crônicas e contos

Quimera.

14:00

Eu tenho uma coisa pra contar, e talvez doa. É fato: quando uma promessa for feita pela segunda vez, é sinal de que ela não merece credibilidade. E é tão óbvio que não posso acreditar que não pude ver isso antes. Não posso acreditar que acreditei em suas palavras clichês pela segunda, terceira vez. Que você se importava, sabe como é? Sinto vergonha de, tão ingenuamente, ter te ouvido em todas essas vezes. Essa mesma história. Como se após anos dizendo que não mudaria por ninguém, você fosse mudar por mim em questão de dias. Chega a ser patético, não? É patético quando alguém faz exatamente o que disse para suas amigas não fazerem de jeito nenhum. É tão ridículo que o que me resta é rir. Porque se eu não rir - de você, de mim - isso só tende a cutucar ainda mais.
Eu nunca escondi de ninguém, tampouco de você, minha fraqueza. Sou fraca. Frágil. Por vezes, muitas vezes, carrego mais do que gostaria ou aguentaria - na alma, na cabeça e no coração. Não quero, jamais, que você tire de mim tudo que posso suportar; essa caminhada é minha e por mais que eu tenha absorvido coisas que nem sei, isso é comigo. Mas eu preciso de companhia. Preciso saber que você não vai rir quando eu resolver falar tudo que eu guardo por ter confiado em você quando você disse que eu poderia falar, que não seria difícil, que não arrancaria pedaço. São minutos que me parecem tão sinceros. E talvez essa seja a única ilusão em que gostaria de acreditar: que foi sincero, que você foi sincero, que você não precisará fazer pela milésima vez aquela promessa de que tal coisa não vai se repetir porque me faz mal e você não quer isso, porque você fica chateado quando me chateio. Sinceramente, eu queria sentir um mínimo de verdade quando você sorri pra mim e diz que não quer discutir.
Uma mão pra segurar. É tudo que eu preciso, sabe? Só disso. Não vou te tirar do seu mundinho confortável, muito menos te fazer mergulhar no meu mundo cheio de paradoxos, antíteses e contra(in)di(ca)ções. E quando eu digo que eu só preciso de um pouco de paz, eu só quero que você entenda minha paz, que deixe com que esse raro momento em que eu me permito ser vingue. Que não fuja, que não finja, que não me trate como se eu não existisse. Que entenda que são preciosos os momentos em que eu consigo me encontrar comigo mesma, momentos onde toda carga que carrego parece não ser mais que umas plumas. Um conjunto delas. Juntas feito colcha de retalhos. Tirando-me desse chão cinza e sujo e dando-me, milagrosamente, asas. Eu só peço que não as quebre, corte, pode ou maltrate com tamanha indiferença. Da forma que fui feita, também preciso de palavras e não as quero no momento em que eu estiver apresentando um sorriso como um ator enquanto encena comédias. Eu quero ouvir exatamente no meu pior momento, nesses em que busco enlouquecidamente essa coisa de paz interior. Acredite, meu bem, que quando isso acontece é sinal de que cheguei ao meu limite. Quero ouvir. Sabe? Quero que você me faça acreditar no que diz, no que repete como uma fita cassete velha no replay. Quando repete que gosto-de-conversar-com-você-é-sério. Sabe? Você pode me entender? Porque ouvir... Ah! Ouvir você nunca irá. E eu tenho sã consciência de que nunca é tempo demais.
Se pudesse deixar aqui um pedido pra você, eu pediria, pura e simplesmente, que você pensasse. Nada daquele tipo moralista sobre pense nos seus atos ou pense no que está fazendo ou pense em alguma solução - nada disso. Só que pensasse antes de criticar ou seja lá o que for que você faça com suas companhias, quando me envolve. Talvez nem fosse pensar o verbo. Talvez fosse lembrar. Você já me afirmou tantas coisas que eu tenho a ligeira impressão de que é sua obrigação estar certo, por mais errado que você esteja. E pare, definitivamente, com o jogo de dizer que me conhece. Você nunca conhece o veneno até experimentá-lo. Durante todo o caminho, esses dias, eu nunca tinha sentido sua frieza, sabe? E foi até estranho porque eu também não senti mais nada. Só te vi ali, alguns metros a minha frente, sem olhar pra trás, sem olhar pra mim, como quem foge de uma sentença muito cruel pra algo que cometeu.
Sei que por mais que meu coração tenha vibrado com sua carta e algumas palavras, uma razão insana não permite com que eu acredite nisso por muito tempo. "Você não tem provas", ela repete pra mim, sem descansar um segundo, "você não tem provas e sabe que todo bom jogador tem os melhores blefes". "E é por isso", ela continua "que ele é o melhor jogador que eu conheço, menina. Nunca vi alguém ganhar o melhor prêmio que você tem pra oferecer".
Eu não posso lidar com isso, certo? Porque, talvez, um palpite, porque é verdade. Eu sempre perdôo e retorno e acredito e ouço e tenho toda paciência nos seus piores dias, remo com você nas piores tormentas. E estou lá. Nem sempre parada, nem sempre disposta. Mas você me alcança. E eu nunca consigo alcançar você. É curioso, não? Eu sempre penso assim.
Não sei exatamente onde quero chegar, o que quero que você saiba - porque pra você, desisti de escrever ou falar sobre o que há por dentro dessa matéria, por trás desse rosto - ou dessas expressões que nunca conseguem mentir, mas que nunca são decifradas. Eu acredito piamente que todas as minhas preces e súplicas e pedidos e vontades estão depositadas nesse amontoado de pensamentos sem conexão, lógica, coerência, coesão, argumentos e muito menos sem terceira pessoa. E que a palavra certa pra quem acredita que tudo isso pode acontecer é utopia. Uma utopia assustadora, da qual nem me protejo mais. Algo tão impossível quanto uma chuva de estrelas. Mas está aqui, agora. Um tumulto de palavras e "por favores" numa pilha de letras. Lembranças jogadas num canto do (meu) mundo como peças velhas num depósito.

18 comentários

  1. Um texto sincero e verdadeiro.. A ilusao é foda demais.
    FOrça querida!

    boa semana
    bj ;)

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  2. Sinceridade falou alto, terceira pessoa do singular não há mais. E o que resta? essas lembranças pra bater mais no machucado, mas que sem duvida valeu pra alguma coisa.

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  3. AAAAAAAAh um capricho aqui :)
    (estou Sorrindo )

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  4. Parabéns pelas ppalavras. To arriscando algumas, se puder ler (: http://nscercresceremorrer.blogspot.com/

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  5. nossa, que lindo !
    a sinceridadefalou tão alto !
    deixe seu coração falar bem mais alto !

    beijao

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  6. Ahhh que coisa mais linda!

    Como disseram super sincero, eu achei bem verdadeiro! rs

    Beijos flor!

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  7. Fraaan,
    Conheci agora. Me apaixonei faz horas!!! kkk'
    Adorei esse texto. Passei por uma decepção recentemente...

    ... Mas aqui, deixou meu sorriso.
    :)
    Bzus.

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  8. texto liindo, as vezes as promessas machucam muito .-. :*

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  9. Eu nem tenho o q falar, é tão teu, tão sincero, tão humilde.. Perfeitoo
    Bjos ;*

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  10. Obrigada por ter visitado meu blog - palavrasdemenina- espero que tenha gostado. Gostei mto do seu e gostaria de te-lo com link no meu...
    Abr

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  11. Lindo! Parece q o tempo passa e seus textos só ficam mais bonitos e perfeitos, se isso é possível!
    Bjinhos!

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  12. Liindo blog visita e seque o meu?

    http://blogdeumagarotaadolescente.blogspot.com/

    Ficarei grata se sequir.

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  13. Que texto forte nena!!
    Sinceridade é sempre importante e parece que foi pra alguém específico, né?
    Em algumas partes do texto, acabei lembrando da música do Skank!
    "E quando eu estiver triste.. simplesmente me abrace.."
    Sabe? Quando a gente precisa da pessoa ali, não precisa sair do seu mundo (perfeito ou não), não precisa dar opiniões, ficar se iludindo com possíveis problemas se envolvendo com alguém "complicada"....
    Simplesmente me abrace...

    Lindo texto apesar de ser dolorido pra quem o sente e pra quem o escreve!

    Beijos! Se cuida!
    xoxo

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.