A Menina que Roubava Livros

Amor no nosso século

12:03

Ontem passei a maior parte da tarde vendo os vídeos sobre "O que é amor pra você hoje?", do blog Dont' Touch My Moleskine. Mostrei os vídeos para umas pessoas, fiz a pergunta para cinco, me irritei profundamente em alguns pontos, enfim. E percebi o quanto isso é importante pra mim  (tanto que, pos dois anos, este blog foi só sobre isso).

Pois bem. Hoje em dia é, para alguns, muito fácil dizer eu te amo por aí. Muito fácil amar, superficialmente, qualquer coisa ou alguém. Acho até que é isso que Bauman questiona em Amor Líquido, e eu vivo discordando e batendo o pé. Acho que o cara é muito pessimista e, apesar de saber que infelizmente essas coisas existem, eu gosto de acreditar que não é assim no meu mundo. Não é assim comigo.

É inquestionável o amor que temos por nossa família, por exemplo. Eu não sei dizer o que seria de mim sem todos eles, mesmo com as inúmeras brigas, não sei dizer como seria se eu chegasse em casa e eles estivessem acordados ainda, esperando minha volta da faculdade. Não sei dizer como as coisas seriam se eu não tivesse o Max, meu cachorro, mesmo que eu grite com ele todo santo dia pra ele aprender a não arrebentar a fechadura do portão sempre. Não seria a mesma coisa se minha vó não brincasse comigo fazendo caretas e me chamando de cabrita, ou se minha tia e seu marido não estivessem por perto pra me acolher em São Paulo ou me contar sobre concursos públicos (mesmo me chamando de autista e dizendo que faço fotossíntese...).

Isso, pra mim, é amor. E mesmo que as coisas se tornem insuportáveis algumas vezes, eu sei que elas vão passar, como já aconteceu.

Eu não posso negar que tenho amor pelas minhas coisas. Ninguém chega perto dos meus livros sem que eu permita, por exemplo. Nem do meu notebook. E mesmo estando todo arranhado, eu não me desfaço do meu celular. Materialismo? Pode ser. Mas ninguém sabe o que cada coisa representa pra mim. Só eu.

Daí vem aquela coisa de amor de amigo, que (quando é forte) a gente trata de qualquer jeito, como se fosse de casa. A gente quase mora na casa dele também (Eu fazia muito isso ano passado. Bons tempos). A gente manda mensagem no meio da tarde reclamando da vida e falando que vai botar fogo em tudo. A gente aguenta um "sua vadia, você não sente a minha falta!", a gente oferece a casa, e eu, mesmo morrendo de medo, empresto esse ou aquele livro. Quer demonstração maior de amor? A gente manda cartinha, bilhetinho, chama de bisca ou lembra o quanto ele pode ser irritantemente ignorante às vezes. Mas a gente ama. E a gente desculpa as falhas e pede desculpas - mesmo com um orgulho imenso dizendo "não faça isso!". Mas é o que dizem: a gente pede desculpas, não por estar errado, mas por reconhecer o valor daquela pessoa pra nós. E eu quero deixar bem claro que incluo aqui meus amigos reais e virtuais, que no fundo, existem, então só fazem parte da primeira categoria.

E aí vem o amor... A Q U E L E tipo de amor. O amor mais temido por todos, um monstro do pântano. O que faz você sofrer e...

MENTIRA!

Eu nunca consegui acreditar que amor faz sofrer e um dia pude confirmar isso no dicionário, quando fui procurar o significado de "paixão" e "mágoa" estava incluído. Tomei um susto quando fui procurar "mágoa" e lá estava a "paixão". Amor, segundo o mesmo, é querer bem. A maior demonstração de amor pra mim é quando você se orgulha de estar com quem está, mesmo quando a pessoa é um traste, em qualquer que seja o sentido.


Eu confesso que sou romântica demais, sentimental demais e emocional demais. Sei que eu sou como as mocinhas de romances/comédias românticas, esperando o cara legal que não seja um vampiro e, ops, imaginando, lá na frente, que um dia eu terei uma família de lindos. Provavelmente é por isso que eu gosto tanto de livros e filmes desse gênero. Não suportaria, confesso, ter um John (Querido John, livro), que fizesse tamanho sacrifício por mim. Mas eu me imagino vivendo Sophia e encontrando, finalmente, meu Charlie (Cartas para Julieta), me coloco no lugar de Vivi, tendo um Rafael tão incrível (Entre o Amor e a Amizade) e não me importaria se minha vida se tornasse o romance de Nikki e Alex (Desculpa se te chamo de amor), se fosse uma história tão cômica quanto à de Blanda e Bernardo (Nove Minutos com Blanda) ou fosse algo tão puro quando Liesel e Rudy (A Menina que Roubava Livros), mas sem o gosto de arrependimento. Não posso dizer qual meu casal preferido e muito menos qual história gostaria de viver. Eu sei que quando a minha chegar, será muito melhor. Será real.

O negócio é que todos esses contos de fada modernos me ajudaram, numa longa caminhada, a descobrir o que é amor. Não é amor se você está com alguém, chorando pelo ex e fazendo promessinhas mas, no outro dia, já faz planos de casamento com aquele a quem você deveria ter se dedicado desde o começo, desde que aceitou iniciar essa história. Não é amor quando sufoca, quando vocês viram um casal bolha (termo de uma amiga minha, Marcelli). Não é amor quando você deixa de viver sua vida, quando você não tem espaço, quando você quer controlá-lo(a) ou quando vocês trocam farpas. Não é amor quando uma das partes engole sapos, quando alguém tem que se submeter. Não é amor quando você vira um detetive investigando a vida do outro. Não é amor se prende.

Amor é um sorriso, é uma mensagem lá do outro lado do mundo dizendo "lembrei de você". É uma carta, um postal, um bilhete, um olhar mais demorado, um abraço. É tolerância, é respeito, é se doar um pouquinho. É sentir falta de alguém quando ela some ou quando se atrasa por cinco minutos. É perdoar, mesmo que na sua mente você já tenha a assassinado com as próprias mãos de tanta raiva. É passar horas falando sobre nada e não se sentir tão idiota. É dedicação. É reconhecer você numa outra pessoa, porque você só ama alguém quando sabe se amar. É paciência. É dar valor, é cuidar... E sempre vai ser aprendizado.

É, não entender tudo que acontece, mas entender que existem várias formas de amor.
Quantas almas gêmeas/pares perfeitos/metade da laranja/tampa da panela/par do tênis você acha que existem pra você?

19 comentários

  1. Belo texto!

    Não poderia cair no meu monitor em melhor hora!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Para mim o amor mais verdadeiro continua sendo a amizade.

    Meu beijo.

    ResponderExcluir
  3. A maior prova de amor, é o amor de nossas mães. É uma coisa incrível, de como elas cuidam tanto,perdoam tudo e relevam certas coisas ruins que o filho faz. Para mim isso sim é amor. <3
    Ficou lindo teu post ><
    :**

    ResponderExcluir
  4. Amor... amor é uma coisa mto complicada, e pra piorar, existe de várias formas. Quando uma coisa existe em variedade, só complica a nossa vida. Mas eu gostei da sua definição, e eu acho que é isso mesmo. :D Respeito e admiração, pra mim, são os principais em todo tipo de amor. Ou o amor simplesmente não existirá.

    Beeeijos Fran

    ResponderExcluir
  5. oooi =)
    eu to mandando esse spam como to mandando pra todos, eu to sem seguidores e leitores ;S
    haquearam meu outro blog, raiva perdi todos os meus contatos queria sua ajuda, so comentando no meu blog e me seguindo !
    desculpa pelo spam !
    beeeijos ;*

    ResponderExcluir
  6. É sempre tão lindo o que você escreve, Fran. Mas acho que o amor verdadeiro vai muito além de tudo isso. E arrependimento também. Ah, lembra que te falei sobre minhas teorias anti-sofrimento e superficialidade? Elas terminaram, não existem mais. Não é amor se você não se entrega.

    ResponderExcluir
  7. Nunca vi um texto sobre amor mais verdadeiro do que esse. De verdade

    Se me fizessem essa pergunta a uns dois anos atrás, ou menos, eu responderia que é algo que não existe, a não ser entre família, mas na minha cabeça eu responderia que é algo que te faz sofrer, chorar e tal.
    Hoje em dia, se me perguntassem isso, responderia junto com a minha cabeça que é tudo aquilo que me faz feliz. Amor não é um bicho de sete cabeças, não é sinônimo de sofrimento e dor. Amor é a coisa mais pura que existe no mundo, então, como pode o amor fazer mal?

    Adorei o seu texto, adorei demais. Acho que o que está faltando para muitas pessoas é aprender o real significado do amor, e entender que amor, aquele verdadeiro mesmo, a gente não encontra em qualquer esquina. Amor a gente cultiva durante toda a vida.

    ResponderExcluir
  8. Olhaaa blog novo hein? Adorei. E o texto nem fala!
    Bjo minha blogueira/twitteira prefeira ;**

    ResponderExcluir
  9. Adorei muito esse texto, achei lindo!
    Porque eu concordo que amor é uma coisa pura e verdadeira, que deve ser natural e trazer alegria. Adorei Cartas para Julieta também, amo esse tipo de romance leve e real. Porque eu acredito que pode ser real, que vai ser real. Um dia, pra mim. Acho que se a gente para de acreditar, tudo perde o sentido.
    Bjs
    :)

    ResponderExcluir
  10. Amar virou banalidade confundem com tudo :(
    Adorei aqui,fico pra ouvir o discurso.
    :):*

    ResponderExcluir
  11. amor é privilégio.
    é o sentimento da mais alta patente.



    bjsmeus

    ResponderExcluir
  12. hoje toda "possibilidade" se torna "amor de minha vida". ficou tão facil dizer "eu te amo". ama-se tudo e todos, e saem por ai proclamando "O Santo Nome" em vão ( como ja disse o Drummond).
    amar é querer bem, amar é sentir pelo outro, amar é cuidar, é saber de todos os defeitos e ainda assim , amar, é aceitar e compreende, é gritar e brigar quando precisa. amar é acima de tudo querer ficar.
    não se ama profundamente, de verdade todos os dias.
    amar de verdade é tão grande que não se repete...

    ResponderExcluir
  13. A gente sempre tem a impressão de que o amor é que causa a dor, mas nossa hoje vc me mostrou coisas que eu não entendia, mas agora faz sentido.
    Gostei do post
    Bjos ;*

    ResponderExcluir
  14. De verdade? Acho que só tem um... um amor... uma metade... por isso, eu quebro a cara sempre...


    feliz páscoa pra ti... muito amor e renovação...

    "que seja doce" os dias vindouros...

    Bjos

    ResponderExcluir
  15. Visitei sua casa

    Visite a minha também
    O endereço é:

    http://verdorinvisivel.blogspot.com/

    Beijos

    ResponderExcluir
  16. Hoje eu fiquei pensando mais ou menos sobre isso de filmes românticos... Tenho 16 anos e nunca vivi um grande amor, então só fico na imaginação. E, grande parte dessa imaginação se deve aos filmes de fairytales modernos que existem por aí... Às vezes é meio chato esperar, mas né? Um dia meu príncipe chega.

    Obs: Não gostei desse filme "Cartas para Julieta", quase dormi no meio dele... :(

    Beijos

    ResponderExcluir
  17. Não precisava dessa indireta em vampiro, mas tudo bem, mesmo que eu não espere um, magoou. ;x Er... Amor é algo desconhecido para mim. Nem após tantos livros de romance consigo entender o que seria amor, talvez só entenda quando viver um, até lá só sonho.

    Beijos

    ResponderExcluir
  18. Amor... provavelmente ja amei várias vezes e devo continuar por um longo tempo... mas eu continuo procurando (?) -não procurando não... apenas, vivendo... (:
    BJão =^.^=

    ResponderExcluir
  19. Nossa legal o texto, falar de amoor é sempre complicado néh'
    Bem interresante...
    Ainda bem que não foi um tédio como a maioria dos textos que leio, esse sim valeu apena!
    Parabééns Fran.
    Depoiis da uma passadinha no meu bloog vou ficar muito feliiz com sua opinão no meu blog'
    Passa Lá! Espero sua viisitinha!
    http://entenderecomplicado.blogspot.com/
    Beiijo'

    ResponderExcluir

Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.