crônicas e contos

- doses.

17:56


Era só mais um dia. Comum, poderíamos dizer. Tedioso. Mas desde que abriu os olhos, as surpresas começaram a surgir. Detalhes simples e que poderia passar despercebido aos olhares daqueles que não param nunca ou daqueles que não enxergam o óbvio. Ganhou, logo de manhã, uma rosa, ao descer do ônibus. Um bilhete, um convite. Talvez nada lá muito surpreendentes. Bilhetes e convites ainda eram normal, certo? Um par de horas mais tarde, uma coincidência... Algo impressionante demais para ser considerado coincidência, mas era assim que chamavam. Ela, distraída, só fazia sorrir e achar graça. Ao chegar em casa, um presente. Inesperado, mas acontece. O sol estava exatamente no centro do céu e ela fazia parte das pessoas que eram guiadas por ele. Antes de sair, ainda teve tempo de descobrir que foi pauta da conversa dos amigos, que confortaram seu ego sem ao menos perceberem o que faziam. E logo, saiu. Naquela fila pro ônibus, na rodoviária, ouviu alguém comentar sobre seus olhos. Algo como se eles possuíssem a forma de um sorriso. "Olhos que sorriem!". Corava e sorria. Revirava a bolsa para achar um espelho qualquer. E o viu, ali, exatamente atrás dela. Num instante, ele a abraçava pela cintura e a fazia rir, dentre palavras e brincadeiras. Houve um ou outro arrepio ali, bem na espinha, mas era normal ela sentir todas essas coisas quando seus corpos se encostavam. Afinal de contas, estamos falando daqueles dois. Aqueles que só sabiam conjugar verbos na primeira pessoa do plural. E riam, e iam, e faziam todo o mundo esperar, mesmo que o tempo fosse pouco, era tudo como tinha que ser. Sempre. E ela se lembrava exatamente de cada forma, de cada música, e ele de cada palavra, data e nota tocada. E mesmo de madrugada, ele ligava só para que ela ouvisse a canção daqueles dois. Era a forma que tinha para dizer o quanto se lembrava dela. E no final, dizia algo que, para aqueles dois, valia mais que qualquer coisa. E ela sorria, e repetia a última frase dele.


Três palavras. Sete letras.

13 comentários

  1. Lindo, lindo, lindo como sempre, Fran *-*

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  2. Amigaaaa! Tô chorando igual a uma bebezonaaaaa!
    Só vc pra fazer essas coisas comigo!
    Ficou lindo!
    Bjos minha menina que vou entre as flores^^
    by: a sua menina dos dramas mexicanos.
    uhauhahu

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  3. impressionadaaaaaaaaa
    amamosss , nossa está maravilhoso!
    beijos Fran

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  4. parei na última frase, aquela das sete letras ;)

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  5. Ah, que texto lindo, de verdade! Três palavras, sete letras e muitos sentimentos por trás das cortinas. Sempre assim.

    Beijos!

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  6. Sabe o que seria lindo?
    Deixar um pouco de ser escritora e passar a ser personagem.
    E depois fazer uma auto biografia com o título:
    'MENINA BORBOLETA,DE ESCRITORA À PERSONAGEM.
    *Bateu asas,vôou e acima de tudo viveu.'

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  7. 'Bilhetes e convites ainda eram normal, certo?'

    Me faz pensar que são normais, mas tão raros hoje em dia. Uma pena.
    Ótimo texto!

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  8. Quanto tempo que não passava por aqui, estava com saudades =]

    Não tenho nem o que dizer.
    Lindo, lindo, lindo.

    Beijos

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  9. que lindo seu texto guria *-* a maneira como você escreve é deliciosa. own *-* adorei a parte que ela tenta procurar um espelho e o guri a surpreende pela cintura <3
    beijoks :*

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  10. gostei do post (:

    http://velhocuringa.blogspot.com
    obs: comece a ler do primeiro post.

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  11. Nossa que Talento em !
    Parabéns !
    By: Nathalia ..( Nathy )

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.