crônicas e contos

Manual

14:25

"Então eu começo uma briga porque eu preciso sentir algo"¹. Era a música daquela tarde após a nossa enésima briga. Paro e tento prestar atenção, tento organizá-la em tópicos na minha mente só para depois gritar: "Viu só é assim que eu sou essa sou eu um ser de faca e não de flor² desculpa eu não vou mudar não vou ficar quieta e não vou te agradar". Como se eu tivesse mesmo que pedir desculpas! Você para e olha meu silêncio de um jeito estranho, como se eu o atingisse em cheio, como se o silêncio te ferisse mais que qualquer coisa que eu pudesse dizer, porque você ri - simplesmente ri - quando eu falo e se desespera quando eu calo. Então você faz o que eu menos preciso - o que eu menos quero. Você pergunta o que aconteceu. Assim, desse jeito frio, desse jeito distante. Você fala pausadamente, num sussurro: "O. Que. Aconteceu?". Eu queria te explicar, queria dizer (falar, gritar, extravasar, deixar o nó de mim explodir) "Nada, não aconteceu nada, só me abraça, fica quieto um minuto para entender, para ouvir o silêncio te explicar". Mas eu só olho para você e rio, sem graça, sem norte, sem esperança de que você entenda, porque e sei que isso vai se repetir e acho, sinceramente acho que nossa história deveria entrar pro Guiness Book, porque não há um recorde de brigas por minuto, porque só nós conseguimos tal coisa sem cansar. Eu preciso sentir e me livrar dessa coisa urbanoidemente gelada que é ter a obrigação de ser e estar. Porque eu não quero que você desista de mim, eu quero tanto, por favor, me faça sentir tudo novamente³. Você não entenderia se a música me fizesse chorar. Porque não há, concorde comigo, não há nem se pode explicar essas coisas, grandes ou pequenas. Não se pode contar certas coisas, pois a vida precisa dessa magia, desse brilho, dessa coisa que a torna especial e diferente. Você nem sequer dá uma brecha para eu me aproximar, porque seu medo de mim é maior que meu desespero de você. Eu peço a Deus que você peça a Ele meu manual, com advertências e reações adversas e modo de cuidar e tudo o mais. Quero que nossos relógios se acertem porque não dá pra se criar uma valsa ou um tango argentino nesse descompasso e quero que, sem perguntas, sem "porquês", e sem interrogações você me faça sentir, que pertença a minha briga e me faça sentir algo, qualquer coisa, me abraçando, me olhando nos olhos e dizendo que tudo vai ficar bem e que me faça rir pra sentir, seja lá o que for, sem precisar do meu manual, porque eu sei que você pode, eu sei que você sabe o que fazer e como ouvir - e seguir - seu coração.

Recados:
¹ - Referência à música Cold as you, Taylor Swift.
² - Referência à obra de Caio F Abreu
³ - Referência à uma crônica de Tati Bernardi
Agradecimentos: Marcelli, Mayara, Gabi T e Míriam, que gostaram do texto :) Pra vocês: Senti falta! Perdão pelo sumiço aqui no blog!

12 comentários

  1. Lindo post Fran. Emocionei :')
    Sinto isso também, sabe. Brigas por minuto .. rs
    Precisando de uma briga pra sentir algo. Como eu dizia a meu amor "o melhor da briga é a reconciliação ;)"
    Brigas sem sentido e sem razão. Brigas tolas e que as vezes nos distanciava tanto. O silêncio.
    Enfim, amei muito seu post.
    Assustador como você descreve tão bem o que sinto. Obg ^^

    =*

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  2. É tão sei lá; verdadeiro!
    O silêncio, a incompreensão do outro, o choro, a bobagem...
    Lindo, perfeito!
    Bjos ;*

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  3. minha lindaaaaaaaaa :)
    ficou lindo!

    sinto tantooo a sua falta! você nem sabe o quanto! muita mesmo!

    te amo minha flor linda.

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  4. Parece que as musicas da Taylor fazem milagres quando nos inspiramos nela, porque o texto ficou lindo, perfeito!

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  5. É, eu creio que quem ama pode compreender o outro, sem precisar de nenhum manual.
    Que texto maravilhoso Fran!
    Beijos

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  6. que belas palavras FRan.

    ainda to sem net, mas hj tirei um tempinho vim aqui..

    mas cuide-se,
    bjo querida ;)

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  7. Oh minha Fran.
    Acho que tá ficando chato já, eu falar que o que você escreve é de uma beleza singular, emociona como uma verdade pura, fria e inalcansável.
    Mas você sabe, que cada sentimento sentido aqui, é sempre assim: bonito, meio piegas, e mesmo quando parece clichê sabe fazê-lo da forma mais única.

    E você falando de silêncio nesse texto..Falando sobre às vezes querer contar, mas no fundo não querendo precisar chegar nesa parte exigindo a compreensão do outro com o olhar, ou num gesto de abraço.
    Isso tudo me lembrou em partes um texto que eu fiz sobre silêncio (sobre 'meu' silêncio):
    http://coresdaluz.blogspot.com/2010/01/refem-do-silencio.html

    Se quiser depois leia lá.Heheh
    É que eu adoro ele, por ter marcado muito toda uma vida e características minhas que precisavam ser ditas, expostas.

    Meu Deus estou fazendo propaganda minha para você.Olha em que ponto cheguei!HAHAHA


    Mas oh..O amor às vezes vem assim mesmo,desencontrando, desencaixando fazendo de tudo para em algum algum momento abaixarmso nossas armas, desarmamos nosso medos e nos mostrarmos de verdade.Aí sim nascerá uma verdadeiora relação.

    Te amo muito, minha prin.cesa.=))
    Beijooooo!!!

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  8. Nossaaaa.
    Muito reflexivo seu post...

    Arrasou!

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  9. Lindo Lindo Lindo!
    Gostei muito,

    BJão e boa semana =^.^=

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  10. Ola muito legal o seu blog, estou querendo fazer parceria com o seu blog, sera q rola ? qualquer coisa me manda um recado no orkut ou no meu blog msm :)

    http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=8060649733179647415

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.