crônicas e contos

- parte minha.

18:06

Era quase como nossa rotina dos finais de semana. Era quase como as outras vezes em que fui te visitar. Quase. Faltava algo. Eu nem podia dizer que estava doendo, que morreria de dor, pois não doia. Só existia ali um grande buraco e todas as sensações do mundo se resumiam em indiferença.
Lembro da primeira vez em que fomos para sua casa. Eu mal havia saido do ônibus e você estava ali, na porta, de braços abertos para me pegar no colo assim que eu colocasse meus pés no último degrau. Eu me sentia tão menina! Você até abria a porta do carro pra mim, como nos filmes. Lembro que ficávamos em sua casa, até o meio da tarde, juntos, deixando que o impulso trabalhasse por nós. Logo depois você me levava até uma praça para que eu pudesse ver o pôr-do-sol daí. Não que existisse, tecnicamente, uma diferença lógica e notável. A não ser, claro, pelo fato de que você estava ali.
Não existia mais nada além de nós nos momentos em que ficávamos juntos. Lembro exatamente da primeira vez que vi, pela janela, a lua cheia cercada de estrelas. Estava deitada em sua cama, com você. Era tão normal pra você, uma cena tão típica. E ríamos juntos de qualquer canção que você sussurrava no meu ouvido. E eu adormecia.
Nós arriscamos. Foi a coisa certa por tanto tempo de nossas vidas. E depois, quando eu tinha que ir embora, você me levava até o terminal, me seguia na fila, me fazia conferir cada detalhe da passagem, conferia o troco e o guardava por mim. Sempre soube o quanto eu era distraída. E eu sempre, sempre deixei você cuidar de mim dessa forma. Então você me guiava até a nossa plataforma. Você me guiava até a plataforma 6 e me fazia conferir tudo. E ficava lá até perder o ônibus de vista. Trocávamos palavras todos os dias, nem que fosse uma só, à noite, por mensagens no celular.
Lembro de todas as brincadeiras, todos os testes, da forma com que você sempre me entendia e eu nunca compreendi como você fazia isso. Da sua preocupação sobre quando me atrasei, de como me suportou quando descontei toda TPM em você. De como me fazia rir e de como me envolvia em sua pele morena e eu seu corpo esculpido. De como me acalmava com o simples ato de sorrir.
A melhor época de nossas vidas. Tínhamos tantos planos! Faltavam tantas coisas para fazermos juntos. Abrimos mão de tantas coisas pelo outro e sempre demos um jeito, mesmo quando pensamos que não, sempre havia uma saída.
É diferente agora. Falta uma parte de mim que não dói, que torna tudo tão indiferente. Cheguei até a nossa plataforma e falta algo. Olhei tantas vezes para trás no caminho, para conferir, inutilmente, se havia alguém. Mas você não veio.
Você já não está aqui, não esperará perder o ônibus de vista para ir embora.
E definitivamente, falta algo.

21 comentários

  1. Gentee, a minha amiga quer me fazer chorar!
    Que texto lindo, Fran!
    Nossa, você consegue tocar bem no fundo com suas palavras sempre delicadas e, ai...sem palavras.
    A saudade, a falta de alguém é sempre uma coisa tão...inexplicável!
    Um beijo enorme,
    fica com Deus, amiga!
    Te adoro!
    :´)

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  2. "Tem gente que é só passar pela gente
    que a gente fica contente
    Tem gente que sente o que a gente sente
    e passa isto docemente
    Tem gente que vive como a gente vive,
    Tem gente que fala e nos olha na face,
    Tem gente que cala e nos faz olhar...
    Toda essa gente que convive com a gente,
    leva da gente o que a gente tem
    e passa a ser gente dentro da gente.
    Um pedaço da gente em outro alguém "
    .
    Fernando Sabino

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  3. Ai amiga!
    Fiquei triste =\\\
    Ti lindo!

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  4. Lindo, amr *-* sem palavras doois :) emocionei!
    beijobeijo, te amo :* <3

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  5. Não sei se é minha tpm, mais eu chorei. Caaara, que lindo!
    É dificil não ter mais alguém querido, tão necessario, e perde-lo do nada.

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  6. E talvez essa seja a pior das sensações. A sensação de que falta algo, de que falta alguém, de que o mundo é incompleto e pode ser comparado a um pedaço de queijo que já foi mordido e por isso não tem o sabor gostoso de antes.
    Beijos

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  7. Fran!!
    Sempre nos impressionando com palavras doces e fortes no impacto!!
    parabéns agora e sempre!!
    bjinhos

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  8. Não li confesso,mas lerei.=)))
    To meio se animação pros sues posts de saudadee amor.hehe'
    =))
    Te amo!
    Prin.cesa!

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  9. Ai que lindooo, muito tocante amor.
    So nao chorei pq to no trabalho haha [e esse tbm e o motivo de nao ter acento nas palavras aqui, desculpa e o teclado x.x], mas isso definitivamente e muito familiar pra mim, serio!

    Ficou lindo amor, porem tao triste.
    Quem dera pudessemos completar esse algo que falta tao facilmente..

    Te amo muuuito amor!
    saudades gigaenormes!
    (L)

    ps. tem recebido minhas msgs?

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  10. Noossa! Lindo, lindo, lindo .. ameeei *-*
    Parabéns !!

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  11. Não é à toa que vc lê Caio Fernando!
    Que lindo, Fran!
    Que doce! *-*

    <3

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  12. tudo que é bom faz falta depois,
    pois vicia.

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  13. É triste, mas muuuuuitooo bem escrito!
    Bjooooo!!!!!!

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  14. Ual, que texto lindo, tão cheio de sentimento, me envolvei, me perdi em lembranças...é um dia tudo vira lembranças.

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  15. tempo sem passar aqui e quando passo, nossa vc fez a Ritinha desabar em lágrimasd de tão emocionante me emocionei, parece cena de filme, lindo e maravilhoso seu post como sempre,um enorme beijo de Clara e Rita

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  16. adoreeeeei o blog! lindo lindo
    ;*

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  17. Nossa, vir no seu blog é dar um passeio de bicicleta por um campo verde sob um céu bem azulzinho. Seu post tem a ver comigo. Sempre falta alguma coisa, não é?
    Mesmo quando se ganha uma estrela dourada, a gente quer ir além.

    Um beijo!

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  18. Minha Nossa, Franciellen!
    Não tinha lido esse texto ainda...
    Como conhecedora da história, fico mais emocionada ainda pq sei da continuação.

    Torço mto por ti, flor! ^^

    Beeijo.

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  19. esse texto tem muitos méritos
    simplesmente é emocionante para aquelas(es) que se reconhecem em algumas letras
    nas poucas linhas
    ou mais precisamente
    em algumas dessas sensações que marcam tanto

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.