crônicas e contos

... α suα pressα e α suα prece.

14:45


"Fazer de conta que tudo está bem". Era esse o pensamento daquela garota com o olhar perdido no meio da multidão. Cumpria sua rotina sem deixar que percebessem que algo estava errado. Não nela. Não perto dela. Com ela.
E, sem sombra de dúvidas, era uma excelente atriz.
Fingia estar de acordo com a idéia dos pais. Fingia querer estar naqueles lugares, com aquelas pessoas. Também fingia aceitar conhecer o garoto que suas amigas insistiam tanto em apresentar a ela. E em sua maioria, começaram a fazer parte de sua vida. Assim, ela também tinha que fingir que queria conviver com eles. Algumas vezes, ela também fingia sentir o que nunca existiu... E fingia não se lembrar do que nunca esqueceu.
Sabemos, claro, o quão ela estava errada. Ela, por outro lado, fingia se conformar com tudo aquilo. Sentia como se tivesse de mãos atadas, sem poder fazer nada. Sentia seus pés presos naquele lugar... E sentia as palavras evaporarem quando ela pensava em dizer algo.
Ela sentia que nada daquilo fazia sentido.
Queria poder sair, tinha pressa em viver a seu modo.
Aquela menina parecia ser tão frágil... Flor de vidro, uma boneca de porcelana. Olhar perdido. Mãos atadas. Pés presos. Palavras inúteis. Pressa.
Ela, lamentávelmente havia se acomodado àquela situação. Não conseguia desatar os nós e seus passos nunca atingiam o horizonte que desejava.
A necessidade de viver o que sentia crescia de uma maneira que nem a própria menina sabia descrever, apenas sabia que existia... e que algo ruim poderia acontecer se ela, simplesmente, ignorasse.
Seus pais decidiam o que ela faria ou não. Seus amigos começaram a decidir qual era o menino ideal pra ela, os prefessores decidiam suas metas... E cabia a ela cumprir... Sem mesmo concordar com tudo aquilo, sem mesmo poder dar sua opinião.
Desejava com toda alma que aquilo acabasse. Suas preces diárias pediam uma luz, que fosse. Precisava sair de toda aquela situação. Precisava viver. Ela se arriscaria sem pensar duas vezes pra tornar real seu desejo mais intenso. Mergulharia no desconhecido só pra ter o que tanto queria. Queria poder tomar suas decisões, queria poder errar e dizer o que pensava, sem receio, sem medo.
... Queria, apenas, sua liberdade.!

3 comentários

  1. Toda e qualquer semelhança com a (minha) realidade é apenas coincidência.



    e tenho dito (:

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  2. Eu te vi nesse texto!!!
    =\
    E não acredito em coincidências!!!

    Liberdade essa que cabe apenas a ela...uma hora ou outra tudo o que tá preso em sua garganta sairá...

    Eu te amo!!


    Beijão Fran!!!

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  3. Que coisa linda. Adorei, seu texto é muito belo, meus parabéns.

    O sonho da liberdade ainda vindo a tona, ainda despertando paixões, ainda alimentando utopias, ainda fazendo as suas revoluções.

    Muito lindo, me fez muito bem esse texto.

    Estou colocando um link no meu blog para o seu, para assim poder te visitar sempre.

    Me visite também sempre que quiser, será sempre bem vinda lá no meu cantinho. E obrigado pela visita.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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Puxe a cadeira e sirva-se de um chá.