aparência acreditando mudar a auto-estima, pq o problema está na cabeça e se não corrigir lá,ou tiver a noção bem clarar do que as coisas realmente são e o que significam você vai querer SEMPRE mudar alguma coisa, ou pior pode achar que não há mais nada pra mudar e tudo está perdido.Digo isso inclusive pois uma amiga minha acabou de colocar silocone e ela sabia que era somente peitos,e colocá-los a faria se sentir melhor?Até fez, mas isso porque ela se reconhecia como uma pessoa bonita de verdade apenas ali que ela não conseguia se sentir "completa", então o processo foi pra concluir esteticamente aquilo que ela sentia falta pra reforçar uma idéia e sensação que ela já tinha ddentro de si.E realmente as mudanças de dentro pra fora são bem mais difíceis, mas é exatamente por isso que são inúmeras vezes mais importantes e realmente essênciais quantos as estéticas.Eu sou até mais rigorosa do que você com isso, acho.Mas que realmente acredito que só válido quando a pessoa não deposita toda a razão da sua vida e bem estar em cima de uma conquista estética.Aceito quando vejo que a pesoa tem noção de tudo daquilo que se é e aquilo que realmente vai ganhar com uma mudanças como essas, por que do contrário seria um absurdo vc operar( qualquer outra mudança seria) uma pessoa doente,que pra mim é doente MESMO!Com valores e idéias trocadas que além de atordoarem o picológico não mudarão, e sem perceber você vai apenas disfarçar um problema sério e grave, e que quando voltar pdoe sre muito pior e muitas vezes não vai haver cirurgia que ajude.Talvez ai as pessoas realmente percebam o quanto a auto-estima tem haver com a cabeça, com o coração com a alma da pessoa, com tudo que ela é, e realmente passam a valorizar isso tudo ao invés de sempre almejar uma outra aparência que a torne mais "aceitável".Saúde em primeiro lugar SEMPRE, se não é capricho.E isso reduz as pessoas a meros bonecos de vontades infantis e/ou doentias.

    E até me meto um pouquinho na fala da menina à cima(rs) que aquilo que você está reflete semrpe de alguma forma aquilo que você é, aquilo que sente e pensa sobre si sobre as coisas.

    E digo que não sou rianha da auto-estima , muito pelo ao contrário!Brigo com ela de mais, aliás ela muito mais comigo mas esse discurso que fiz aqui é o que faço sempre a mim mesma.Que pode até não consolar sempre, mas sei que quando o momento de "desespero" passa ele continua lá firme e sólido.=)

    Beijãooo minha Fraaaan!!=D

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  3. Então, concordo e discordo, se aceitar é bom, mas tem que haver mudanças (nenhuma louca) em você e por você, temos que sempre estarmos arrumando-nos do jeito que gostamos, que nos sentimos bem, mas temos que fazer isso por nós mesmos e não pelo restante da sociedade-que-exige-meninas-perfeitas. Tenho coisas em mim que odeio, O-D-E-I-O, são imperfeições que sinto raiva mesmo,e que ninguém nem percebe, pois são imperfeições quase imperceptiveis, mas que eu não gosto...agora em vez de surtar com elas eu aprendi a lidar, não vou fazer uma cirurgia só por estética de jeito nenhum, embora já tenha algumas vezes pensado em aumentar isso ou diminuir aquilo, não tenho de entrar na faca, rs, não ligo para o meu quadril largo e meu tamanho minusculo (só as vezes), vivo fazendo dietas-loucas-de-um-dia, acho normal você buscar um corpo perfeito, mas buscar porquê isso te faz bem e não pelos outros, uma busca sádia pela quase perfeição, (negrito no quase pq ser totalmente perfeito deve ser uma droga) é claro que a midia influencia muitas menininhas e menininhos (sem cabeça ou em fase de desenvolvimento) mas ser aceito não é o menos que ser aceito pela sociedade, pra mim, na minha cabeça, eu sou aceita por mim e isso já basta.

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  4. Fooooooooofa, olha: adorei seu texto, você é de uma opinião sensata e condizente, então vou dar meu parecer aqui: Eu não sou contra cirurgias estéticas, mesmo porque meu sonho é colocar silicone. Mas não porque os caras acham isso e blablabla, e sim porque me sentiria bem melhor com um decote maior, vestidos decotados, acho bonito seios voluptuosos(sem exagero,claro). Antes de eu dar meu primeiro beijo, achava que ninguém nunca iria me querer porque meu cabelo era cacheadinho e eu tinha corpo de menina. Pois bem: tive meu primeiro beijo, meu primeiro namorado, meu segundo namorado, fiquei com muitos caras, e tudo isso do jeito que eu sou. Claro que nós podemos nos reservas às nossas vaidades, assim como me acho bem bonita de cabelo liso. Mas não por pressão da maioria. Nunca colocaria silicone no bumbum pra ter bumbum enorme... é preferência nacional? Bom pra eles. Pra mim está bom assim e vai ficar assim. Eu aprendi a me amar antes de amar qualquer pessoa, e acredite: funciona! Quando eu saio de me acho linda, todos na rua concordam.

    Ps.: A mulher que reconstitui o hímen é a Angêla Bismarchi, não?!

    Adorei aqui e estarei sempre visitando! Estou seguindo! Me siga e visite: http://biacentrismo.blogspot.com

    Beijos!

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  5. Como eu já te disse... Complicado, né.
    Enquanto as pessoas não perceberem que a beleza é muito muito muito mais que isso, palavra nenhuma vai desconstruir essa ideia.

    Um beeeeeeeijo, minha florzinha.

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  6. Olha, isso é bastante relativo. Porque se você for gorda de 100 kg, você tem de se aceitar assim? Bom, aí sua saúde se dana. E se você não estiver satisfeita com algo, pode mudar, mas que seja uma mudança saudável. Acredito que devemos mudar para melhor, se isso nos fizer bem. Eu por exemplo, estou satisfeita com meu corpo, mas gostaria de ganhar massa,porque sei que me sentirei bem. Se todos tivessem de se aceitar como são, não pintariam o cabelo nem fariam as unhas. Acho temos de mudar para melhor, de um jeito saudável e que nos faça bem.
    Beeijos.

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  7. Se o mundo passasse de se importar mais com o interior do que com o exterior, seríamos todos muito menos fúteis e muito mais felizes. Acho que eu disse tudo. rs

    Beijos Fran.

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  8. seguindo, texto gostoso, cadenciado...

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  9. O mundo anda entupido de futilidades. Bonito é esse teu jeito de pensar: o que mais vale é o que a gente tem.

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  10. Sabe, é difícil falar de um assunto assim, pois trata de uma coisa tão própria do ser humano.
    Porém há excessos que devem ser evitados.
    40, 50 cirurgias pra tirar isso, colocar aquilo, mudar de lugar aquilo outro é uma coisa ruim e ferrenha.
    Se aceitar nem sempre é fácil, mas temos que perceber que somos o que somos e não podemos mudar. Pelo menos não muito. Ou talvez sim. Mas aí talvez deixemos de ser nós mesmos e passaremos a ser outra... coisa.
    Cuidar da saúde, do corpo é bom, mas precisamos lembrar que, também, devemos alimentar a mente.
    E acredito que uma mente bem alimentada evita que a gente se engane e se deixe levar por coisas tão supérfluas e banais quanto o sofrimento pelo desespero da beleza.

    Beijo!

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  11. Bem, como você mesma disse, "cada louco com sua mania", né?! Essas coisas são complicadas... Nós adubamos nossa mente e espírito, outros adubam seu peito e buzanfa, hahaha! Mas cada um faz o que curte, e infelizmente, você não vai conseguir mudar o mundo!
    Eu também já tive essa pretensão e não consegui, hehe!


    Curti passar pro aqui, seu blog tá cada vez melhor, levantando sempre discussões pertinentes!

    Beijão!

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  12. A nossa sociedade faz tudo isso com as pessoas, junta a sociedade e a mente fraca de algumas pessoas e dá nisso: me*da.
    Eu concordo contigo, não tenho coragem de fazer cirurgia plástica. Morro de medo. Não sou linda, mas gosto de mim assim. Ou pelo menos me aceito!
    Bjos ;*

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  13. Ok senhorita Franci,tu realmente me arrepiou com o texto todo, e principalmente com o final :O
    Cara.HJAUAHUAHAUA
    Mas é verdade,as pessoas nunca estão satisfeitos consigo mesmas e por isso inventa aquelas dietas malucas que os próprios médicos desconhecem.HAHAHA.Quando na verdade, o amor - aquele sentimento que toooooodos almejam - não pode ser comprado pelo amor.O cara vai gostar de você se for feia,se for gorda; desde que seja lindo o que tem por dentro *_*
    Só acho que existe uma exceção né? Por ex, a bulimia é uma doença;isso afeta completa o neurólogico.Mas tirando isso,é tão fácil gostar de si mesma (:
    Eu também não sou vaidosa e adoro meu cabelo liiiiiiiisoo e minhas gordurinhas localizadas.HAHAHAH *_*
    Ammei o texto,
    Fran <3

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  14. Você tem que se aceitar pelo que é, fato, fato.

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  15. Adorei teu blog,gostei tanto que resolvi ficar ja estou te seguindo e sempre estarei por aqui a te lêr e comentar deixo aqui meu blog se você gostar siga,sinta-se a vontade o cantinho é seu também bjos tenha um lindo dia!

    http://julikotona.blogspot.com/

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.