crônicas e contos

; αquele diα, um αlgo mαis...

13:47


E então, ele voltou.
Ela havia esperado por dias, semanas, meses até, sua chegada. Sua volta. Seu retorno...
Olhava todos os dias pela janela, para ver se algum pombo lhe trazia a correspondência do dia. A notícia de que ele voltara.
Sua mente trabalhava a cada segundo imaginando sua reação ao vê-lo, imaginando a reação dele ao reencontrar, finalmente, aquela garota aparentemente simples.
E então, ele voltou.
Chegou de mansinho, tal como o vento leve nas manhãs. E quanto mais se aproximava, mais força ganhava. E quanto mais se aproximava, mais capacidade de balançar seu pequeno coração ele tinha. Até que, em um determinado momento, ele já se tornava um rodamoinho dentro dela.
Todas as vagas lembranças que ela guardava dentro de si começavam a se misturar com a quantidade de sentimentos que ela havia sentido, um dia. E começavam a se misturar com a quantidade de sentimentos novos que surgiam.
Ele chegou devagar, tentando não assustá-la. E de repente, não mais que de repente, seus braços se misturavam, seus corações batiam num mesmo ritmo, seu riso sorria com a mesma intensidade que seus olhos brilhavam. Toda aquele espetáculo teatral se repetia, toda aquela dança, toda aquela magia.
Tantos nós na garganta da menina fizeram-na achar que era um sonho. Um doce sonho. E como todo sonho, havia um final. Não que ela quisesse ir embora. Não que ela quisesse perdê-lo novamente. Ela só não queria novas cicatrizes. Não, não podia ser pedir demais.
Ela engolia todas as palavras, todas as perguntas, todas as vontades de guardá-lo consigo. Ela não queria mais planejar... Estava cansada de tantos planos sem realização.
E todos os nós foram desfeitos. Toda aquela ventania havia passado. E só sobraram aquele par de corações batendo, inevitavelmente, num mesmo compasso.
O que houve?
Qual era, então, a razão... Qual era a verdadeira intenção do destino?
Ela, de repente descobriu que tudo o que lhe disseram sobre destino é verdade. Sim. Existia o Livre-Arbítrio. Ela realmente pode modificar seu próprio destino. Como se sentir a respeito disso? Como iria seguir sua vida? Cega e surda para os sinais, ou seria mais atenta? E se ela percebesse que um simples segundo, um simples mudar de calçada pode mudar toda uma história? O que fazer, então? O que fazer quando se percebe que se tem destino na palma da mão?
Era conveniente, para ela, deixar o destino agir.
Era conveniente, para os corações, continuarem sua canção...




Ps: e ela ainda espera o telefone tocar...

4 comentários

  1. Lindo o seu texto. Tu estás se tornando uma escritora muito talentosa. Uma escrita primorosa a sua, gostei muito.

    Seu conto mexeu comigo, por falar da transitividade da vida, das incertezas, daquilo que queremos e não podemos ter. De nossos corações que às vezes são duramente machucados.

    Tudo isso fala muito da vida de cada um de nós, que vive nesse mundo de incertezas. Seu conto disse aquilo que minha alma sente, e me identifiquei muito com ele.

    Quero te agradecer pela visita no meu blog. Volte sempre.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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  2. =]

    "E quando o nó cegar
    deixa desatar em nós"

    =*

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  3. Quero te convidar para visitar a postagem de lançamento do meu livro, Vale dos Elfos, que acabou de ser lançado. Será uma honra recebê-la lá.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.