Pitacos

Senhora dona da razão.

17:05

Quando saí da oitava série, achei que me veria livre de todos aqueles aborrescentes chatos e infantis. Tive sorte de, pelo menos onde cursei meu ensino médio, a taxa de infantilidade cair bastante, ao ponto de no terceiro ano, já não (me) incomodar mais.

Quando colei grau, achei que ao chegar na faculdade as pessoas seriam mais velhas e maduras e eu, com toda pose de menininha-meiga ficaria isolada ou amadureceria depressa, devido a convivência. Mas há uns dois ou três dias tive a confirmação do que eu suspeitava: vezenquando eu acho que o sr. da van errou o caminho pra casa dos universitários e foi buscar as criancinhas da creche. Eu explico.

Eu tenho pavor, pavor, de gente que acha que é o(a) senhor(a) da razão. Dia desses, por exemplo, uma amiga estava me escrevendo um "bilhete" na volta da faculdade e, com tamanha encenação, fulana me pede pra apagar a luz. Pedi um minuto. UM MINUTO. E o que recebi foi um draminha básico de "mas eu quero dormir...". Luz apagada, o que ouço são palmas. Me deixa feliz saber que todas têm mãos, né. Todos perfeitos, como disse uma das - raras - que se salvam. Em seguida, cantorias. Como se alguém fosse dormir, pensei. Como se eu tivesse acreditado nisso desde o começo. Humpf.

E, bom... Eu não sei vocês mas eu tenho pavor (também) de lugares completamente fechados. Meu antigo professor de educação física dizia que o que esquenta no frio é roupa, não fechar todas as janelas e portas possíveis e imagináveis. Então, toda vez que estou na van, abro um pouco a janela, um dedinho, porque, sabe... Não quero ficar doente caso alguém esteja gripado. E o que eu ouço, senhores? "Nossa, tem gente que tá na praia".

Na praia. Por um pouquinho de vento que sequer alcançava o banco de traz, quanto mais o do fundo. É. E eu achei que o problema estava nas senhorinhas de ônibus que fecham todos os vidros ao menor sinal de tempo nublado.

Um último fato: Quando chego na aula (atrasada no mínimo meia hora, porque isso eu também tenho que aguentar em relação ao transporte que uso), só tem lugar no fundo da sala, mas pelo menos tenho minhas amigas lá. Daí eis que numa linda e bela aula de filosofia onde tínhamos que ler um texto de Nietzsche e dizer, DIZER sobre o que se tratava o texto e o que chamou nossa atenção NO TEXTO e o que achávamos que O TEXTO queria dizer, beltrana chega uma hora depois que a aula começou, se infiltra no meu grupo lindo e adorado e quer pagar de sabe tudo, discutindo com Nietzsche, dando piti, achando tudo errado e a maior falta de educação não acreditar no Deus católico dela (e eu que acreditava em livre arbítrio e liberdade de expressão, ai ai). Devo dizer que em momento algum a Igreja Católica foi citada no texto.

Devo também dizer que beltrana não leu o texto e sequer tinha o xerox e caiu de paraquedas numa aula que já chegava no seu fim. Mas beltrana é tão cara de pau que sequer percebe quando se contradiz nas aulas de economia, que dá showzinho inoportuno nas de língua portuguesa e que trata qualquer um que ouse chegar perto com uma (falta de) educação que eu nunca havia presenciado. Fico imaginando quando for (caso consiga) exercer, de fato, a profissão. Sensacionalismo, aí vamos nós.

A moral do meu desabafo-revoltado é: sinto vergonha alheia por essa gente que se acha dona da razão sem sequer saber o que tá falando e sem saber respeitar o que o outro diz. Sinto vergonha alheia também por quem acha que agir como (ou pior que) criança é o que há. E dessa gente que não quer nada da vida e entra na onda.

Por favor, me digam que essa coisa vai melhorar. Ainda bem que eu nunca pratiquei uma luta na vida...

4 comentários

  1. Vixxi
    De qualquer forma, a pior parte foi a da van.
    SAbe, desde que cheguei em SP, sinto uma falta absurda de gentileza. A grande maioria dos paulitas não sabe o que é isso :s
    tsc.

    ResponderExcluir
  2. Vai melhorar, sim!

    bom fim d semana,
    beijo :)

    ResponderExcluir
  3. Olha, sempre vai ter alguém infantil, sabe? O bom é não se importar com o que essas pessoas fazem, e deletá-las da sua vida. Ou seja, o que elas fazem ou não, você não se importa, porque não é você que tem a mente pequena como elas. Então, infelizmente a falta de desenvolvimento é dessas pessoas, e coitada delas. Por isso, deixe pra lá e relaxe. :)
    Beeijos, Fran.

    ResponderExcluir
  4. Isso é o que se tem quando lidamos com seres humanos.
    Gente querendo colocar não só a si, mas também futebol, religião e tantos outros assuntos que causam discussão e revolta em primeiro lugar.
    Se esquecendo que o bem estar de todos depende de aceitação e respeito.

    Meu beijo!

    ResponderExcluir

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.