crônicas e contos

das minhas cartas pra você.

21:58

Eu não sei escrever cartas de amor. Gostaria, mas não sei. Sinceramente... (E tenho consciência de que todas as cartas de amor são ridículas, Pessoa, como eu). Sei que inúmeras vezes soei tão ridícula quanto essas cartas, mas simplesmente não sei colocar tudo que quero em palavras, entende? Quer dizer, eu sequer saberia como começar. E o final, meu Deus! O que seria do meu final? Já imaginou quão patético seria? E eu sempre me lembraria de uma brincadeira ou outra, de uma frase engraçada ou de alguma palavra errada. E teria que citá-las. Você sabe, eu tenho medo... Não. Bem, na verdade, você não sabe, mas suspeita não é? Todos suspeitam. Todos dizem isso. Eu não tenho quase nada no “my heart”, tanto quanto no site de mesmo nome. Tenho só as vontades, que são de qualquer lugar do corpo, menos de lá. Essa vontade monstruosa de me divertir, sei lá. Sair, beber, descobrir que há outros braços entre os quais eu possa estar, numa mesma noite. Tudo isso pra esquecer que eu não sei escrever uma carta de amor. Pra você. Tinha mesmo que ser você? De verdade, você não poderia ser apenas mais um desses braços no meu dia? Você sequer percebe, mas cada coisa sua que se passaria por um simples detalhe faz tanta diferença pra mim. Cada palavra. Você provavelmente nem se lembra, mas eu sim. Lembro-me sempre de todos os arco-íris depois das tempestades, porque essa é a ordem. Lembro-me bem da primeira chuva que eu tomei com você. E foi ali que eu percebi! Você me puxou pela mão para nos escondermos, você riu do meu cabelo completamente molhado. Já nem adiantava correr, mas você disse que eu ficaria doente. Como se você se importasse, eu disse. E rimos, e ficamos ali, esperando... E você se esqueceu de soltar minha mão. Então eu percebi que te devia algo, que algo meu era seu. Isso soa tão piegas, não? Tão brega, tão clichê. Eu tive aquele desejo infinitamente clichê de te beijar na chuva, confesso. O que você diria sobre isso? Porque eu... Eu juro que queria te dizer tanta coisa tão bonita e o quanto eu curto você, e o quanto sinto sua falta. Odeio te esperar, sabia? Eu desligo o celular por umas horas só pra me livrar dessa vontade. E ligo depois, com remorso. Sequer mando uma mensagem de texto, porque nem mensagens de texto de amor sei escrever. Nem sei se é isso, amor. É engraçado pensar, não é? Mas é o que me dizem... Não eu. Eu não defino. Eu apenas me sinto bem. Entende? Bem. Me sinto leve. Sem essa pressa, sem pressão, sem definir. Mas eu queria te escrever tudo isso, e tanto mais. E isso não é comum, sabendo o que sabemos sobre meus extremos. Mas eu queria escrever. Pra lembra-lo. O quanto curto, o quanto gosto. O quanto tudo isso foi. E será.

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três recados e um pedido de desculpas:
- (1) minhas aulas na faculdade começarão segunda, e eu tô com um trabalho temporário, então talvez demore (ainda mais) pra postar aqui.(2)  Mas eu conhecerei a Gabi, do 187tonsdefrio! Pasmem! rs. (3) pensando nisso, quero saber o que vocês acham de eu incluir postagens que não sejam apenas contos, mas opiniões sobre livros, etc.
- realmente: me desculpem por toda e tanta demora!

10 comentários

  1. As vontades nos movimentam. Nos fazem olhar para frente. E quando a gente de repente estanca e não percebe o que a gente realmente está sentindo é estranho e dói. E escrever muitas vezes é o que ajuda. O que salva. E nessa tua carta. Sim. Porque isso é uma carta de amor e com amor você mostra o quão difícil é essa ausência de coisas que muitas vezes a gente nunca experimentou, mas sente uma vontade imensa de experimentar.

    Meu beijo!

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  2. Amiga você não tem noção do quanto estava precisando ler algo assim. Adorei seu texto, de verdade.

    Um bjo enorme no coração :g

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  3. Imagina se vc soubesse escrever cartas de amor.
    Amei, tão sincero, lindo como tudo o q vc escreve.
    Acho legal a sua ideia, opinião e dicas e sempre bom..
    Bjos ;*

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  4. Nossa cara,isso foi lindo.
    Me fez refletir bastante.
    Amei,amando tudo aqui.
    Bjooz
    http://marcadorfluorescente.blogspot.com/

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  5. Ai Fran q coisa mais doce e bonita essas palavras.

    E muito muito obrigada pelas palavras, fico grata de vc gostar delas.

    Beijos querida ;)

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  6. Queria acreditar que existem outros braços. Até tento, mas... Não encontro... Como acreditar no que não se vê? No que não se sente?

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  7. - Adoraria ler sauas sugestões de livros, Fran!!
    ^^

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  8. Passei pra dizer que tem um selinho para ti lá no blog. Passa lá pra pegá-lo depois :D

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  9. Que saudades de falar do amor dessa forma, só falo em pontos negativos, é bom lê algo assim. Eu consegui dá um destinatário para essa carta, Fran. HAHAHAHAHA. Comentários a parte. But, você vai ser a próxima sensação de escritores em breve, vai ver!
    PARABÉNS PARA NÓS, ESTAMOS NA FACULDADE! HAHA <3
    Beijos
    te amo amiga <3

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.